Provavelmente fruto do imenso vazio que me assaltou durante meses, não senti qualquer necessidade de escrever aqui.
Estes meses foram duríssimos, de uma aridez crua e brutal. Perdi pessoas de quem gostava, umas porque a morte as levou para parte incerta, outras porque a máquina irrevogável do tempo não dá tréguas. E não deu. Às vezes, quando me vejo ao espelho, pergunto-me como é ainda consigo ter dentro de mim alguma coisa que se assemelhe ao que o senhor dos olhos azuis chamava "o melhor". O melhor, segundo ele, eram os meus sorrisos, a rebeldia, o facto de ser capaz de tomar medidas de força dentro de um vestido de noite. Era a tal luta de opostos que me permitia citar Simone de Beauvoir dentro de um vestido de noite que me fazia parecer uma boneca oca e fútil, que me fazia dançar como se fosse morrer amanhã e, horas depois, estar sentada na reunião do directivo a reinvindicar direitos.
Para quem tem o condão de mergulhar num extenso mar de lamentações ao menor indício de solidão, estou em crer que me portei melhor do que eu própria esperaria. Não estou certa, porém, que tal seja um bom sinal...
3 comentários:
Oi miúda
Já tinha questionado o que seria feito de ti. Mas como quem não está para blogues também não está para grandes e-mails, limitei-me a passar por aqui.
Precisas de alguma coisa?
Bjo
Olá!
E eu não te consigo ler. Estou out do teu blogue.
Não preciso de nada. Estou de volta e, curiosamente, estava com saudades de te ler...
Bjo
Não estás nada! Nunca! Jaimais (ler Jamé!). Vou enviar-te um mail!
:)
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