São nove e tal da noite, já não como nada há oito longas horas e o gajo não se cala nem por nada.
A dor instala-se de forma inicialmente insidiosa e acaba por tomar conta de mim.
Consigo finalmente convencê-lo a levantar-se e proclamo em voz baixa: "se calhar, talvez não seja má ideia eu ir a um hospital". Penso logo na CUF Descobertas mas acabo por ceder aos conselhos de uma amiga que abomina os hospitais particulares (eu por mim adoro processá-los...). Seja o Santa Maria.
Entro pelo meu pé, com um ar aparentemente sereno. Explico à senhora do guichet que estou com dores fortes no peito e no braço esquerdo. Ela pede-me a morada. Olho para ela com um ar baralhado e começo a tentar lembrar-me primeiro do n.º de porta. Digo 24. Não é (a casa de Campo de Ourique é que era o 124). Então 26. Lá acerto (quem é que me manda ter como morada oficial uma casa onde nunca morei?! Ah, pois, desde que os amigos da indústria farmacêutica me decidiram contemplar com a sua atenção e carinho que eu tenho sempre dado moradas onde não resido...). E o código postal, pergunta-me a D.ª Conceição, inabalável perante a hipótese de eu estar a ter algum problema de coração. É o mil, digo eu, bem sabendo que esse era o da Avenida de Roma. Ela diz que não e insiste que é o mil e novecentos porque acha que Alameda é a da Linha de Torres e não a do Técnico. Eu lá vou dizendo que não pode ser e que estou com um bocadinho de pressa. Ela insiste e, perante o ar impávido dela, digo que é o mil e cem. Ela duvida. Vai buscar um roteiro da cidade perante o meu ar de profundo espanto. Mais uns minutos porque ela diz que a Av.ª Rovisco Pais não existe. Já estou por tudo. Ela descobre-a e confirma que o código postal é o mil e cem.
Depois disto, e como aquele hospital ("obviamente", segundo ela) não é o da minha área de residência, o melhor é eu ir falar com o enfermeiro a perguntar se me atendem. Arregalo os olhos mas, com medo da minha fama de extrema intolerância, lá vou. A Enfermeira manda-me de volta para a sala de espera para a triagem não sei antes o segurança me vir perguntar se já me tinham chamado. Percebo então que é suposto eu, com suspeitas de estar com um problema grave, ir para uma sala, esperar sossegada horas que me chamem para a triagem para depois decidirem se me atendem ou não.
Decido vir embora, não sem antes a Senhora Conceição me dizer que ninguém pode anular a minha ficha e que, portanto, vou receber uma carta a mandar-me pagar os oito euros. Eu respondi furiosa que isso é que eu gostava mesmo que eles fizessem e dirijo-me à CUF.
Mesmo nestes momentos, prefiro morrer num hotel de cinco estrelas que ser salva numa chafarica.
(Afinal, não era nada de grave. Tenho uma inflamação nas articulações todas, o meu electrocardiograma não deu nada de mau e nada de bom e tenho o sistema imunitário fragilizado. Qual é a novidade?! Tudo normal, portanto. O médico olha para mim, verdadeiramente surpreendido com o meu ar de felicidade. Aproveito e pergunto logo se posso fumar e ir para Paris. Ele diz que sim. Eu sorrio e respondi: "Sabe, mesmo que dissesse o oposto, eu iria na mesma". Ele responde: "Eu já percebi isso. Ninguém a consegue travar, pois não?". Olho para ele e digo: " Nem o cancro, nem a asma, nem nada. A morte fará isso. E é justamente por isso que eu vivo cheia de pressa". Fiquei tão contente por ele ter dito que o meu coração estava igual a si próprio que, mal saí, acendi logo um cigarro. Quando cheguei a casa fiz a mala. Paris, aí vamos nós.)
quarta-feira, novembro 29, 2006
domingo, novembro 26, 2006
O que distingue o ps do psd?
O Nuno nunca mais foi o mesmo, depois dos famosos anos de 1998, 1999 e 2000. Foram muitas noitadas para todos nós. Começava na Floresta, com planos para conquistar o mundo escritos nas toalhas de papel. A seguir, íamos ao Cha-cha-cha, onde bebíamos vinho. Depois... Depois era para onde houvesse música. Excepto a dos The Gift, que ele não gosta por motivos óbvios.
Ainda hoje imagino o espanto daquela gente de Bragança que viu sair um miúdo e se depara agora com um homem excêntrico. Enfim... Parece que agora deu em comentador numa estação de rádio local. Entre muitas pérolas, uma manhã destas deu por si a dizer :"No dia em que o PSD tiver estratégia passa a chamar-se PS".
Ele é que disse.
Mas eu concordo.
(Pronto, Rodrigo, já sei que este post vai merecer uns comentários teus)
(entretanto, parece-me chegada a hora do reencontro. Faltarão o Rui e o Miguel mas ainda não passou tempo suficiente para que o Nuno e o Henrique esqueçam de vez as intrigas. Eu, por mim, passo bem sem o Miguel. E também não faço questão que se leve o Rui, especialmente se ainda tiver aquela namorada - provavelmente já deve ser mulher... - que, por causa de uns ciúmes cretinos, me queria bater. Acha paciência. Tanto mais que eles só começaram depois de eu ter decidido acabar com aquele relacionamento surrealista. Devia era agradecer-me, a ingrata. Até porque o que era suposto ter sido "simple" nunca o foi.)
Irei a Bragança, pois claro! A última vez que fui lá o Nuno estava horrorizado com a perspectiva de eu cumprir a minha promessa e ir para lá de saias por debaixo do rabo. Podes ficar tranquilo. Já só uso mini-saias de férias. Irei até muito compostinha, no meu papel de senhora respeitável, sem gritar palavrões nas curvas do marão e sem esvaziar copos num ápice. Mas todos sabemos que, na essência, estamos todos iguais.
Ainda hoje imagino o espanto daquela gente de Bragança que viu sair um miúdo e se depara agora com um homem excêntrico. Enfim... Parece que agora deu em comentador numa estação de rádio local. Entre muitas pérolas, uma manhã destas deu por si a dizer :"No dia em que o PSD tiver estratégia passa a chamar-se PS".
Ele é que disse.
Mas eu concordo.
(Pronto, Rodrigo, já sei que este post vai merecer uns comentários teus)
(entretanto, parece-me chegada a hora do reencontro. Faltarão o Rui e o Miguel mas ainda não passou tempo suficiente para que o Nuno e o Henrique esqueçam de vez as intrigas. Eu, por mim, passo bem sem o Miguel. E também não faço questão que se leve o Rui, especialmente se ainda tiver aquela namorada - provavelmente já deve ser mulher... - que, por causa de uns ciúmes cretinos, me queria bater. Acha paciência. Tanto mais que eles só começaram depois de eu ter decidido acabar com aquele relacionamento surrealista. Devia era agradecer-me, a ingrata. Até porque o que era suposto ter sido "simple" nunca o foi.)
Irei a Bragança, pois claro! A última vez que fui lá o Nuno estava horrorizado com a perspectiva de eu cumprir a minha promessa e ir para lá de saias por debaixo do rabo. Podes ficar tranquilo. Já só uso mini-saias de férias. Irei até muito compostinha, no meu papel de senhora respeitável, sem gritar palavrões nas curvas do marão e sem esvaziar copos num ápice. Mas todos sabemos que, na essência, estamos todos iguais.
quinta-feira, novembro 23, 2006
Porque sim...
Eu olho para as fotos e penso: "F..., já te vi melhor". Depois lembro-me que minutos antes tinha estado aos berros, a vociferar toda a sorte de combinações possíveis de palavrões que conheço (e são imensos...) e até consigo aceitar que podiam estar pior.
Ele, porque é um querido, manda-me uma mensagem que diz " Recebi as fotos do casório. Estás linda ( e com um sorriso fantástico). Espero que tenhas muitas razões no futuro para continuares a sorrir assim. Bem mereces". Eu devolvo-lhe uma mensagem provocatória e pergunto: muito sexo? Ele responde: "(...) Sempre muito sexo (pena agora ser sempre com a mesma)".
Eu sorrio. Não sou eu que mereço. Ele é que é excepcional...
Ele, porque é um querido, manda-me uma mensagem que diz " Recebi as fotos do casório. Estás linda ( e com um sorriso fantástico). Espero que tenhas muitas razões no futuro para continuares a sorrir assim. Bem mereces". Eu devolvo-lhe uma mensagem provocatória e pergunto: muito sexo? Ele responde: "(...) Sempre muito sexo (pena agora ser sempre com a mesma)".
Eu sorrio. Não sou eu que mereço. Ele é que é excepcional...
quarta-feira, novembro 22, 2006
O polvo...
Todos os miúdos têm heróis, acho eu.
Para mim, era a Marilyn porque era linda e o Conrado Cattani porque era interessante e muito corajoso. Agora que comprei uns dvd's da minha série preferida, reparo em pormenores curiosos. Percebo também que o meu lado que gosta do Polvo é o mesmo que me faz manter-me a exercer. É uma ideia poética de justiça (não, não é divina; dessa só me lembro para as maldades...). O episódio da morte dele é dos momentos de televisão que melhor recordo (não tenho ainda... os gajos da FNAC preferem investir em séries ridículas). Ele não fugiu. Olhou de frente.
Vendo à distância, foi também nele que fui buscar forças para ignorar e gozar os gajos da bayer quando me ligavam, me estragavam os carros e matavam os meus amigos domésticos durante anos a fio. Bom...
A vida tem coisas estranhas. Mas, às vezes, a ficção também.
Para mim, era a Marilyn porque era linda e o Conrado Cattani porque era interessante e muito corajoso. Agora que comprei uns dvd's da minha série preferida, reparo em pormenores curiosos. Percebo também que o meu lado que gosta do Polvo é o mesmo que me faz manter-me a exercer. É uma ideia poética de justiça (não, não é divina; dessa só me lembro para as maldades...). O episódio da morte dele é dos momentos de televisão que melhor recordo (não tenho ainda... os gajos da FNAC preferem investir em séries ridículas). Ele não fugiu. Olhou de frente.
Vendo à distância, foi também nele que fui buscar forças para ignorar e gozar os gajos da bayer quando me ligavam, me estragavam os carros e matavam os meus amigos domésticos durante anos a fio. Bom...
A vida tem coisas estranhas. Mas, às vezes, a ficção também.
sexta-feira, novembro 10, 2006
The end...
"Good bye cruel World
I'm leaving you today
Good bye.
Good bye all you people
There's nothing you can say
That make me change my minds
Good bye"
É tudo um imenso vazio. Um vazio enorme, tão grande e profundo que não me consigo encontrar a mim mesma. Estou perdida - não o terei estado sempre?- neste incomensurável silêncio ruidoso.
Esforço-me por boiar neste lamaçal mas dou por mim atolada. Incapaz de continuar a lutar.
Odeio isto tudo. Odeio o que faço. Odeio as horas de vida que tudo isto me tira. Odeio esta vida. Não aguento mais.
I'm leaving you today
Good bye.
Good bye all you people
There's nothing you can say
That make me change my minds
Good bye"
É tudo um imenso vazio. Um vazio enorme, tão grande e profundo que não me consigo encontrar a mim mesma. Estou perdida - não o terei estado sempre?- neste incomensurável silêncio ruidoso.
Esforço-me por boiar neste lamaçal mas dou por mim atolada. Incapaz de continuar a lutar.
Odeio isto tudo. Odeio o que faço. Odeio as horas de vida que tudo isto me tira. Odeio esta vida. Não aguento mais.
sábado, novembro 04, 2006
Os Homens da minha vida...
"O que importa não são os homens da nossa vida mas a vida que há nos nossos homens"
Mae West
Ontem, enquanto dava a volta do ipod, percebi que tenho sido de uma profunda injustiça para ele. Quando me falam de homens bonitos eu penso logo: "Hugo!". Errado. Nunca foi. Muitos anos antes, tinha eu catorze, conheci o homem mais bonito de sempre: o Russo. Duarte, para a minha avó.
Era impossível não se reparar numa criatura daquele tamanho, loira e com uns ombros capazes de nos fazer sentir no céu, de modo que, mesmo antes da festa onde formalmente nos conhecemos, eu já tinha reparado nele. O nosso primeiro diálogo foi hilariante, daqueles de cinema. Eu devia estar com aquele ar de perdida que me asssola de quando em quando.
"- Queres ir amanhã a uma festa em minha casa?"
- Convidas sempre pessoas que não conheces?
- Não. A maior parte aparece sem eu a convidar".
Eu fui, claro. E abriu-se ali a porta para tudo o que uma adolescente não deve conhecer. Sexo, drogas, dinheiro a rodos. Eu nunca fui uma "deles" mas era a namorada do chefe do grupo. No início, aceitaram-me mal: eu só fumava cigarros, pouco ou nada bebia e era uma intelectual. Andava por ali mas ia à escola e era boa aluna. Em minha casa, ninguém percebia a vida dupla que eu levava. No final, eu era o único contacto que detinham com a realidade. Pelo meu lado, eles eram a porta de entrada de um mundo estanho, diferente e vem dessa altura a vertigem do abismo. Foi ao lado do Russo que me manifestou pela primeira vez uma das minhas características mais bizarras: quando todos pensam que eu vou saltar, dou um passo atrás. E dei.
À minha maneira, eu tinha uma paixão louca por ele. Ele era lindo, era inteligente, era rebelde. Fazíamos corridas em contra-mão na Marginal. Saíamos à noite. Gastávamos dinheiro como se ele nunca acabasse. Vivíamos como se a morte nos esperasse ao virar da esquina. Simultaneamente, ele abraçava-me, eu adorava-o e éramos um casal muito pouco convencional mas feliz. Feliz no meio de alcóol, de cocaína e de um pai que lhe dava naquela altura duzentos contos por mês e várias casas para ele não o chatear.
Uma noite, depois de ele ter ido para Paris e de, fruto disso, termos acabado o namoro (sim, na minha cabeça, o problema era a distância, com as drogas podia bem, achava eu...), a morte levou-o. Ele tinha 18 anos. Eu 16.
O meu anjo foi-se. E eu fiquei condenada a dar-me com homens.
Mae West
Ontem, enquanto dava a volta do ipod, percebi que tenho sido de uma profunda injustiça para ele. Quando me falam de homens bonitos eu penso logo: "Hugo!". Errado. Nunca foi. Muitos anos antes, tinha eu catorze, conheci o homem mais bonito de sempre: o Russo. Duarte, para a minha avó.
Era impossível não se reparar numa criatura daquele tamanho, loira e com uns ombros capazes de nos fazer sentir no céu, de modo que, mesmo antes da festa onde formalmente nos conhecemos, eu já tinha reparado nele. O nosso primeiro diálogo foi hilariante, daqueles de cinema. Eu devia estar com aquele ar de perdida que me asssola de quando em quando.
"- Queres ir amanhã a uma festa em minha casa?"
- Convidas sempre pessoas que não conheces?
- Não. A maior parte aparece sem eu a convidar".
Eu fui, claro. E abriu-se ali a porta para tudo o que uma adolescente não deve conhecer. Sexo, drogas, dinheiro a rodos. Eu nunca fui uma "deles" mas era a namorada do chefe do grupo. No início, aceitaram-me mal: eu só fumava cigarros, pouco ou nada bebia e era uma intelectual. Andava por ali mas ia à escola e era boa aluna. Em minha casa, ninguém percebia a vida dupla que eu levava. No final, eu era o único contacto que detinham com a realidade. Pelo meu lado, eles eram a porta de entrada de um mundo estanho, diferente e vem dessa altura a vertigem do abismo. Foi ao lado do Russo que me manifestou pela primeira vez uma das minhas características mais bizarras: quando todos pensam que eu vou saltar, dou um passo atrás. E dei.
À minha maneira, eu tinha uma paixão louca por ele. Ele era lindo, era inteligente, era rebelde. Fazíamos corridas em contra-mão na Marginal. Saíamos à noite. Gastávamos dinheiro como se ele nunca acabasse. Vivíamos como se a morte nos esperasse ao virar da esquina. Simultaneamente, ele abraçava-me, eu adorava-o e éramos um casal muito pouco convencional mas feliz. Feliz no meio de alcóol, de cocaína e de um pai que lhe dava naquela altura duzentos contos por mês e várias casas para ele não o chatear.
Uma noite, depois de ele ter ido para Paris e de, fruto disso, termos acabado o namoro (sim, na minha cabeça, o problema era a distância, com as drogas podia bem, achava eu...), a morte levou-o. Ele tinha 18 anos. Eu 16.
O meu anjo foi-se. E eu fiquei condenada a dar-me com homens.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Brilhantismo sem brilho...
"Deixe-me dar-lhe os parabéns. Foi brilhante." - diz ela.
Eu olho para ela com um ar escandalizado e sinto as lágrimas a rebentarem-me pelos olhos.
Tento conter-me. Estou num Tribunal, as pessoas conhecem-me e não me parece nada apropriado andar a choramingar pelos cantos.
Noutras circunstancias, aquele elogio tinha-me dado algum folego para resistir a esta maré de julgamentos. Sucede que ela não era minha constituinte. Era a contra-parte. E também não era a entidade patronal. Era a trabalhadora.
O Rui Costa fala num anúncio do pior golo da vida dele. Eu sinto-me assim. Acho que limpei aquilo nas calmas mas o que eu queria era ter perdido. Ainda por cima porque não preparei nada, fiz quase tudo de improviso, o que incluiu as alegações e tudo (estou a ficar perita em improvisos, é quase inacreditável mas quanto mais me preparo pior é...).
Raios, podia ter tido um daqueles momentos maus e ninguém teria percebido...
Se Deus existisse ter-me-ia travado o raciocínio. Ah, é verdade, se deus existisse aquela trabalhadora nunca teria necessidade de estar ali.
Eu olho para ela com um ar escandalizado e sinto as lágrimas a rebentarem-me pelos olhos.
Tento conter-me. Estou num Tribunal, as pessoas conhecem-me e não me parece nada apropriado andar a choramingar pelos cantos.
Noutras circunstancias, aquele elogio tinha-me dado algum folego para resistir a esta maré de julgamentos. Sucede que ela não era minha constituinte. Era a contra-parte. E também não era a entidade patronal. Era a trabalhadora.
O Rui Costa fala num anúncio do pior golo da vida dele. Eu sinto-me assim. Acho que limpei aquilo nas calmas mas o que eu queria era ter perdido. Ainda por cima porque não preparei nada, fiz quase tudo de improviso, o que incluiu as alegações e tudo (estou a ficar perita em improvisos, é quase inacreditável mas quanto mais me preparo pior é...).
Raios, podia ter tido um daqueles momentos maus e ninguém teria percebido...
Se Deus existisse ter-me-ia travado o raciocínio. Ah, é verdade, se deus existisse aquela trabalhadora nunca teria necessidade de estar ali.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Cleo para os amigos...
Tive resmas de alcunhas: esparguete por ser magra, ice por aparentar uma atitude sempre gélida, miss legs quando fazia ginástica todos os dias, senhora condessa por causa do meu ar, miss Roma porque sim, barbie xaxão por ser vaidosa e um bocadinho beta. Não obstante, aquela que me ficou para sempre foi a de "Cleópatra". Acho que já o escrevi aqui: eu odiava o meu nariz a tal ponto que sempre disse que o primeiro dinheiro que ganhasse legitimamente (sim, naquela altura eu jogava ao sete e meio em pleno Filipa de Lencastre e não me lembro de ter perdido) iria direitinho para uma operação plástica.
Sucede que, quando ganhei o meu primeiro salário, tinha um loiro, feito jarra e plantado em minha casa, e tinha de prover ao sustento de ambos. Os anos correram, eu acabei a gostar do meu nariz - justamente o que me valeu a minha alcunha preferida- e acabei por canalizar o meu dinheiro para outros lados.
Chegados a isto, a pergunta é porque raio me fui lembrar disto agora. A explicação é menos óbvia. Olhei-me no espelho o fim-de-semana passado e fartei-me de estar loira. Quinze minutos depois entrei na Lúcia Piloto e pedi que para escurecer o cabelo o máximo que fosse possível.
Está preto. E, pese embora ninguém goste, eu sinto que estou com um ar mais simples.
Tenho, porém, duas certezas: a 1ª é que vou voltar a ser loira; a 2ª é que era agora ou nunca. O cabelo escuro envelhece e eu começo a ceder à voragem do tempo. Por isso, é um até já à imagem de marca de sempre. Ironicamente, pouco tempo depois de o Rodrigo me ter lembrado que eu já tinha sido muito diferente do que me apresentava...
(Pronto... Talvez falte aqui um pormenor. Eu desisti da operação ao nariz. Mas, depois de ter emagrecido, não ponho de parte repor as medidas numa determinada zona. 34 B, é tudo o que peço. )
Sucede que, quando ganhei o meu primeiro salário, tinha um loiro, feito jarra e plantado em minha casa, e tinha de prover ao sustento de ambos. Os anos correram, eu acabei a gostar do meu nariz - justamente o que me valeu a minha alcunha preferida- e acabei por canalizar o meu dinheiro para outros lados.
Chegados a isto, a pergunta é porque raio me fui lembrar disto agora. A explicação é menos óbvia. Olhei-me no espelho o fim-de-semana passado e fartei-me de estar loira. Quinze minutos depois entrei na Lúcia Piloto e pedi que para escurecer o cabelo o máximo que fosse possível.
Está preto. E, pese embora ninguém goste, eu sinto que estou com um ar mais simples.
Tenho, porém, duas certezas: a 1ª é que vou voltar a ser loira; a 2ª é que era agora ou nunca. O cabelo escuro envelhece e eu começo a ceder à voragem do tempo. Por isso, é um até já à imagem de marca de sempre. Ironicamente, pouco tempo depois de o Rodrigo me ter lembrado que eu já tinha sido muito diferente do que me apresentava...
(Pronto... Talvez falte aqui um pormenor. Eu desisti da operação ao nariz. Mas, depois de ter emagrecido, não ponho de parte repor as medidas numa determinada zona. 34 B, é tudo o que peço. )
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