Sempre que as pessoas se revelam são piores do que os meus mais temíveis pesadelos.
Tenho gasto os meus doís últimos anos em ilusões. Tenho desperdiçado os meus melhores sentimentos. Um atrás do outro.
Há, contudo, algo que me tranquiliza. Ainda consigo chorar.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
terça-feira, novembro 23, 2010
O meu mundo real
No meu mundo real, Pedro Beça Múrias morreu.
No meu mundo real, está um frio imenso que, ainda assim, não se compara ao da minha alma.
No meu mundo real dou por mim em lágrimas, revoltada com a ditadura do capital que nos transforma a todos em meros números (na maior parte dos casos a abater).
No meu mundo real somos meros peões, usados e deitados fora, à medida das necessidades.
O meu mundo real é, de facto, um "admirável mundo novo".
No meu mundo real, está um frio imenso que, ainda assim, não se compara ao da minha alma.
No meu mundo real dou por mim em lágrimas, revoltada com a ditadura do capital que nos transforma a todos em meros números (na maior parte dos casos a abater).
No meu mundo real somos meros peões, usados e deitados fora, à medida das necessidades.
O meu mundo real é, de facto, um "admirável mundo novo".
O meu mundo alternativo...
Tenho um mundo alternativo. Um mundo onde as coisas são todas a condizer. Um mundo onde as personagens dizem sempre frases fantásticas, com o ar blaisé que convém. Um mundo onde as pessoas dançam no Guincho.
Neste momento, no meu mundo imaginário, ouve-se Legendary Tiger Man. Life aint enough for you...
(Há qualquer coisa de optimista neste post. Quem me apresentou a esta música foi o meu último desgosto. Impõe-se, pois, a pergunta: conseguiremos nós construir alguma coisa das cinzas?)
Neste momento, no meu mundo imaginário, ouve-se Legendary Tiger Man. Life aint enough for you...
(Há qualquer coisa de optimista neste post. Quem me apresentou a esta música foi o meu último desgosto. Impõe-se, pois, a pergunta: conseguiremos nós construir alguma coisa das cinzas?)
terça-feira, novembro 16, 2010
Um desgosto atrás de outro...
Podia escrever mil linhas.
Talvez o total vazio de palavras seja mais adequado.
Se me sentisse tão vazia quanto uma parede em branco estaria bem melhor do que estou.
Talvez o total vazio de palavras seja mais adequado.
Se me sentisse tão vazia quanto uma parede em branco estaria bem melhor do que estou.
segunda-feira, novembro 01, 2010
A ressaca
Não me refiro a essa ressaca. É a outra. A que se instala quando o sonho nos fugiu e nos deparamos a cada passo com estilhaços.
Choro hoje as lágrimas que já não devia ter, embalada ao som de uma conversa que nunca devia ter ocorrido. Faço-me acompanhar dos cigarros que não posso fumar, oiço as músicas proibidas e atiro-me para um estado de caos que não mereço.
E lá deixei escoar mais umas horas. Umas horas que todas somadas fazem dias. Semanas. Meses. Anos. Trinta e quatro anos.
Choro hoje as lágrimas que já não devia ter, embalada ao som de uma conversa que nunca devia ter ocorrido. Faço-me acompanhar dos cigarros que não posso fumar, oiço as músicas proibidas e atiro-me para um estado de caos que não mereço.
E lá deixei escoar mais umas horas. Umas horas que todas somadas fazem dias. Semanas. Meses. Anos. Trinta e quatro anos.
domingo, outubro 31, 2010
O que sobrou...
Há muitos, muitos, imensos anos atrás tropecei no famoso verso que fala da lucidez da morte. Era então uma miúda atormentada entre o desejo de se sentir viva e o incomensurável peso dos antepassados, oscilando entre um registo de sonho pela imortalidade e o comportamento de uma menina digna das melhores memórias. Adormecia com Kundera. Acordava com Beauvoir. Entre um cigarro e outro, dançava na pista do Plateau enquanto memorizava Boris Vian e bebia cubas livres como se não houvesse amanhã.
Tudo isso foi há muito tempo. Ao contrário do que possa pensar, a minha primeira dor a sério não foi (nunca poderia ser...) a morte da minha mãe. Corrigindo, foi a morte daquela que, efectivamente, foi a minha mãe: a minha avó Mila.
Não há dia que não pense que nunca lhe chegarei aos pés no que ela tinha de maior: a sua dignidade.
Só vim a perceber muito mais tarde que, na noite em que ela desfaleceu nos meus braços, eu também morri em larga medida. Porque no velório dela foram duas a enterrar: ela e a menina que acreditava que ia mudar o mundo.
Depois dessa noite o que sobrou foi um despojo de mim própria. Um grande e imenso vazio que fui preenchendo aos poucos. Claro que voltei a ler Beauvoir, Kundera e Vian. É sabido que bebi muito mais cubas livres. Também dancei no Plateau...
Mas já não era a mesma miúda. Era outra. E essa outra nunca mais parou de se sentir sozinha...
Obrigada Avó Mila. Tenho imensa pena de nunca ter estado à altura do que me ensinaste... Espero que um dia me desculpes já que eu não o consigo fazer a mim própria.
Tudo isso foi há muito tempo. Ao contrário do que possa pensar, a minha primeira dor a sério não foi (nunca poderia ser...) a morte da minha mãe. Corrigindo, foi a morte daquela que, efectivamente, foi a minha mãe: a minha avó Mila.
Não há dia que não pense que nunca lhe chegarei aos pés no que ela tinha de maior: a sua dignidade.
Só vim a perceber muito mais tarde que, na noite em que ela desfaleceu nos meus braços, eu também morri em larga medida. Porque no velório dela foram duas a enterrar: ela e a menina que acreditava que ia mudar o mundo.
Depois dessa noite o que sobrou foi um despojo de mim própria. Um grande e imenso vazio que fui preenchendo aos poucos. Claro que voltei a ler Beauvoir, Kundera e Vian. É sabido que bebi muito mais cubas livres. Também dancei no Plateau...
Mas já não era a mesma miúda. Era outra. E essa outra nunca mais parou de se sentir sozinha...
Obrigada Avó Mila. Tenho imensa pena de nunca ter estado à altura do que me ensinaste... Espero que um dia me desculpes já que eu não o consigo fazer a mim própria.
sábado, outubro 30, 2010
Entre uma dança e outra...
Entre uma dança e outra, dou por mim com trinta e quatro anos. Trinta e quatro anos!
Só o que tenho vivido nos últimos anos daria para encher uma vida inteira de uma mulher normal.
Só o que tenho vivido nos últimos anos daria para encher uma vida inteira de uma mulher normal.
terça-feira, outubro 26, 2010
Os dias correm...
Não tenho escrito aqui, fundamentalmente porque tenho andado entretida com os diários do Vergílio Ferreira.
Mas não só. A dor ainda não se extinguiu por completo, como é óbvio. Ainda hoje me incomoda ver as tentativas de engate que o PMF vai lançando nas minhas barbas no Face. E fico ainda mais incomodada por me sentir incomodada com este modus operandi. Talvez porque saiba que me deixei aprisionar. A minha característica mais evidente é o orgulho. O orgulho que me faz ter arrepios cada vez que penso que caí no conto de um vigário, tão batido, quanto bem-sucedido. E eu engrossei as fileiras das vítimas deste logro.
Como diz o Nuno Reis, eu sou muito parecida com a Scarlett: ando a vida toda atrás de um loiro mas devo é achar o meu moreno.
Mas não só. A dor ainda não se extinguiu por completo, como é óbvio. Ainda hoje me incomoda ver as tentativas de engate que o PMF vai lançando nas minhas barbas no Face. E fico ainda mais incomodada por me sentir incomodada com este modus operandi. Talvez porque saiba que me deixei aprisionar. A minha característica mais evidente é o orgulho. O orgulho que me faz ter arrepios cada vez que penso que caí no conto de um vigário, tão batido, quanto bem-sucedido. E eu engrossei as fileiras das vítimas deste logro.
Como diz o Nuno Reis, eu sou muito parecida com a Scarlett: ando a vida toda atrás de um loiro mas devo é achar o meu moreno.
terça-feira, outubro 12, 2010
Saint Elmo's Fire
Revi-o na segunda, após um fim-de-semana em Bragança agri-doce. De certa forma, ressalvadas certas diferenças, eu estava lá, numa das personagens. Não me visto nem nunca me vesti daquela forma. Nunca fui amante de um patrão (embora já tenha sido amante, como se sabe...). Nunca fui uma mulher fácil, seja nos afectos, seja na passagem directa para a cama. Mas estava lá.
É assustador. Tão assustador quanto eu estar convencida que o happy-end dali não se vai copiar para o esterco dourado em que se converteu a minha vida.
Por isso, reiterando uma frase que eu uso e que também lá vi: nunca pensei chegar aos 33 tão cansada... Mas cheguei. A este ritmo vou atingir os 34 ainda pior.
É assustador. Tão assustador quanto eu estar convencida que o happy-end dali não se vai copiar para o esterco dourado em que se converteu a minha vida.
Por isso, reiterando uma frase que eu uso e que também lá vi: nunca pensei chegar aos 33 tão cansada... Mas cheguei. A este ritmo vou atingir os 34 ainda pior.
quarta-feira, outubro 06, 2010
A vida que corre rápida mas a conta gotas...
Enviam-me pelo face a minha fotografia de campanha e olho para ela, entre o choque o riso nervoso. Pareço exausta. Estou exausta. É, neste momento, indisfarçável.
No mesmo transe, tendo presente aquilo que agora designo o "evento", parece que, simultaneamente, foi há uma eternidade e ainda ontem.
Este duplo sentido do tempo, rápido na minha cara e alma, e lento (na minha alma), baralha-me.
Tenho ainda saudades do sorriso dele. Daqueles olhos azuis lindíssimos, aos quais agora me apetecia deitar decapante. Tenho principalmente saudades da minha incomensurável alegria. De me sentir apaixonada. De me perder nos braços dele, nos olhos dele, no cabelo dele. Tenho aquela capacidade avassaladora de me perder em estradas sinuosas, eu sei.Talvez por isso, cresce em mim um outro sentimento que não chega a ser ódio mas é um tímido desprezo. Desprezo pela fraqueza. Pela falta de inteligência. Por me ter enganado (não sei se ele a mim, se eu a mim própria...).
E, como em tudo, uma certa revolta porque sei que estou magoada demais para poder apreciar uma dança que me foi proposta. Só sei dançar com o Diabo, está visto. Principalmente se o Diabo for loiro e de olhos azuis.
No mesmo transe, tendo presente aquilo que agora designo o "evento", parece que, simultaneamente, foi há uma eternidade e ainda ontem.
Este duplo sentido do tempo, rápido na minha cara e alma, e lento (na minha alma), baralha-me.
Tenho ainda saudades do sorriso dele. Daqueles olhos azuis lindíssimos, aos quais agora me apetecia deitar decapante. Tenho principalmente saudades da minha incomensurável alegria. De me sentir apaixonada. De me perder nos braços dele, nos olhos dele, no cabelo dele. Tenho aquela capacidade avassaladora de me perder em estradas sinuosas, eu sei.Talvez por isso, cresce em mim um outro sentimento que não chega a ser ódio mas é um tímido desprezo. Desprezo pela fraqueza. Pela falta de inteligência. Por me ter enganado (não sei se ele a mim, se eu a mim própria...).
E, como em tudo, uma certa revolta porque sei que estou magoada demais para poder apreciar uma dança que me foi proposta. Só sei dançar com o Diabo, está visto. Principalmente se o Diabo for loiro e de olhos azuis.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Linhas alheias
Acabo de me deparar num outro local com um desabafo brutal: "Todas as mulheres foram Cleópatra na última encarnação. Eu não. Fui cão.". Dei por mim a sorrir. Já eu, que penso nunca ter sido cão, sou a Cleópatra nesta. Na anterior fui a Rita.
segunda-feira, setembro 20, 2010
O meu eufemismo
Xaxão: Então e qual é o meu eufemismo?
MRS: Desarma qualquer um.
Xaxão: Isso não é um eufemismo.
MRS: É, sim.
MRS: Desarma qualquer um.
Xaxão: Isso não é um eufemismo.
MRS: É, sim.
sábado, setembro 18, 2010
Passaram uns dias e a dor atenuou-se. Não ao ponto de esquecer o olhar. Não ao ponto de as lágrimas terem deixado de correr. Não ao ponto de ter conseguido ultrapassar. Não ultrapassei. Limito-me a contornar. Contorno este fracasso, vestida e penteada como uma Barbie, de cigarro na mão e sem qualquer réstea de esperança que me permita esboçar um sorriso genuíno.
Se vou sobreviver? Claro. Se o vou conseguir fazer sem encerrar em mim ainda mais mágoa e dor? Não, claro que não. Estou cada vez mais condenada a este destino de teatro e a ser a tal boneca que todos querem levar para a cama mas nenhum para a vida.
Se vou sobreviver? Claro. Se o vou conseguir fazer sem encerrar em mim ainda mais mágoa e dor? Não, claro que não. Estou cada vez mais condenada a este destino de teatro e a ser a tal boneca que todos querem levar para a cama mas nenhum para a vida.
segunda-feira, setembro 13, 2010
A história da minha vida
Seria um diálogo bom para a história que estou a escrever (sucede que, infelizmente, é a história da minha existência...):
RR - Então?
Xaxão: Então?! Basicamente é isto: quando o gajo que me bate está em 3º lugar no ranking dos piores, está tudo dito.
RR - Então?
Xaxão: Então?! Basicamente é isto: quando o gajo que me bate está em 3º lugar no ranking dos piores, está tudo dito.
Mais uma (des) ilusão
Todos os sinais me indicavam que eu deveria ter fugido. Como sempre, não fugi. Dei o salto em frente e ri-me para o abismo. Ri-me e depois chorei.
Desta queda, enormíssima, podia ter resultado um filho. Em vez disso, resultou uma enorme poça, um rasto de sangue. E a mais total solidão. No fundo, tudo se resume a isto: estamos sempre sós... Na minha solidão, as pessoas acotovelam-me. Na minha solidão, as pessoas não se calam. Na minha solidão, houve sempre muita dor. A grande diferença é que até agora nunca tinha havido sangue.
Obrigado, Pedro. De facto, foste uma experiência única. Espero que irrepetível.
Desta queda, enormíssima, podia ter resultado um filho. Em vez disso, resultou uma enorme poça, um rasto de sangue. E a mais total solidão. No fundo, tudo se resume a isto: estamos sempre sós... Na minha solidão, as pessoas acotovelam-me. Na minha solidão, as pessoas não se calam. Na minha solidão, houve sempre muita dor. A grande diferença é que até agora nunca tinha havido sangue.
Obrigado, Pedro. De facto, foste uma experiência única. Espero que irrepetível.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Mais outra para a história...
-Você quer-me convencer do oposto mas, pelo seu tom de voz, a verdade é que você me parece cada vez mais perdida.
- Já nos conhecemos há tantos anos e ainda não sabe que eu acredito piamente que as mulheres perdidas são as maiores procuradas?!
- Já nos conhecemos há tantos anos e ainda não sabe que eu acredito piamente que as mulheres perdidas são as maiores procuradas?!
Para as "Histórias"
Toca o Tlm. Atendo. Tom de voz n.º 31.
Toca o Tlm. Atendo. Sorriso daqueles tão fortes que se sabe que só visa estancar um mar de lágrimas.
Toca o Tlm. Atendo. Conversa de circunstancia que também só visa fazer aquilo em que eu sou tão boa: levantar o muro entre mim e o mundo.
Toca o Tlm. Grito: "Mas que merda!" É o meu lindo J, de 5 anos. A "namorada" dele foi à vida e quer colo. Quer colo numa altura em que só me apetece ter colo.
Dentro de mim ecoam as palavras do P., a dizer-me que tenho de me resguardar. Como é que eu posso fazer isso se o que trago dentro de mim neste momento é tão pior do que o choro desta criança? Se a voz dele, pela inocência, me acalma e me faz acreditar que, apesar de estar tudo ao contrário, ainda há uma hipótese de alguma coisa acabar bem?
Toca o Tlm. Atendo. Sorriso daqueles tão fortes que se sabe que só visa estancar um mar de lágrimas.
Toca o Tlm. Atendo. Conversa de circunstancia que também só visa fazer aquilo em que eu sou tão boa: levantar o muro entre mim e o mundo.
Toca o Tlm. Grito: "Mas que merda!" É o meu lindo J, de 5 anos. A "namorada" dele foi à vida e quer colo. Quer colo numa altura em que só me apetece ter colo.
Dentro de mim ecoam as palavras do P., a dizer-me que tenho de me resguardar. Como é que eu posso fazer isso se o que trago dentro de mim neste momento é tão pior do que o choro desta criança? Se a voz dele, pela inocência, me acalma e me faz acreditar que, apesar de estar tudo ao contrário, ainda há uma hipótese de alguma coisa acabar bem?
sexta-feira, agosto 13, 2010
Diz o Hugo...
Eu, atolada num mar de lamentações, digo-lhe, num tom de voz amargurado:
- Eu começo a acreditar que tenho exactamente na medida do que mereço.
Ele responde liminarmente:
- Não te insultes, Rita.
Obrigada, Hugo. Estou a tentar seguir o teu conselho.
- Eu começo a acreditar que tenho exactamente na medida do que mereço.
Ele responde liminarmente:
- Não te insultes, Rita.
Obrigada, Hugo. Estou a tentar seguir o teu conselho.
Fix you...
A Menina Veneno diz que prefere esta. Eu acho-a uma das músicas da minha vida. Hoje já a consigo ouvir sem me correrem lágrimas pela cara abaixo (a dúvida é até quando...).
quinta-feira, agosto 12, 2010
Ok, do you want something simple?
Eu querer, até queria. Nunca consigo, como bem se demonstra aqui.
Sei que, a breve trecho, vou estar mergulhada em dúvidas existenciais, uma crescente insegurança e até crises de choro. Contudo, hoje, ainda ecoam as gargalhadas, aquele olhar e um último resquício de esperança.
Para quem fez da sua vida uma sucessão de danças com o diabo, de facto, estou no mesmo registo de sempre.
Se eu me podia interessar por gente normal? Podia. Mas deixava de ser eu...
Sei que, a breve trecho, vou estar mergulhada em dúvidas existenciais, uma crescente insegurança e até crises de choro. Contudo, hoje, ainda ecoam as gargalhadas, aquele olhar e um último resquício de esperança.
Para quem fez da sua vida uma sucessão de danças com o diabo, de facto, estou no mesmo registo de sempre.
Se eu me podia interessar por gente normal? Podia. Mas deixava de ser eu...
Into my arms...
É a música do momento, o que significa ser aquela que me assalta a cada transe.
Oh, Lord...
Uma alma que nunca se segurou a si própria terá forças para manter à tona de água um semelhante?
Oh, Lord...
Uma alma que nunca se segurou a si própria terá forças para manter à tona de água um semelhante?
quarta-feira, julho 28, 2010
O mar das lágrimas...
Em resposta a eu ter escrito que o Porto-Santo tinha o meu mar, respondeu o RR: O mar de lágrimas é uma SA com taaaaantos accionistas...
segunda-feira, julho 26, 2010
Vista de mar...
Fecho os olhos, acendo um cigarro e sou assaltada por uma torrente de recordações.
Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar... Again...
Metade de mim - o resquício de racionalidade que de vez em quando habita em mim - quer fugir enquanto pode (certa, porém, que este exacto momento seria já tarde demais). A minha faceta emotiva sabe que já não consigo e decidiu, de novo, dançar o tango com a vida.
Aos 33 anos estou, pois, neste registo. O papel que reservei a mim mesma desde a famosa queda livre é aquele em que nado como ninguém. Se estivesse ao meu alcance controlar tudo, o que escolheria ser era justamente a mulher que se tornou a minha imagem de marca. Fria,inantingível, sem qualquer vestígio de emoção. Esse meu lado nunca chorou por motivo diverso da mais pura raiva.
Sucede, porém, que a espaços a outra vai fazendo umas aparições. E estou assustadíssima. Ironicamente, já que dizem de mim que sou a mulher sem medo, o que mais me assusta sou eu própria.
Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar... Again...
Metade de mim - o resquício de racionalidade que de vez em quando habita em mim - quer fugir enquanto pode (certa, porém, que este exacto momento seria já tarde demais). A minha faceta emotiva sabe que já não consigo e decidiu, de novo, dançar o tango com a vida.
Aos 33 anos estou, pois, neste registo. O papel que reservei a mim mesma desde a famosa queda livre é aquele em que nado como ninguém. Se estivesse ao meu alcance controlar tudo, o que escolheria ser era justamente a mulher que se tornou a minha imagem de marca. Fria,inantingível, sem qualquer vestígio de emoção. Esse meu lado nunca chorou por motivo diverso da mais pura raiva.
Sucede, porém, que a espaços a outra vai fazendo umas aparições. E estou assustadíssima. Ironicamente, já que dizem de mim que sou a mulher sem medo, o que mais me assusta sou eu própria.
domingo, julho 25, 2010
Highway to hell
Recebo um daqueles telefonemas, em pleno casamento do meu pai, a dar-me conta que também tu baixaste os braços. Recebo este telefonema ao som do Damien Rice, envolta num vestido cor-de-rosa que me faz quase parecer uma daquelas princesas com que as miúdas sonham. E só consigo pensar que algo de profundamente errado se está. Algo de tão errado que já nem tenho espaço dentro de mim para saber se devo chorar ou rir à gargalhada. Rir num acesso daqueles que me é tão típico, daqueles que me dá quando sinto que está tudo tão errado, tudo tão profundamente perdido, que só resta o prazer do riso. Daquele riso que qualquer alma de humor caustico gosta de dar, numa estratégia de bofetada de luva branca ao destino. E, por isso, só me recordo da célebre frase do Tiago Duarte, quando dizia que não morríamos mas antes nos encontraríamos no inferno. Nós os dois muito em particular. A diferença é que, neste momento, não me apetece acelerar o processo. E tu, quando te levantares, perceberás que também não o queres.
sexta-feira, julho 23, 2010
TGV
Quem me aturou em muitas noites gélidas, daquelas que duram vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, sempre me disse que eu era o misto de paradoxos melhor sucedido que já tinha visto. Era - e sou - frágil mas de uma firmeza férrea quando era preciso. Era - e sou - uma pessimista nata que, ainda assim, achava que valia a pena lutar até ao fim. Dançava à beira do abismo com a mais total indiferença e o sem o mínimo temor de cair mas nunca dava o derradeiro passo. Passava de um registo de total frieza para um de grande candura e vice-versa. Era uma liberal nos costumes quanto aos outros e extremamente conservadora comigo mesma. Não tinha medo de nada excepto de me apaixonar.
Quem me abraçou nessas noites e afugentou a solidão que grassava em mim sempre me vaticinou que, mais trágico do que eu ser considerada bonita, era ser de uma ingenuidade atroz em termos pessoais. Espero não estar em repetição de um erro porque duas vezes seria mais do que consigo aguentar. Até lá, a minha única conclusão é a de que a minha vida virou um TGV.
Quem me abraçou nessas noites e afugentou a solidão que grassava em mim sempre me vaticinou que, mais trágico do que eu ser considerada bonita, era ser de uma ingenuidade atroz em termos pessoais. Espero não estar em repetição de um erro porque duas vezes seria mais do que consigo aguentar. Até lá, a minha única conclusão é a de que a minha vida virou um TGV.
segunda-feira, julho 19, 2010
Os apeadeiros
Quando recebi a tal mensagem, tenho ideia de ter vertido umas lágrimas. Sei que escrevi aqui umas linhas. Recordo-me que uma tristeza me inundou o olhar.
Correram umas semanas sobre o evento. Já mal me recordo de Sua Ex.a, o qual presumo deva ter encontrado a sopeira da vida dele. Voltei a rir-me com gosto. Saio à noite e danço. Apresento-me de mini-saia e hiper-bronzeada.
Em suma: renasci. E, atenta a rapidez com que o fiz, sei que iria cometer o erro da minha santa vidinha. Definitivamente, não nasci para ser a mulher de ninguém. Muito menos de um atrsado mental que gosta de touros, é homofóbico e de direita.`A presença dele na minha vida foi um mero apeadeiro. Espero que no caminho de uma estação principal.
Correram umas semanas sobre o evento. Já mal me recordo de Sua Ex.a, o qual presumo deva ter encontrado a sopeira da vida dele. Voltei a rir-me com gosto. Saio à noite e danço. Apresento-me de mini-saia e hiper-bronzeada.
Em suma: renasci. E, atenta a rapidez com que o fiz, sei que iria cometer o erro da minha santa vidinha. Definitivamente, não nasci para ser a mulher de ninguém. Muito menos de um atrsado mental que gosta de touros, é homofóbico e de direita.`A presença dele na minha vida foi um mero apeadeiro. Espero que no caminho de uma estação principal.
terça-feira, julho 06, 2010
A morte
No dia de hoje tive conhecimento de mais duas mortes. Uma que era expectável. A outra completamente inesperada. Enredada no silêncio que estas notícias geram, dei por mim a pedir ao meu pai para ter cuidado e, simultaneamente, a pensar que devo viver intensamente. Tenho de viver em vez de gastar os dias porque a morte me pode colher ao virar da esquina, ainda por cima com todas as minhas cada vez mais evidentes fragilidades. No final, parece-me, o que conta foi o que fizemos da nossa vida. Talvez por isso eu gostasse de ter o direito de, naquele instante, pensar que fiz o melhor que pude.
segunda-feira, junho 28, 2010
Dançar o tango com a vida
Quem chega ao meu perfil no face, depara-se com a seguinte apresentação: "Vai correr mal, pergunto com um ar inocente, enquanto entro com uma vela acesa no paiol das munições...". Foi a resposta do meu grande amigo RR, em jeito de comentário e para não me dizer textualmente "tu estás perdida", a uns episódios que lhe estava a relatar. Definitivamente, sou eu.
E, também em definitivo, o paiol pode mudar, as munições divergirem, mas eu sou sempre a mesma e, embora de formas diversas, faço sempre a mesma coisa.
Neste Sábado contei o que fiz aquando do início do meu relacionamento com o Mister Big: no dia seguinte entrei pela faculdade dentro empunhando um livro cujo título era "Foi ontem e já me esqueci...". Que homem resiste a uma coisa destas? E a resposta é também sempre a mesma: alguém que seja feito da mesma massa.
E, também em definitivo, o paiol pode mudar, as munições divergirem, mas eu sou sempre a mesma e, embora de formas diversas, faço sempre a mesma coisa.
Neste Sábado contei o que fiz aquando do início do meu relacionamento com o Mister Big: no dia seguinte entrei pela faculdade dentro empunhando um livro cujo título era "Foi ontem e já me esqueci...". Que homem resiste a uma coisa destas? E a resposta é também sempre a mesma: alguém que seja feito da mesma massa.
domingo, junho 27, 2010
Eu e o Rodrigo
Entro no Clube de Ténis das Laranjeiras para um programa completamente fora do meu registo: festa dos dois anos da Raquel, filha do Rodrigo. À chegada, ele pergunta-me: "Estás bem-disposta?". Sorrio e atiro: "Como já sabemos que isto vai correr mal, o melhor é divertir-me entretanto".
Ele dá-me inúmeras sugestões de possíveis respostas a perguntas que nunca serão feitas de forma explícita, respostas essas que ambos também sabemos que só darei quando me sentir a um passo do abismo. Eu registo, entre sorrisos, cada uma, convicta que, de facto, chegará a altura em que as terei de atirar à cara do Mister Big.
Hoje acordei a pensar nisto. Nisto, no facto de o mesmo Rodrigo ter dito uma frase que me define na íntegra e ainda noutra conversa que tive com a minha professora preferida de sempre. Disse-me que eu era a Sofia, do Aparição, enquanto me avisava que ela não acabou bem. Devo ter estado durante esta noite a puxar as gavetas da memória, pois acordei a pensar que a respectiva irmã também não acabou bem. Mal por mal, independentemente do fim (e, como se sabe, o final é sempre igual, acabamos todos deitados da mesma forma, numa qualquer sala, em exposição...), ao menos que a viagem até lá valha a pena.
Ele dá-me inúmeras sugestões de possíveis respostas a perguntas que nunca serão feitas de forma explícita, respostas essas que ambos também sabemos que só darei quando me sentir a um passo do abismo. Eu registo, entre sorrisos, cada uma, convicta que, de facto, chegará a altura em que as terei de atirar à cara do Mister Big.
Hoje acordei a pensar nisto. Nisto, no facto de o mesmo Rodrigo ter dito uma frase que me define na íntegra e ainda noutra conversa que tive com a minha professora preferida de sempre. Disse-me que eu era a Sofia, do Aparição, enquanto me avisava que ela não acabou bem. Devo ter estado durante esta noite a puxar as gavetas da memória, pois acordei a pensar que a respectiva irmã também não acabou bem. Mal por mal, independentemente do fim (e, como se sabe, o final é sempre igual, acabamos todos deitados da mesma forma, numa qualquer sala, em exposição...), ao menos que a viagem até lá valha a pena.
sexta-feira, junho 25, 2010
Há dias assim...
Dias em que, de repente, me esqueço completamente da desgraça que grassa na minha vida e me entrego ao que estou a fazer naquele momento. Podia ser a dançar no meu eterno Plateau mas, por mero acaso, aconteceu hoje mesmo no Tribunal do Trabalho.
Curiosamente, este dia ergueu-se sobre uma noite onde ocorreu uma singular conversa. Uma conversa que me pareceu completamente honesta entre duas almas que aprenderam a relacionar-se no meio de meias-verdades, uma profunda desconfiança e o fosso criado por uma multidão. Uma conversa onde se falou de nós, penso que pela primeira vez na nossa vida. Hoje acordei a pensar que os socos que doem mais não são os físicos. E, portanto, sim, tu estás perdoado. Já o S. nunca o estará. Coisas da vida. Há dias assim. Há outros em que temos momentos infelizes. Nós os dois já vivemos ambos. Talvez por isso eu consiga achar um saldo francamente positivo nesta nossa relação tão atípica.
Curiosamente, este dia ergueu-se sobre uma noite onde ocorreu uma singular conversa. Uma conversa que me pareceu completamente honesta entre duas almas que aprenderam a relacionar-se no meio de meias-verdades, uma profunda desconfiança e o fosso criado por uma multidão. Uma conversa onde se falou de nós, penso que pela primeira vez na nossa vida. Hoje acordei a pensar que os socos que doem mais não são os físicos. E, portanto, sim, tu estás perdoado. Já o S. nunca o estará. Coisas da vida. Há dias assim. Há outros em que temos momentos infelizes. Nós os dois já vivemos ambos. Talvez por isso eu consiga achar um saldo francamente positivo nesta nossa relação tão atípica.
terça-feira, junho 22, 2010
Pensamento do dia
Nunca se deve confiar num homem que usa o mesmo perfume há anos.
Provavelmente é a única coisa a que consegue ser fiel.
Provavelmente é a única coisa a que consegue ser fiel.
segunda-feira, junho 21, 2010
Esta vida é um lugar estranho...
Morreu Saramago e a selecção deu sete a zero à Coreia. Contudo, não obstante a espuma destes dias, ainda dou por mim a pensar na mensagem que me fez descer ao chão. À medida que as horas vão passando, a minha ténue racionlaidade vai-me dando sinais de que se tratava de um sonho impossível. Um sonho impossível não equivale a um sonho menos sentido, como é óbvio. Tem, apenas, a enorme vantagem de não nos permitir o eterno pensamento masoquista do "e se...". Não há se. Não há nada.
Talvez por isso, quando reabri o Retrato de Dorian Gray (e este é apenas um dos muitos livros que me marcou e que presumo que o Senhor S. nem sequer saiba que existe...), uma frase do Óscar levou-me a um outro pensamento: "só se deve conhecer pessoas até à superfície. A partir daí estamos por nossa conta e risco". Eu estive por minha conta e risco. E, tal como na canção de que eu tanto gosto:
"Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi".
E agora? Agora é levantar a cabeça, olhar para este sol e pensar que, se há quatro meses, eu vivia sem ele, agora também tenho de conseguir.
Talvez por isso, quando reabri o Retrato de Dorian Gray (e este é apenas um dos muitos livros que me marcou e que presumo que o Senhor S. nem sequer saiba que existe...), uma frase do Óscar levou-me a um outro pensamento: "só se deve conhecer pessoas até à superfície. A partir daí estamos por nossa conta e risco". Eu estive por minha conta e risco. E, tal como na canção de que eu tanto gosto:
"Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi".
E agora? Agora é levantar a cabeça, olhar para este sol e pensar que, se há quatro meses, eu vivia sem ele, agora também tenho de conseguir.
terça-feira, junho 15, 2010
Ela.
Lida uma mera mensagem escrita, eis que se instala de novo.
Deus ou alguém por ele sabe que eu acreditei. Acreditei neste sonho com todas as forças que tive. E, mais uma vez, o sonho dissipou-se e fiquei confrontada única e exclusivamente com mais um fracasso. Lembrei-me agora que podia acrescentar às minhas colecções os fracassos. Estilo: "Fazes colecção de quê? De madrastas, de frases e de fracassos.". Tenho uma pilha de fracassos sempre prontos a assolar-me nas piores horas. E agora somo mais este.
Claro que chorei. Chorei como sempre choro, imensas lágrimas a correrem-me pela cara e alguns sorrisos de permeio. E chorei sabendo que a depressão vinha aí.
Percebo agora que qualquer sonho que eu possa ter é inútil. A minha vida será exactamente o que tem sido. Ninguém - e muito menos eu própria - pode fazer alguma coisa para me afastar deste caminho, traçado há demasiado tempo. Correram sobre mim demasiadas horas, demasiados minutos, milhões e milhões de segundos. Correram sobre mim e não me deixam recuar. Estou cada vez mais "animal de palco", destruída por dentro, mas de grande sorriso nos lábios. Atingi um estatuto tal que já nem consigo chorar em paz. Será que ainda alguém acredita que terei um destino diferente daquele que sempre imaginei meu?
Deus ou alguém por ele sabe que eu acreditei. Acreditei neste sonho com todas as forças que tive. E, mais uma vez, o sonho dissipou-se e fiquei confrontada única e exclusivamente com mais um fracasso. Lembrei-me agora que podia acrescentar às minhas colecções os fracassos. Estilo: "Fazes colecção de quê? De madrastas, de frases e de fracassos.". Tenho uma pilha de fracassos sempre prontos a assolar-me nas piores horas. E agora somo mais este.
Claro que chorei. Chorei como sempre choro, imensas lágrimas a correrem-me pela cara e alguns sorrisos de permeio. E chorei sabendo que a depressão vinha aí.
Percebo agora que qualquer sonho que eu possa ter é inútil. A minha vida será exactamente o que tem sido. Ninguém - e muito menos eu própria - pode fazer alguma coisa para me afastar deste caminho, traçado há demasiado tempo. Correram sobre mim demasiadas horas, demasiados minutos, milhões e milhões de segundos. Correram sobre mim e não me deixam recuar. Estou cada vez mais "animal de palco", destruída por dentro, mas de grande sorriso nos lábios. Atingi um estatuto tal que já nem consigo chorar em paz. Será que ainda alguém acredita que terei um destino diferente daquele que sempre imaginei meu?
quarta-feira, maio 26, 2010
Haja o que houver...
Eu estou aqui. E tu estarás aí. Porque desde há uns anos que tem sido assim. Uma amizade que sobrevive ao que a nossa já sobreviveu não tem grandes limites.
Por isso, em honra das duas, não me agradeças.. Pensa que houve momentos em que foste tu que me deste a mão. E, sem ela, eu não teria resistido.
Por isso, em honra das duas, não me agradeças.. Pensa que houve momentos em que foste tu que me deste a mão. E, sem ela, eu não teria resistido.
quinta-feira, maio 20, 2010
Ainda o Quase...
Enquanto as minhas amigas se reproduzem a um ritmo estonteante que faria inveja a muita família de coelhos, eu esbarro em mim própria todas as noites em casa. Esbarro em mim, sem grande réstea de esperança de me vir a tornar uma mulher convencional.
Diz o Rodrigo que fui a rapariga mais desejada da Academia. É, obviamente, um exagero manifesto mas o interesse que fui despertando, penso agora, talvez resulte bem mais da minha personalidade atípica do que do físico que tenho. Oscilo entre um registo de alguma fragilidade e uma imagem de uma frieza glaciar (lembro-me bem do meu sorriso cínico quando um dos eternos candidatos perguntou ao Rui se não se sentia gelado quando me beijava), levantando-me a cada queda com um sorriso nos lábios.
No corrente dia, acendo mais um cigarro e, de repente, fecho os olhos e assola-me a certeza de que o maior luxo que tenho é mesmo ter espinha. E, atendendo a que é um bem escasso, ter essa espinha é capaz de ser o meu principal atractivo.
Meu caro, as árvores morrem de pé. Podem morrer sozinhas mas morrem de pé. Não há nada que se compare ao luxo de uma pessoa viver sabendo que morrerá de pé.
Diz o Rodrigo que fui a rapariga mais desejada da Academia. É, obviamente, um exagero manifesto mas o interesse que fui despertando, penso agora, talvez resulte bem mais da minha personalidade atípica do que do físico que tenho. Oscilo entre um registo de alguma fragilidade e uma imagem de uma frieza glaciar (lembro-me bem do meu sorriso cínico quando um dos eternos candidatos perguntou ao Rui se não se sentia gelado quando me beijava), levantando-me a cada queda com um sorriso nos lábios.
No corrente dia, acendo mais um cigarro e, de repente, fecho os olhos e assola-me a certeza de que o maior luxo que tenho é mesmo ter espinha. E, atendendo a que é um bem escasso, ter essa espinha é capaz de ser o meu principal atractivo.
Meu caro, as árvores morrem de pé. Podem morrer sozinhas mas morrem de pé. Não há nada que se compare ao luxo de uma pessoa viver sabendo que morrerá de pé.
terça-feira, maio 11, 2010
A ti, S.
O meu mais recente Quase...
Enquanto não reformulo este blogue (ou, talvez, acabe com ele), o único impulso que sinto para escrever é quando me sinto clamorosamente triste.
E, como não podia deixar de ser, hoje estou. Estou porque sei que foi, uma vez, quase. Quase lá. A culpa, provavelmente, é da noite. Desta noite em concreto, em que dou por mim a cada passo, em que me sinto emboscada.
Diz o Tiago, nós de vez em quando vemos um oásis, sabemos que o é mas gostamos da ilusão.
Adeus.
Enquanto não reformulo este blogue (ou, talvez, acabe com ele), o único impulso que sinto para escrever é quando me sinto clamorosamente triste.
E, como não podia deixar de ser, hoje estou. Estou porque sei que foi, uma vez, quase. Quase lá. A culpa, provavelmente, é da noite. Desta noite em concreto, em que dou por mim a cada passo, em que me sinto emboscada.
Diz o Tiago, nós de vez em quando vemos um oásis, sabemos que o é mas gostamos da ilusão.
Adeus.
quinta-feira, abril 22, 2010
Entre o garota nacional e o Ok, do you want something simple...
Se há música que os meus amigos associam à minha vertente mais fútil e esteta, é o garota nacional. Por um lado, porque eu saía à noite recorrentemente de vestido preto e dançava esta batida como se o mundo acabasse amanhã, cigarro numa mão, copo na outra e um enorme sorriso nos lábios. Por outro, porque, de facto, do meu grupo de amigos sempre fui a que preenchi mais o imaginário dessas criaturas estranhas a que se convencionou chamar homens.
Nos dias que correm acho muito curioso que a miúda tímida que fui, cujo principal objectivo era passar despercebida, de repente tivesse um salto nesta direcção das luzes e ribalta. Pensando melhor, eu não saltei: fui empurrada. Uma vez sem chão tentei fazer deste salto um grande espectáculo. E, so far, tem sido.
Acontece que eu não perdi a minha timidez. Pelo contrário, foi-me tragando viva. Quanto mais mostrava o corpo, mais tentava esconder a alma. E consegui.
Daí a segunda das músicas. Associo sempre esta música a um período em que estive mesmo à beira do abismo. Cada vez que me via ao espelho, deparava com um olhar vazio, um total gelo (deu até direito a que um dos nossos amigos comuns perguntasse ao Rui M se não se sentia gelado quando me beijava). Na vida, nada é simples, nada é preto ou branco, nada é linear.
Talvez por isso eu consiga gostar tanto do Garota Nacional e, ao mesmo tempo, d' O canto dos cisnes.
Nos dias que correm acho muito curioso que a miúda tímida que fui, cujo principal objectivo era passar despercebida, de repente tivesse um salto nesta direcção das luzes e ribalta. Pensando melhor, eu não saltei: fui empurrada. Uma vez sem chão tentei fazer deste salto um grande espectáculo. E, so far, tem sido.
Acontece que eu não perdi a minha timidez. Pelo contrário, foi-me tragando viva. Quanto mais mostrava o corpo, mais tentava esconder a alma. E consegui.
Daí a segunda das músicas. Associo sempre esta música a um período em que estive mesmo à beira do abismo. Cada vez que me via ao espelho, deparava com um olhar vazio, um total gelo (deu até direito a que um dos nossos amigos comuns perguntasse ao Rui M se não se sentia gelado quando me beijava). Na vida, nada é simples, nada é preto ou branco, nada é linear.
Talvez por isso eu consiga gostar tanto do Garota Nacional e, ao mesmo tempo, d' O canto dos cisnes.
quarta-feira, abril 21, 2010
A voragem...
Como nunca tenho nada para fazer (e o conjunto dos nadas que faço determminou que ontem estivesse no escritório até às cinco da matina e hoje de regresso pelas nove e meia), aceitei candidatar-me a um lugar, não interessa onde.
Deve existir alguma explicação metafísica acerca do que me leva a meter-me nessas coisas mas, assim de repente, não me ocorre nenhuma...
Deve existir alguma explicação metafísica acerca do que me leva a meter-me nessas coisas mas, assim de repente, não me ocorre nenhuma...
segunda-feira, abril 19, 2010
Ser ou não ser...
Quando se tem duas almas em guerra e se desconfia que nenhuma vai ganhar, existem duas formas de lidar com a situação:
a) fugir enquanto ainda se pode;
b) continuar a caminhar para o abismo, de preferência com um sorriso nos lábios.
Obviamente que escolho a segunda, sabendo que do riso nascerão, a seu tempo, as lágrimas. Nunca consegui resistir ao apelo do perigo, ao jogo das emoções ainda que saiba que é uma roleta russa em que obviamente não posso ganhar... Talvez eu seja mesmo a tal vela ao vento, cuja força a aviva mas também a pode apagar.
Vi no facebook umas fotos minhas, das Anas e do Mateus, num jantar em 2003. Todos tão mais novos que é quase assustador confrontar-me com a vertigem do tempo. Estamos todos mais velhos, mais velhos, mais cansados. E, mal por mal, prefiro que o meu desgaste seja sinónimo de que vivi intensamente... Cada minuto da minha vida como se fosse o último. Um dia acertarei.
a) fugir enquanto ainda se pode;
b) continuar a caminhar para o abismo, de preferência com um sorriso nos lábios.
Obviamente que escolho a segunda, sabendo que do riso nascerão, a seu tempo, as lágrimas. Nunca consegui resistir ao apelo do perigo, ao jogo das emoções ainda que saiba que é uma roleta russa em que obviamente não posso ganhar... Talvez eu seja mesmo a tal vela ao vento, cuja força a aviva mas também a pode apagar.
Vi no facebook umas fotos minhas, das Anas e do Mateus, num jantar em 2003. Todos tão mais novos que é quase assustador confrontar-me com a vertigem do tempo. Estamos todos mais velhos, mais velhos, mais cansados. E, mal por mal, prefiro que o meu desgaste seja sinónimo de que vivi intensamente... Cada minuto da minha vida como se fosse o último. Um dia acertarei.
quinta-feira, abril 15, 2010
November rain...
Nos momentos de aperto, aqueles em que a tristeza me leva nos seus braços, oiço quase sempre as mesmas músicas. Para além do Cara de Anjo Mau, do Ok, Do you want something simple e, mais recentemente, do Fix you, o November rain está quase sempre lá.
Não é Novembro mas chove. Dentro de mim tenho um turbilhão de sentimentos, prestes a explodir. Quando fecho os olhos a única coisa em que consigo pensar é que nunca estive tão lúcida como quando tinha catorze anos e em mim ecoava a certeza de que isto não ia correr muito bem. Não correu. Não corre. Não correrá. Ninguém pode realmente contrariar a sua natureza. Eu não posso contrariar a minha natureza. E, não o pondendo fazer, condenei-me a um futuro de uma solidão tenebrosa.
Cheguei à conclusão que quase que tive mais homens do que os que vêm na Biblia. E arrependo-me? Muitíssimo. Mas não o suficiente.
Cheguei à conclusão que, por mais doce que uma paixão possa ser, eu não nasci para ser a mulher de ninguém, ainda que isso possa representar aceder a mais dinheiro do que alguma vez ganharei.
Cheguei à conclusão que o meu melhor lado talvez gostasse de ter uma família respeitável e ter filhos e tal mas o meu verdeiro eu acha imensa graça à adapatbilidade da que tenho e encontra um profundo tédio em ser convencional.
Perante isto, parece-me que os próximos passos de cada um têm de ser dados a sós.
Lá se foi o meu sonho de felicidade impossível.
Não é Novembro mas chove. Dentro de mim tenho um turbilhão de sentimentos, prestes a explodir. Quando fecho os olhos a única coisa em que consigo pensar é que nunca estive tão lúcida como quando tinha catorze anos e em mim ecoava a certeza de que isto não ia correr muito bem. Não correu. Não corre. Não correrá. Ninguém pode realmente contrariar a sua natureza. Eu não posso contrariar a minha natureza. E, não o pondendo fazer, condenei-me a um futuro de uma solidão tenebrosa.
Cheguei à conclusão que quase que tive mais homens do que os que vêm na Biblia. E arrependo-me? Muitíssimo. Mas não o suficiente.
Cheguei à conclusão que, por mais doce que uma paixão possa ser, eu não nasci para ser a mulher de ninguém, ainda que isso possa representar aceder a mais dinheiro do que alguma vez ganharei.
Cheguei à conclusão que o meu melhor lado talvez gostasse de ter uma família respeitável e ter filhos e tal mas o meu verdeiro eu acha imensa graça à adapatbilidade da que tenho e encontra um profundo tédio em ser convencional.
Perante isto, parece-me que os próximos passos de cada um têm de ser dados a sós.
Lá se foi o meu sonho de felicidade impossível.
Só a mim...
Levanto-me às cinco da matina e lá vou eu de alfa para o Porto. Chego ao Tribunal e a criatura que diz que é minha colega, para além de violar ostensivamente o art.º 108º do EOA, sai-se com esta pérola:
"Está habituada a ganhar processos à custa do seu físico..."
Olho para ela com um olhar de ódio e a coisa mais inócua que consegui deixar cair foi: "Essa vou deixar passar. Se todos os dias a primeira coisa que eu visse ao espelho fosse a sua cara, também era assim ressabiada...".
Xaxão no seu melhor...
"Está habituada a ganhar processos à custa do seu físico..."
Olho para ela com um olhar de ódio e a coisa mais inócua que consegui deixar cair foi: "Essa vou deixar passar. Se todos os dias a primeira coisa que eu visse ao espelho fosse a sua cara, também era assim ressabiada...".
Xaxão no seu melhor...
terça-feira, abril 13, 2010
Mais diálogos
"SR - Mas porque é que queres comprar bebés? Esses também berram...
RGP - Berram em estrangeiro e é mais fino..."
RGP - Berram em estrangeiro e é mais fino..."
segunda-feira, abril 12, 2010
A história repete-se duas vezes
Fecho os olhos, acendo mais um cigarro e assalta-me uma vontade de chorar avassaladora. Passam por mim imagens de momentos de felicidade e partilha incomensuráveis, alturas em que olhámos a vida de frente e soubemos sorrir para ela.
Aquele ataque de riso que me arrancaste no meio das minhas lágrimas. A festa que te fiz, a medo, no cabelo, no único dia que te ouvi lamentar a falta de uma família. A nossa valsa em plena Avenida de Roma. A forma como me amparaste no funeral do Miguel. A tua promessa de me pegares ao colo ao som do Fix You. O teu olhar de esperança quando vesti o vestido cor-de-rosa.
Desapareceu tudo. Tudo. E, por mais que gosto de ti, não te consigo perdoar. Não consigo. Não consigo aceitar que a última imagem tua a que tive direito tenha sido um corpo meio congelado na morgue. O corpo que tantas vezes me abraçou, com quem tantas vezes dancei. Não consigo perdoar que me tenhas deixado cada vez mais só no meio de uma multidão que me acotovela e me rasga a alma.
Dizias tu que eu tinha o dom da vida e que o resto de vocês só estava à procura de um buraco para se esconder. Deixa-me que te diga que muitos dias houve em que só me mantive à tona porque me seguravas o braço. E nem me deste a oportunidade de tentar segurar-te a ti. Não te posso perdoar.
Aquele ataque de riso que me arrancaste no meio das minhas lágrimas. A festa que te fiz, a medo, no cabelo, no único dia que te ouvi lamentar a falta de uma família. A nossa valsa em plena Avenida de Roma. A forma como me amparaste no funeral do Miguel. A tua promessa de me pegares ao colo ao som do Fix You. O teu olhar de esperança quando vesti o vestido cor-de-rosa.
Desapareceu tudo. Tudo. E, por mais que gosto de ti, não te consigo perdoar. Não consigo. Não consigo aceitar que a última imagem tua a que tive direito tenha sido um corpo meio congelado na morgue. O corpo que tantas vezes me abraçou, com quem tantas vezes dancei. Não consigo perdoar que me tenhas deixado cada vez mais só no meio de uma multidão que me acotovela e me rasga a alma.
Dizias tu que eu tinha o dom da vida e que o resto de vocês só estava à procura de um buraco para se esconder. Deixa-me que te diga que muitos dias houve em que só me mantive à tona porque me seguravas o braço. E nem me deste a oportunidade de tentar segurar-te a ti. Não te posso perdoar.
Diálogos
SV- "Eu quero ter, pelo menos, três filhos."
RGP - "Desses todos quantos vais comprar?"
SV - "Tu cantas o hino nacional? Eu só canto às vezes, sou monárquico...
RGP - Pois, eu também. O meu hino principal é a Internacional..."
SV - "Não sonhas casares de branco?
RGP - Já fiz isso. Casei de biquini e era branco".
RGP - "Desses todos quantos vais comprar?"
SV - "Tu cantas o hino nacional? Eu só canto às vezes, sou monárquico...
RGP - Pois, eu também. O meu hino principal é a Internacional..."
SV - "Não sonhas casares de branco?
RGP - Já fiz isso. Casei de biquini e era branco".
Os homens da minha vida...
Logo pela madrugada (entenda-se, oito e meia da matina para mim é madrugada, especialmente a uma Segunda-Feira...) diz-me a Dona Rosa: "A Dr.ª tem qualquer coisa de especial porque eles ficam a gostar de si". Podia estar-se a referir a juízes (o que não seria necessariamente mau...) mas aludia aos meus ex's. Sem pensar muito respondo de rajada: "Isso é porque eu sou exótica. Penso como um homem e, contudo, sou mulher. Eles não estão habituados...".
E não é que acho que é mesmo isso?!
E não é que acho que é mesmo isso?!
segunda-feira, abril 05, 2010
Regresso...
Provavelmente fruto do imenso vazio que me assaltou durante meses, não senti qualquer necessidade de escrever aqui.
Estes meses foram duríssimos, de uma aridez crua e brutal. Perdi pessoas de quem gostava, umas porque a morte as levou para parte incerta, outras porque a máquina irrevogável do tempo não dá tréguas. E não deu. Às vezes, quando me vejo ao espelho, pergunto-me como é ainda consigo ter dentro de mim alguma coisa que se assemelhe ao que o senhor dos olhos azuis chamava "o melhor". O melhor, segundo ele, eram os meus sorrisos, a rebeldia, o facto de ser capaz de tomar medidas de força dentro de um vestido de noite. Era a tal luta de opostos que me permitia citar Simone de Beauvoir dentro de um vestido de noite que me fazia parecer uma boneca oca e fútil, que me fazia dançar como se fosse morrer amanhã e, horas depois, estar sentada na reunião do directivo a reinvindicar direitos.
Para quem tem o condão de mergulhar num extenso mar de lamentações ao menor indício de solidão, estou em crer que me portei melhor do que eu própria esperaria. Não estou certa, porém, que tal seja um bom sinal...
Estes meses foram duríssimos, de uma aridez crua e brutal. Perdi pessoas de quem gostava, umas porque a morte as levou para parte incerta, outras porque a máquina irrevogável do tempo não dá tréguas. E não deu. Às vezes, quando me vejo ao espelho, pergunto-me como é ainda consigo ter dentro de mim alguma coisa que se assemelhe ao que o senhor dos olhos azuis chamava "o melhor". O melhor, segundo ele, eram os meus sorrisos, a rebeldia, o facto de ser capaz de tomar medidas de força dentro de um vestido de noite. Era a tal luta de opostos que me permitia citar Simone de Beauvoir dentro de um vestido de noite que me fazia parecer uma boneca oca e fútil, que me fazia dançar como se fosse morrer amanhã e, horas depois, estar sentada na reunião do directivo a reinvindicar direitos.
Para quem tem o condão de mergulhar num extenso mar de lamentações ao menor indício de solidão, estou em crer que me portei melhor do que eu própria esperaria. Não estou certa, porém, que tal seja um bom sinal...
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