Dias em que, de repente, me esqueço completamente da desgraça que grassa na minha vida e me entrego ao que estou a fazer naquele momento. Podia ser a dançar no meu eterno Plateau mas, por mero acaso, aconteceu hoje mesmo no Tribunal do Trabalho.
Curiosamente, este dia ergueu-se sobre uma noite onde ocorreu uma singular conversa. Uma conversa que me pareceu completamente honesta entre duas almas que aprenderam a relacionar-se no meio de meias-verdades, uma profunda desconfiança e o fosso criado por uma multidão. Uma conversa onde se falou de nós, penso que pela primeira vez na nossa vida. Hoje acordei a pensar que os socos que doem mais não são os físicos. E, portanto, sim, tu estás perdoado. Já o S. nunca o estará. Coisas da vida. Há dias assim. Há outros em que temos momentos infelizes. Nós os dois já vivemos ambos. Talvez por isso eu consiga achar um saldo francamente positivo nesta nossa relação tão atípica.
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