quarta-feira, setembro 20, 2006

Seguindo uma sugestão...

"A sedução, tal como a arte, vive só para si: a arte para a arte, a proeza para a proeza, a coragem para a coragem, o amor para o amor, a embriaguez para a embriaguez, o prazer para o prazer. Quem disse que a vida é um sonho? A vida é um jogo."
Autor: Gabriele D'Annunzio Fonte: "O Livro Secreto"

terça-feira, setembro 19, 2006

Há gentinha muito medíocre

Cuidado com os lobos vestidos de carneiro, foram-me sempre dizendo.
Nunca tive.
Em termos pessoais, detesto ares de carneiro e, talvez por isso, nunca me envolveria com ninguém assim. Já que temos de nos cruzar com autênticos animais, então que sejam de outra índole, mais interessante. Lã, só nas camisolas, please.
Já no campo social e profissional e como é óbvio, não posso escolher propriamente com quem lido. Posso, contudo, escolher a quem dirijo mais do que meras palavras.
Lembro-me dele por o ter achado ridículo. Era um Sábado de manhã e eu estava entre o a dormir em pé e o furioso por ter de estar a vigiar exames. Ele, com um ar pretensamente charmoso, meteu-se comigo no bar da universidade, tentou fazer o género de "carneiro" e deu-me um cartão que dava a conhecer que era "capitão de artilharia". Eu fiquei a pensar "mas que merda faz um capitão de artilharia" neste país, guardei o cartão e voltei para a minha sala. Deste encontro distam uns anitos e tudo o que soube depois dele foi que devia guardar distância. Como se preciso fosse!
Porque este mundo é um T0, tomei conhecimento que esta alminha casara. Azar dos azares, não encontrou ninguém ao nível dele. Foi acima. E muito!
Hoje, essa criatura, ansiosa pelo protagonismo que um andar em Chelas forçosamente não confere a ninguém, lixou-me a minha remuneração na Universidade. Novo azar. Para ele, oitenta contos é uma fortuna. Para mim, é uma gota num oceano. É que a vida não é justa. Mas, diz-se, Deus também não dorme em absoluto. Ele esforçou-se muito, muito. Conseguiu que eu compre menos livros ou uns perfumes a menos. Agora é a minha vez. E vamos ver se ele se aguenta tão bem...
O que é mais ridículo nesta história é que um gajo casado de fresco, com uma "maison" em Chelas e um mestrado duvidoso, não arranje nada de mais interessante do que me lixar a mim, que nada lhe fiz. A verdade é que eu não quero que lhe falte nada. Não tinha motivo nenhum para esta atitude cretina. Mas agora vai ter. E não vai ter um. Vai ter vários. Muitos. Tantos quanto a presunção ridícula de quem ostentaq um ar perfeitamente bimbo e sente necessidade de apregoar vinte vezes que faz exercício físico.
Pois é..., caro Pedro, ninguém ainda te ensinou que não há banho de dinheiro (e o teu, convenhamos, nem é muito...) que tire o ar bimbo ou que torne a tua cara em algo que se possa afastar dessa imagem de atrasado mental que tens.
Espero que tenhas aproveitado o momento. Chegou a minha vez. E eu sou famosa por gostar de coisas duradoiras.

domingo, setembro 17, 2006

Amizades Improváveis - Take 3

(Pois é... És mesmo tu. Não fui sair, estafada depois de uma semana no Funchal e duvidosa que aguentasse os dez centímetros de saltos e deu-me para isto. Bom... Sempre é mais construtivo que jogar sims e deixar a mulher da segurança social levar-me os filhos. O nosso Plateau fica para daqui a duas semanas. Até porque é só nosso, regado a copos de champanhe e granadine.)

No início, ela era-me indiferente (bem vistas as coisas, no início, quase todos me são indiferentes). Depois, comecei a embirrar com ela. Um dia, com um ar aterorrizado, ela disse-me que estava grávida. Eu olhei para ela com respeito. E, pela primeira vez, acho que lhe vi a alma.
Desde esse dia até hoje, muito mudou. Ela tornou-se uma das minhas melhores amigas. Aquela a quem ligo quando preciso de ajuda. Aquela que me pode sempre ligar a pedir ajuda. Eu celebro as vitórias dela. Eu deliro com a felicidade dela. Nem concebo a minha vida profissional sem ela, nem quero pensar numa vida pessoal onde ela não esteja. Ela é ela. É única. É Bela.

Amizades Improváveis - Take II



1998 - Eu avançava no Colombo, com o ar de quem ia morrer no minuto a seguir e amparada nele, perante o ar de espanto de quem via a cena e reconhecia um dos intervenientes. Tinha-o convencido que queria deixar para trás tudo o que me lembrasse a minha jarra e, consequentemente, deitei quilos de roupa fora e fomos comprar mais. Perante a inexistência de qualquer alteração no meu estado de espírito, ele disse-me: "Já não consigo mais ver esse seu olhar. Que tristeza!". De repente, deu-me uma energia imensa, tirei-lhe o cartão da mão, entrei numa oculista e respondi: "Isso é que se resolve já". Quando saí, era esta. Tirando breves momentos, nunca mais deixei de o ser.

E, de todas, esta é a amizade mais improvável. A que passa por aqui mas que permaneceria sempre por tudo. Pelo que fez por mim. Mais que do que qualquer outra pessoa. Voaram os anos, é certo. Mas eu gosto de ter memória. Obrigada. Sem si, naquelas noites de 24 horas, nunca seria quem sou.

Amizades improváveis

Salvo erro, tinha 15 anos. Andava no Rainha Dona Leonor, já após a expulsão do Filipa. Perdi-me de amores pelo Ruta, o meu colega da mesa atrás e companheiro de muitos cafés, a quem eu passava os meus testes para ele copiar. Ele era inteligente e, acima de tudo, tinha um sentido de humor fabuloso. O sentimento parecia recíproco, principalmente depois de uma vez que ele me pegou ao colo e levou até à secretária. Fomos logo para a rua na aula de História.
Houve uma festa, aguardada com muita expectativa. No Zona +. Dentro de mim crescia a esperança que se desse ali o início de algo diferente do que tínhamos e lembro-me que passei a tarde a escolher roupa e brincos, perante o olhar curioso da minha avó que antevia qualquer coisa.
Nessa noite, fui com a Filipa, minha eterna rival nas aulas e na atenção ao Ruta. O Rainha em peso mostrava-se por lá. Eu estava na pista e começou a dar o "Here comes your man", dos pixies. Ele chegou em plena música, sorriu-me e agarrou-me. A Filipa começou a chorar em plena pista. E eu não fui capaz. Afastei-o, levei a Filipa por um braço para a casa-de-banho e supliquei-lhe para não chorar à frente daquela gente toda. O Ruta nunca me perdoou e, quando nos reencontrámos há poucos anos, ficou-lhe sempre o ressentimento de eu ter tornado uma inocente paixão de adolescente num "quase", em algo que nunca se saberia o que poderia ter sido. Quanto à Filipa, essa ficou para sempre.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Tirado da vida real para a história...

"- Foda-se, Rita, não me venhas com merdas. Não somos todos iguais?
- Não. Somos todos diferentes."

" - Podes fazer o que bem te apetecer. Podes chumbarem todas as cadeiras que os teus paizinhos hão-de continuar a mandar-te o caralho do cheque ao fim do mês.
- Não voltes a dizer "caralho".
- Caralho? Qual é o problema? Nunca ouviste esta palavra antes? Não é com ele que tu fodes a minha amiga todas as noites? Ah, pois é... esqueci-me. Tu para nos foderes a todos nunca precisaste de ter um caralho. A ti basta-te ser um caralho de um delator".

quarta-feira, setembro 06, 2006

O verão da minha vida.

Fruto do meu incomensurável rol de inseguranças, fui sempre uma alminha preocupada com o que os outros pensavam de mim. A tal conversa de nunca ser bonita o suficiente (era o nariz, depois a péssima pele, o cabelo fraco, a celulite, as estrias e sei lá que mais...) ou de nunca ser inteligente o que bastasse (era a sombra do meu pai, do meu avô e do meu bisavô que foi ministro e sei lá que mais). Recordo-me até do meu profundo espanto quando, acho que corria o ano de 1995, um Homem olhou para mim e disse-me que me achava muito mais interessante que os meus dois progenitores juntos.
Com o tempo, fui ganhando alguma confiança mas, em bom rigor, a falta de tempo resolveu-me parte do problema: perante algo que vai acontecer dali a cinco minutos sem que nos tenhamos preparado convenientemente não resta margem para medos, lamúrias ou afins.
Todavia, a revolução veio com sabor a mar. Na noite em que pisei o Porto-Santo, fomos sair. Eu, adepta das grandes produções para as saídas, de tops e maquilhagem, saí de cara lavada e de t-shirt. E dancei. Dancei as músicas mais ridículas, com um sorriso nos lábios e completamente indiferente aos outros. Depois de uma ponchas de maracujá, dei por mim a pensar que tinha chegado ao verão da minha vida. Tenho quase trinta anos e, finalmente, arranjei algum calor dentro de mim que me faz ser imune ao que os outros pensam. A Primavera já lá foi e, com ela, as tristezas.
Chegará depois o Outono. E, enquanto vivo o verão da minha vida, quero ter um sorriso que saiba a mar, quero proferir palavras quentes como as tardes de Agosto, quero dançar antes que venha o frio. Quero sentir-me livre como se andasse descalça, quero ter a segurança de um bronzeado, quero sentir-me viva como quando brinco na praia.
Paralelamente, nunca houve um verão em que o ambiente na casa do Porto-Santo fosse tão bom. Em que o riso tivesse ecoado como este ano. Em que eu sentisse um espírito de união tão consolidado.
No fundo, onde a cumplicidade andasse de mãos dadas com o afecto.
Também por isso este foi o verão da minha vida. Que venham mais. Que se abram mais garrafas de Asti - à falta de Moet, quem foi a anormal que julgou ser possível comprar Moet naquela ilha?!!! - na praia. Que se dance descalças e de sorriso franco e sincero.
Já era tempo, caramba, de eu ter uns farrapos desta alegria contagiante. Já era tempo de eu deixar os saltos, a maquilhagem e a fachada de besta quadrada que a RGP carrega atrás de si.
Gosto de ser apenas a Rita. E, principalmente, gostei de ser esta Rita, livre como nunca, leve e alegre.
Gostei que tivessem estado lá. E que a amizade que começou tão lá atrás (vinte anos?! quem diria?) se tenha estendido a nós os quatro. Melhor, aos cinco. (Não chego ao ponto de dizer aos seis... Ainda me estou a acostumar à ideia de ele ter uma loira com a minha idade. Chegarei lá? Claro. Mas a suprema ironia era perguntar-lhe se ele mantém que os 15 anos que me separavam do Virgílio eram assim tão importantes. Pronto, já sei. Eu tinha 15 ou 16 e ele muito mais. Mas lá que foi o mais inofensivo deles todos, foi! E, sim, também sei que o recorde destas coisas continua a ser meu. Trinta anos, não é? Justamente. A idade que vou ter. O verão da minha vida. Está tudo ligado. Não há coincidências, diz a outra anormal.)

terça-feira, setembro 05, 2006

Um toque clássico

Sempre me queixei que a minha vida seguia um curso tão original que quase parecia uma mescla de novela de mau calibre mexicana com um dramalhão propenso a uma ópera como aquelas de que gosto.
A verdade é que a vida não tem parado de me surpreender e, logo que dou algo como adquirido, deus ou alguma entidade sádica que faz as vezes dele encarrega-se logo de me explicar que não tenho o direito de criar certezas.
Morenas, dizia eu. Cinquentonas, anunciava. Magras e com as mamas pequenas, explicava perante os casos passados. E, dentro de mim, aspirava a que não me surgisse outra bimba porque a minha tolerância ao estilo "cabeleireira", "suburbana" ou "alcântara city" é cada vez menor.
Pois é... Então não é que ele me saí do carro com uma loira, olho azul, grandes mamas e a mesma idade que eu ?!!!
Agora que já me passou o espanto, será choque?, inicial, vejo tudo muito claro: deus tratou de me dar o que eu pedi. Eu queria algum classicismo na minha vida. Ora toma, agora amanha-te com o caso clássico do cinquentão com uma loira da idade da filha pelo braço.
Pois é... Eu queria algo clássico mas era no departamento ao lado, Excelência. Objecto errado, portanto.
Por tudo isto e porque as férias ainda me fazem rir disto tudo, não resisto a citar as "imortais" palavras desse "vulto" que é a Britney Spears quando ela diz: "Hit me Baby one more time".