Conheci o Mateus provavelmente no ano de 1991. Nunca me despertou a atenção, até que, pelos anos de 1994, trocámos umas palavras e eu senti muita empatia com ele.
Foi desde logo uma daquelas amizades que nunca teve nada por detrás. Nunca vi no Mateus qualquer encanto para além do amigo. O inverso também acredito que seja verdadeiro.
Um dia, algures em 1997, o Mateus assumiu que andava com o Zé Pedro. Terei sido das primeiras a ir com eles à praia, à célebre 19, onde a única pessoa vestida era eu e os pares que passavam me gritavam ofensas por estar no meio de um casalinho. Depois disso, fomos muitas vezes à praia. Ouviamos Marisa Monte - o "Bem que se quis"-, fumavámos e até bebíamos.
Ao meu bom velho estilo, foi a única que teve coragem de perguntar quem é que era o activo (não foi bem isto que eu perguntei mas a ideia era esta). Eles passeavam de mão dada na Av.ª* de Roma comigo ao lado. Estavam como um casal na minha casa da Av.ª do Brasil e eu expulsava liminarmente quem ousasse mandar bocas.
Uma noite, logo no início do meu namoro com o loiro, levamo-lo para um bar homossexual, o Sétimo Céu e foi giro ver o Hugo completamente em pânico. Guardo memória dessas noites em que eu me apresentava de tops de um tamanho exíguo ou de vestido pelo Bairro Alto porque começava a noite com eles e acabava no Plateau.
Uns meses depois, numa mesa cheia no Movies, quando o loiro me perguntou quem é que eu achava o casal-modelo do grupo, dei-lhe uma resposta inesperada para ele (e que motivou uma das maiores discussões) mas em que acreditava piamente : "o casal-modelo, os únicos que têm futuro evidente, são o Mateus e José Pedro.".
Não tiveram, contudo.
Independentemente disso, guardo com ternura duas imagens distintas nossas. Em 1997, mais concretamente no dia 31 de Agosto, eu e o Rui acabámos. Como eu sou de grandes paixões, foi um final tristíssimo, numa fase em que eu achava que devíamos lutar ainda por nos entendermos mas em que o Rui estava demasiado perturbado para essas lides. Chorei que me fartei, certa de que o meu mundo acabava ali. O Mateus e o Zé Pedro vieram buscar-me a casa, convenceram-me a vestir o bikini e fomos para a 19. Sei que tirámos fotos porque tenho uma, muito bonita, com o Mateus e eu, com um olhar de tristeza mortal. Nunca me tendo achado nada bonita, gosto daquela fotografia. Gosto muito. E acho até que fico melhor nesses momentos do que quando me rio.
Hoje olho para aquilo, penso que mais tarde fui eu quem se recusou a casar com o Rui e, não fosse aquela evidência, parecer-me-ia impossível que tivesse acontecido.
Mais tarde, já comigo na Vice-Presidência da Associação e presumo que antes de namorar com o loiro (se não for antes, não faz sentido a recordação que tenho), ouvi de outra boca a frase assassina do "eu amo-te e, por mim, estaríamos juntos mas existe o resto do mundo e esse eu não consigo vencer". Sei que chorei, de novo, muito. Não pela pessoa em si - eu gostava da companhia mas estava muito longe de sequer estar apaixonada - mas pelo "resto do mundo" se atravessar sempre no meu caminho. Caiam-me as lágrimas enquanto eu despachava coisas no meu gabinete da Associação. Mais uma vez, o Mateus veio buscar-me. Vinha com o Florien, um homem lindo de morrer. Fomos à praia e eu disse-lhe: "Fogo, mas porque é que eu não posso ter um loiro como tu, lindo e amoroso?!"
Como se sabe, vim a ter. Só que não era amoroso. Era uma besta, disfarçado de cordeiro.
Independentemente disso, o Mateus esteve sempre lá quando eu precisei. Abraçou-me. Fez repensar quando quis desistir de tudo. Deu-me para fumar coisas que, no meio da merda toda, me faziam rir e ainda hoje acho que, com isso, me salvou a vida. Tirou-me de casa quando eu entrei numa rotina de auto-destruição pura e dura. Levou-me para o mar porque sabe que este limpa tudo. Levou-me a sair à noite para sítios onde ninguém me conhecia e ninguém me queria enga(t/n)ar. Nunca teve segundas intenções.
Mateus: estarás sempre comigo. E uma boa parte do que sou, é também obra tua.
Tenho muita pena que a vida de adulto nos tenha separado tanto. Ambos sabíamos que não podiam durar para sempre aqueles dias em que entravas na minha casa, enrolavas charros, eu bebia Moet e íamos para onde calhasse. As fotografias que tenho permitem-me ter a certeza que aquilo aconteceu. Por ora, isso basta.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Carlos de Oliveira
" (...) E venha a morte depois/
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?"
Cantiga do ódio
(Hoje isto não dá para mais. Além de nova manifestação do milagre da multiplicação dos papeis na minha sala, o meu corpo voltou a dar sinais de não acompanhar a minha cabeça. Agora são os dedos. Bursite. Whatever. É nestas alturas em que dou por mim a pensar que era melhor ter saído parecida com um tanque de guerra. Recebia menos elogios mas era menos doloroso. Ainda por cima no colégio nunca me deixaram escrever com a esquerda - medo dos comunas?!!. )
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?"
Cantiga do ódio
(Hoje isto não dá para mais. Além de nova manifestação do milagre da multiplicação dos papeis na minha sala, o meu corpo voltou a dar sinais de não acompanhar a minha cabeça. Agora são os dedos. Bursite. Whatever. É nestas alturas em que dou por mim a pensar que era melhor ter saído parecida com um tanque de guerra. Recebia menos elogios mas era menos doloroso. Ainda por cima no colégio nunca me deixaram escrever com a esquerda - medo dos comunas?!!. )
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Já passou...
Passou.
Ainda tenho embrulhos de prendas rasgados pela sala. A idade vai-se notando também consoante as prendas que recebemos. A minha avó entendeu por bem dar-me um pijama cor-de-laranja (será que ninguém percebe que eu até para dormir gosto de preto ou de branco e ponto final?!!!), a mãe do André um outro "azul cueca", o meu pai deu-me um relógio do Calvin Klein e os meus irmãos deram-me molduras com as fotografias deles (gosto muito dos meus irmãos mas uma fotografia do Clooney não ia mal...). É terrivelmente injusto mas as prendas que mais gostei foram as que dei a mim própria: o trésor, a mala e livros (não, não é o da Carolina, nem o do Santana. Refiro-me a livros a sério, daqueles que não se leva para a casa-de-banho).
Sobrevivi. É o que importa.
Entretanto, dei por mim agarrada ao Milan Kundera. A Imortalidade. O livro do riso e do esquecimento. Ambos melhores que o famoso A insustentável leveza do ser. Páginas de um livro que tanto me diz, com o cheiro do trésor a pairar, remete-me para o passado. Curiosamente, também para o futuro. Para além da oferta de pijamas, o pior que o futuro tem é a certeza de mais um Natal.
A boa notícia é que se aproxima o fim-de-ano. Já não me meto dentro de vestidos pretos. Mas continuo a brindar com Moet.
(não é que este Natal me deu para começar a beber Moet ao jantar?!!!).
Ainda tenho embrulhos de prendas rasgados pela sala. A idade vai-se notando também consoante as prendas que recebemos. A minha avó entendeu por bem dar-me um pijama cor-de-laranja (será que ninguém percebe que eu até para dormir gosto de preto ou de branco e ponto final?!!!), a mãe do André um outro "azul cueca", o meu pai deu-me um relógio do Calvin Klein e os meus irmãos deram-me molduras com as fotografias deles (gosto muito dos meus irmãos mas uma fotografia do Clooney não ia mal...). É terrivelmente injusto mas as prendas que mais gostei foram as que dei a mim própria: o trésor, a mala e livros (não, não é o da Carolina, nem o do Santana. Refiro-me a livros a sério, daqueles que não se leva para a casa-de-banho).
Sobrevivi. É o que importa.
Entretanto, dei por mim agarrada ao Milan Kundera. A Imortalidade. O livro do riso e do esquecimento. Ambos melhores que o famoso A insustentável leveza do ser. Páginas de um livro que tanto me diz, com o cheiro do trésor a pairar, remete-me para o passado. Curiosamente, também para o futuro. Para além da oferta de pijamas, o pior que o futuro tem é a certeza de mais um Natal.
A boa notícia é que se aproxima o fim-de-ano. Já não me meto dentro de vestidos pretos. Mas continuo a brindar com Moet.
(não é que este Natal me deu para começar a beber Moet ao jantar?!!!).
domingo, dezembro 24, 2006
As minhas músicas de sempre (ou uma outra qualquer para não escrever sobre o Natal)
(Pronto.Sou curiosa até dizer chega. Nenhuma prenda para mim resiste se eu conseguir descobrir onde é que ela está. Resultado: trinta anos depois, já nem sequer as escondem. Só mas dão no exacto minuto em que as devo abrir.)
Fiquei presa numa fila de trânsito dentro do Forúm Almada (exacto, dentro do parque de estacionamento). Como o rádio não funcionava e eu estava a precisar de alento para a minha condução alucinada, tiro o ipod, acendo um cigarro e divirto-me a ouvir coisas tão diferentes como o "Here cames your man", o "Bem que se quis" da Marisa Monte, passando pela área da Manot Lescau que eu amo de perdição. Ao som do Trainspotting, acelerava a fundo na via rápida da Costa.
Sempre associei músicas a episódios da vida, a amigos, a homens (estará aí a razão porque tanto adoro o Plateau?).
Por um mero acaso, decidi também trocar o Chanel n.º 5 que uso há mais de uma década pelo Trésor.
Mais uma vez, o que uma coisa tem a ver com a outra? Para os comuns mortais, nada. Para mim, tudo.
O Trésor tinha aquele anúncio fabuloso com a Isabelle Rossellini que eu adorava mas que nunca admitia porque contrastava com a imagem de marca de "femme fatale" que eu, com uma nuance algo ridícula, decidi que seria a minha (convenhamos, assentou-me quinze anos como uma luva).
Depois deste verão, decidi mandar essa imagem às malvas. Tenho trinta anos. Posso expressar uma qualquer emoção sem deitar tudo a perder. Posso usar um perfume doce. Posso ouvir a música que eu quiser.
E, quem sabe?, pode ser que me conceda o direito a ser feliz.
Na dicotomia do Vergílio Ferreira ("Queres ser feliz ou queres ser interessante? Tens de escolher.", do Para Sempre), eu optei durante anos por tentar ser interessante.
Agora percebo que os que me acharam interessante nunca me estancaram as lágrimas.
Fiquei presa numa fila de trânsito dentro do Forúm Almada (exacto, dentro do parque de estacionamento). Como o rádio não funcionava e eu estava a precisar de alento para a minha condução alucinada, tiro o ipod, acendo um cigarro e divirto-me a ouvir coisas tão diferentes como o "Here cames your man", o "Bem que se quis" da Marisa Monte, passando pela área da Manot Lescau que eu amo de perdição. Ao som do Trainspotting, acelerava a fundo na via rápida da Costa.
Sempre associei músicas a episódios da vida, a amigos, a homens (estará aí a razão porque tanto adoro o Plateau?).
Por um mero acaso, decidi também trocar o Chanel n.º 5 que uso há mais de uma década pelo Trésor.
Mais uma vez, o que uma coisa tem a ver com a outra? Para os comuns mortais, nada. Para mim, tudo.
O Trésor tinha aquele anúncio fabuloso com a Isabelle Rossellini que eu adorava mas que nunca admitia porque contrastava com a imagem de marca de "femme fatale" que eu, com uma nuance algo ridícula, decidi que seria a minha (convenhamos, assentou-me quinze anos como uma luva).
Depois deste verão, decidi mandar essa imagem às malvas. Tenho trinta anos. Posso expressar uma qualquer emoção sem deitar tudo a perder. Posso usar um perfume doce. Posso ouvir a música que eu quiser.
E, quem sabe?, pode ser que me conceda o direito a ser feliz.
Na dicotomia do Vergílio Ferreira ("Queres ser feliz ou queres ser interessante? Tens de escolher.", do Para Sempre), eu optei durante anos por tentar ser interessante.
Agora percebo que os que me acharam interessante nunca me estancaram as lágrimas.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Obrigada Bayer
Foi um dia estranho.
Eu estava nervosa. Não por mim. Por ele. Principalmente por ele. Como eu sou meia desvairada e louca furiosa, eles nunca conseguiram que deixasse de me assemelhar a uma pessoa.
Sentei-me, jurei dizer a verdade. E disse. Disse tudo. Falei no que foi a anedota da investigação. Falei no que foi a minha vida naqueles anos e no que é, ainda hoje, a dele. Contei episódios. Exemplifiquei.
Tinha numa pasta as queixas que fiz. Tudo certinho, logo eu que, nas minhas coisas, sou caótica.
E o que fez o Juiz? Olhou para mim, tentou intimidar-me e perguntou se eu mantinha tudo porque tinha feito acusações graves e eram passíveis de procedimento disciplinar e criminal. Claro que mantive (só um atrasado mental é que acredita que eu chego ali, falo quarenta e cinco minutos de assentada e, depois de um comentário cretino, ia retirar uma vírgula. Isso é para cobardes ou mentirosos. Gosto de pensar que não o sou).
Leio-lhe nos olhos que ele acha que inventámos tudo mas nunca esperei que nem sequer me pedisse para eu demonstrar ou explicar. Nada.
Tenho até de o corrigir. Ele pergunta-me se tenho conhecimento de que o A. foi acusado de ter feito telefonemas para ele mesmo e que havia fotografias num processo disso, razão pela qual teria sido arquivado. Eu olho-o nos olhos e digo: " Não, não tenho conhecimento. Tenho conhecimento que tal lhe foi imputado mas que também esse foi arquivado. O Correio da Manhã é que não noticiou. Não vende". Ele insiste. Eu mantenho a minha: "Não foi acusado. A PT veio dizer que nenhuma chamada foi feita daquela cabine, de modo que a existirem fotografias nunca poderiam ser de algo que nunca aconteceu.". Ele olha para mim e diz-me :" Então não acredita nessas imputações?". Eu respondo : "Oiça, fui eu quem ajudou a fazer as transcrições das chamadas. Não era a voz do A.. Não acredito nem nessas, nem noutras.".
(Um Juiz de um Tribunal Criminal que não sabe o que é ser acusado mete medo. Muito medo...)
Final.
E eu pergunto-me: " Mas este gajo não acha que eu tenho mais que fazer à minha vida? E não lhe parece que, assim de repente e durante qualquer coisa como sete anos, uma pessoa que nunca apareceu, raramente se deixou filmar, nunca prestou declarações, não quer protagonismo? Uma mulher de vinte e dois anos que tem uma casa e um carro para pagar, tem um grupo de amigos generoso e alguns homens atrás, tem necessidade de lixar sucessivamente o seu carro (cujos consertos ninguém nunca lhe pagou), matar os seus animais domésticos, ligar para si mesma (permanecendo o mistério de parte dos telefonemas terem sido atendidos por si à frente de terceiros e longe de cabines telefónicas), ameaçar-se com uma faca?!!! Fui eu que quis que se soubesse com quem dormia (o que era inevitável atendendo a que o senhor agente andava comigo?) Alguém acredita que, se eu quisesse protagonismo, não achava caminho mais fácil?!!! Parece até ofensivo. Eu querendo fazia muito melhor.
Badamerda. Venham os processos crimes. Na pior das hipóteses, deixo já de trabalhar. Mais facilmente como sopa dos pobres - levando sempre a minha mala da Vuilton - do que pago o que quer que seja àquela escumalha. Casa na Rovisco Pais? Desconheço. Terreno na Herdade da Aroeia? Vendi e gastei em Moet. Barco? Qual barco?!
Ironia: se fiz o depoimento que fiz, foi porque tomei migraspirina. Não fosse ela e não estaria em condições de aguentar aquilo. Obrigada Bayer!
Eu estava nervosa. Não por mim. Por ele. Principalmente por ele. Como eu sou meia desvairada e louca furiosa, eles nunca conseguiram que deixasse de me assemelhar a uma pessoa.
Sentei-me, jurei dizer a verdade. E disse. Disse tudo. Falei no que foi a anedota da investigação. Falei no que foi a minha vida naqueles anos e no que é, ainda hoje, a dele. Contei episódios. Exemplifiquei.
Tinha numa pasta as queixas que fiz. Tudo certinho, logo eu que, nas minhas coisas, sou caótica.
E o que fez o Juiz? Olhou para mim, tentou intimidar-me e perguntou se eu mantinha tudo porque tinha feito acusações graves e eram passíveis de procedimento disciplinar e criminal. Claro que mantive (só um atrasado mental é que acredita que eu chego ali, falo quarenta e cinco minutos de assentada e, depois de um comentário cretino, ia retirar uma vírgula. Isso é para cobardes ou mentirosos. Gosto de pensar que não o sou).
Leio-lhe nos olhos que ele acha que inventámos tudo mas nunca esperei que nem sequer me pedisse para eu demonstrar ou explicar. Nada.
Tenho até de o corrigir. Ele pergunta-me se tenho conhecimento de que o A. foi acusado de ter feito telefonemas para ele mesmo e que havia fotografias num processo disso, razão pela qual teria sido arquivado. Eu olho-o nos olhos e digo: " Não, não tenho conhecimento. Tenho conhecimento que tal lhe foi imputado mas que também esse foi arquivado. O Correio da Manhã é que não noticiou. Não vende". Ele insiste. Eu mantenho a minha: "Não foi acusado. A PT veio dizer que nenhuma chamada foi feita daquela cabine, de modo que a existirem fotografias nunca poderiam ser de algo que nunca aconteceu.". Ele olha para mim e diz-me :" Então não acredita nessas imputações?". Eu respondo : "Oiça, fui eu quem ajudou a fazer as transcrições das chamadas. Não era a voz do A.. Não acredito nem nessas, nem noutras.".
(Um Juiz de um Tribunal Criminal que não sabe o que é ser acusado mete medo. Muito medo...)
Final.
E eu pergunto-me: " Mas este gajo não acha que eu tenho mais que fazer à minha vida? E não lhe parece que, assim de repente e durante qualquer coisa como sete anos, uma pessoa que nunca apareceu, raramente se deixou filmar, nunca prestou declarações, não quer protagonismo? Uma mulher de vinte e dois anos que tem uma casa e um carro para pagar, tem um grupo de amigos generoso e alguns homens atrás, tem necessidade de lixar sucessivamente o seu carro (cujos consertos ninguém nunca lhe pagou), matar os seus animais domésticos, ligar para si mesma (permanecendo o mistério de parte dos telefonemas terem sido atendidos por si à frente de terceiros e longe de cabines telefónicas), ameaçar-se com uma faca?!!! Fui eu que quis que se soubesse com quem dormia (o que era inevitável atendendo a que o senhor agente andava comigo?) Alguém acredita que, se eu quisesse protagonismo, não achava caminho mais fácil?!!! Parece até ofensivo. Eu querendo fazia muito melhor.
Badamerda. Venham os processos crimes. Na pior das hipóteses, deixo já de trabalhar. Mais facilmente como sopa dos pobres - levando sempre a minha mala da Vuilton - do que pago o que quer que seja àquela escumalha. Casa na Rovisco Pais? Desconheço. Terreno na Herdade da Aroeia? Vendi e gastei em Moet. Barco? Qual barco?!
Ironia: se fiz o depoimento que fiz, foi porque tomei migraspirina. Não fosse ela e não estaria em condições de aguentar aquilo. Obrigada Bayer!
terça-feira, dezembro 19, 2006
November rain...
Era - e provavelmente ainda o é - a minha música preferida, a par da banda sonora do "Era uma vez na América".
Quando revi o Axl Rose no verão passado, gordo, irreconhecível, sem voz, chorei imenso. Chorei pela saudade de um tempo em que a vida era muito fácil. Chorei pela recordação das tardes na Mexicana, comigo a martirizar toda a gente com o facto de ser "existencialista" e a ordenar que lessem os livros da Simone de Beauvoir e do Sartre. Chorei porque vi no Axl que o tempo passou e, de repente, aqueles que ouviam o November Rain comigo estão ou mortos ou longe. Demasiado longe... Chorei, por último, porque também chorei imenso no concerto há mais de 14 anos atrás: o Axl, depois da fita que fez, cantou o Don't Cry e eu, já tocada, decidi fazer o oposto.
Curiosamente, foi com uma alusão a esta música que eu falei em público pela primeira vez. Dizia-se horrores da minha geração e fez-se referência aos Gun's e ao "Get in the ring mother fucker". Eu levantei-me furiosa e falei perante mais de mil pessoas. O meu pai ficou siderado: nunca me tinha ouvido e fartaram-se de lhe dar os parabéns. Acabei a dizer que os Gun's que escreveram essa música eram os mesmos que escreveram o November Rain.
Porque raio me fui lembrar disto agora?
Quinta é um dia importante para mim. Vou dizer na cara dos anormais que tentaram transformar a minha vida num inferno que não vergo e não cedo um milímetro. Com travões cortados, com pneus furados, vidros partidos, fechaduras arrombadas, com animais domésticos mortos, com chamadas em que o melhor que me prometiam era saltarem-me para a espinha, com perseguições, com tudo o que se lembraram, eu não me acorbadei. E, volvidos estes anos, faço questão de explicar isso. Na cara deles. Ou na cara de quem lhes vai dizer.
Vão-se f... As árvores morrem de pé. E eu não parto.
Mas, talvez, o M. tenha razão e eu tenha a mania de ser uma "vela". Não ao vento. Mas, seguramente, nas chuvas de Novembro.
E, portanto, é ora de clamar pela outra músiva: "get in the ring mother fucker". No final, veremos quem se aguenta de pé.
Quando revi o Axl Rose no verão passado, gordo, irreconhecível, sem voz, chorei imenso. Chorei pela saudade de um tempo em que a vida era muito fácil. Chorei pela recordação das tardes na Mexicana, comigo a martirizar toda a gente com o facto de ser "existencialista" e a ordenar que lessem os livros da Simone de Beauvoir e do Sartre. Chorei porque vi no Axl que o tempo passou e, de repente, aqueles que ouviam o November Rain comigo estão ou mortos ou longe. Demasiado longe... Chorei, por último, porque também chorei imenso no concerto há mais de 14 anos atrás: o Axl, depois da fita que fez, cantou o Don't Cry e eu, já tocada, decidi fazer o oposto.
Curiosamente, foi com uma alusão a esta música que eu falei em público pela primeira vez. Dizia-se horrores da minha geração e fez-se referência aos Gun's e ao "Get in the ring mother fucker". Eu levantei-me furiosa e falei perante mais de mil pessoas. O meu pai ficou siderado: nunca me tinha ouvido e fartaram-se de lhe dar os parabéns. Acabei a dizer que os Gun's que escreveram essa música eram os mesmos que escreveram o November Rain.
Porque raio me fui lembrar disto agora?
Quinta é um dia importante para mim. Vou dizer na cara dos anormais que tentaram transformar a minha vida num inferno que não vergo e não cedo um milímetro. Com travões cortados, com pneus furados, vidros partidos, fechaduras arrombadas, com animais domésticos mortos, com chamadas em que o melhor que me prometiam era saltarem-me para a espinha, com perseguições, com tudo o que se lembraram, eu não me acorbadei. E, volvidos estes anos, faço questão de explicar isso. Na cara deles. Ou na cara de quem lhes vai dizer.
Vão-se f... As árvores morrem de pé. E eu não parto.
Mas, talvez, o M. tenha razão e eu tenha a mania de ser uma "vela". Não ao vento. Mas, seguramente, nas chuvas de Novembro.
E, portanto, é ora de clamar pela outra músiva: "get in the ring mother fucker". No final, veremos quem se aguenta de pé.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
O Natal.
Para mim, o Natal foi sempre "O inverno do nosso descontentamento".
Durante anos e anos, pedia para me deixarem dormir no dia 23 e acordarem-me a 26. Lembro-me perfeitamente do meu entusiasmo quando o pinheiro enorme que a minha avó comprava caiu, num grande estrondo. Sempre detestei este espiríto, de me obrigarem a ser simpática, quando eu gosto mais de ser uma besta quadrada.
Percebi mais tarde que talvez o meu ódio mais juvenil se devesse à falta do pinheiro e do presépio que todos os anos a minha avó demorava horas e horas a montar (recuperei o presépio. Pedi-o como prenda de casamento ao meu pai).
Olhando para trás, uma das recordações mais engraçadas que tenho do Natal é o episódio ridículo da avaria do meu carro. Cenário: docas, cheias de homens com muito mau aspecto, onze e meia da noite da véspera de Natal. Eu e a eterna Ash procurávamos um bar para passarmos a noite de Natal. Decido pisar um duplo traço contínuo e entrar por uma zona de área condicionada à Brigada Fiscal. O carro avaria. Começa a deitar fumo. Como, meses atrás, tinha explodido uma parte (com o patrocínio dos meus amigos), a Ash saiu do carro e desatou aos berros, a dizer que ia incendiar-se outra vez. Eu vejo os homens a aproximarem-se de nós e grito também que prefiro morrer queimada a ser violada. Instala-se uma discussão enorme: um carro parado perpendicularmente a um duplo traço contínuo e dentro de uma zona cujo acesso estava vedado, a deitar fumo, e duas mulheres, uma fora e outra dentro, aos gritos. Chega um carro da Polícia e eu penso imediatamente que estou lixada. O Senhor agente aproxima-se e diz-me : "deve ser da água". Eu olho para ele e respondo, muito segura: "eu vi a água e está dentro do nível". Ele insiste. Eu começo a pensar : "Fixe, vou ser multada e este gajo é um atrasado mental". Até que ele me manda sair do carro, aponta-me para uma poça de água e diz-me: "ao passar por ali, molhou o carro. Como está quente, este fumo é a água a evaporar". Olho para ele, encosto-me ao vidro do carro, desato a bater com a cabeça no vidro e digo para mim mesma : "és burra. és completamente burra!". Ele sorriu e desejou-me um bom Natal.
E foi. Acabámos todos num bar na 24 de Julho, aos pulos a dançar.
(A primeira vez que assisti a um Natal convencional depois da minha avó ter morrido foi com a família do André. Já nem me lembrava como é que era! Habituei-me durante longos anos a ter um Natal com amigos, aos pulos em bares e discotecas. Acho que foi a minha forma de lidar com a confusão imensa em que se tornara a vida. Eram bons Natais, contudo. Sinceros e com poucas prendas.)
Durante anos e anos, pedia para me deixarem dormir no dia 23 e acordarem-me a 26. Lembro-me perfeitamente do meu entusiasmo quando o pinheiro enorme que a minha avó comprava caiu, num grande estrondo. Sempre detestei este espiríto, de me obrigarem a ser simpática, quando eu gosto mais de ser uma besta quadrada.
Percebi mais tarde que talvez o meu ódio mais juvenil se devesse à falta do pinheiro e do presépio que todos os anos a minha avó demorava horas e horas a montar (recuperei o presépio. Pedi-o como prenda de casamento ao meu pai).
Olhando para trás, uma das recordações mais engraçadas que tenho do Natal é o episódio ridículo da avaria do meu carro. Cenário: docas, cheias de homens com muito mau aspecto, onze e meia da noite da véspera de Natal. Eu e a eterna Ash procurávamos um bar para passarmos a noite de Natal. Decido pisar um duplo traço contínuo e entrar por uma zona de área condicionada à Brigada Fiscal. O carro avaria. Começa a deitar fumo. Como, meses atrás, tinha explodido uma parte (com o patrocínio dos meus amigos), a Ash saiu do carro e desatou aos berros, a dizer que ia incendiar-se outra vez. Eu vejo os homens a aproximarem-se de nós e grito também que prefiro morrer queimada a ser violada. Instala-se uma discussão enorme: um carro parado perpendicularmente a um duplo traço contínuo e dentro de uma zona cujo acesso estava vedado, a deitar fumo, e duas mulheres, uma fora e outra dentro, aos gritos. Chega um carro da Polícia e eu penso imediatamente que estou lixada. O Senhor agente aproxima-se e diz-me : "deve ser da água". Eu olho para ele e respondo, muito segura: "eu vi a água e está dentro do nível". Ele insiste. Eu começo a pensar : "Fixe, vou ser multada e este gajo é um atrasado mental". Até que ele me manda sair do carro, aponta-me para uma poça de água e diz-me: "ao passar por ali, molhou o carro. Como está quente, este fumo é a água a evaporar". Olho para ele, encosto-me ao vidro do carro, desato a bater com a cabeça no vidro e digo para mim mesma : "és burra. és completamente burra!". Ele sorriu e desejou-me um bom Natal.
E foi. Acabámos todos num bar na 24 de Julho, aos pulos a dançar.
(A primeira vez que assisti a um Natal convencional depois da minha avó ter morrido foi com a família do André. Já nem me lembrava como é que era! Habituei-me durante longos anos a ter um Natal com amigos, aos pulos em bares e discotecas. Acho que foi a minha forma de lidar com a confusão imensa em que se tornara a vida. Eram bons Natais, contudo. Sinceros e com poucas prendas.)
Recordações do Camões...
O João Pedro era um amor de criança e fazia um furor entre as raparigas, já na fase do armário. Do que me lembro, quando se punham a jogar ao bate-pé - um jogo imbecil no qual nunca quis participar - era o principal alvo das investidas femininas. Eu nunca o vi com esses olhos e o João Pedro deve ter sido o meu primeiro amigo homem (o primeiro de muitos porque eu prefiro os homens, mesmo nas amizades).
A vida afastou-nos, de modo que foi com espanto que recebi o convite dele para a festa dos 30 anos. Fui. Depois de o ver na pista dos Stones a dançar ao som de U2, acompanhado pela mulher que escolheu e pelos amigos, com a felicidade a rebentar-lhe pelos olhos, percebi que tenho imensa pena de nos termos afastado. Comprei-lhe um livro e escrevi-lhe uma dedicatória. Sentida porque de palavras de circunstancia ando eu farta. Ele respondeu: "Querida Rita, antes de mais, muito obrigado pelo livro do Marai. Não posso deixar de registar, contudo, que me deste muito mais do que uma obra literári. Deste-me um dos teus momentos quando escreveste a generosa e porventura imerecida dedicatória e deste, nos últimos vinte anos, provas de um enorme carácter, de uma inteligência invulgar e de uma personalidade marcante. é um orgulho ter-te como amiga... pelo que és e acima de tudo pela percepção que sempre tiveste acerca do valor e desvalor das condutas dos que te rodeavam. Beijo, João Pedro".
Concordo numa coisa: contigo acertei. Obrigada pelas tardes na escola Luís Vaz de Camões. Obrigada por te teres lembrado de mim. Simplesmente, obrigada.
A vida afastou-nos, de modo que foi com espanto que recebi o convite dele para a festa dos 30 anos. Fui. Depois de o ver na pista dos Stones a dançar ao som de U2, acompanhado pela mulher que escolheu e pelos amigos, com a felicidade a rebentar-lhe pelos olhos, percebi que tenho imensa pena de nos termos afastado. Comprei-lhe um livro e escrevi-lhe uma dedicatória. Sentida porque de palavras de circunstancia ando eu farta. Ele respondeu: "Querida Rita, antes de mais, muito obrigado pelo livro do Marai. Não posso deixar de registar, contudo, que me deste muito mais do que uma obra literári. Deste-me um dos teus momentos quando escreveste a generosa e porventura imerecida dedicatória e deste, nos últimos vinte anos, provas de um enorme carácter, de uma inteligência invulgar e de uma personalidade marcante. é um orgulho ter-te como amiga... pelo que és e acima de tudo pela percepção que sempre tiveste acerca do valor e desvalor das condutas dos que te rodeavam. Beijo, João Pedro".
Concordo numa coisa: contigo acertei. Obrigada pelas tardes na escola Luís Vaz de Camões. Obrigada por te teres lembrado de mim. Simplesmente, obrigada.
terça-feira, dezembro 12, 2006
Ainda sobre bocas...
Para finalizar este round, lembrei-me de outra que também ficou célebre.
O Senhor que diz que manda agora no PSD era vizinho do Hugo. Quando começamos a namorar, logo correu que ele andava com a filha do comuna, de modo que foi uma correria para ver esta alminha. O vizinho, porém, já me conhecia doutras paragens e sabia perfeitamente quem eu era e que tinha tido 15 numa determinada cadeira. Mesmo assim, a curiosidade em me rever foi mais forte, de modo que dessintonizou a televisão de propósito e chamou o loiro para arranjar, bem sabendo que eu morria de medo do cão (de longe, o elemento mais inteligente da família) e que iria atrás. Lá fomos, comigo a pensar "Isto não fica assim". Ele estava com visitas em casa e pareceu-me a ocasião ideal. Quando ele abriu a porta, lancei nos braços dele e, com um sorriso enorme, disse muito alto :"Estou tão contente. Finalmente conheço alguém da minha altura!".
O resto? Nem preciso dizer. A Maria ia morrendo quando soube.
O Senhor que diz que manda agora no PSD era vizinho do Hugo. Quando começamos a namorar, logo correu que ele andava com a filha do comuna, de modo que foi uma correria para ver esta alminha. O vizinho, porém, já me conhecia doutras paragens e sabia perfeitamente quem eu era e que tinha tido 15 numa determinada cadeira. Mesmo assim, a curiosidade em me rever foi mais forte, de modo que dessintonizou a televisão de propósito e chamou o loiro para arranjar, bem sabendo que eu morria de medo do cão (de longe, o elemento mais inteligente da família) e que iria atrás. Lá fomos, comigo a pensar "Isto não fica assim". Ele estava com visitas em casa e pareceu-me a ocasião ideal. Quando ele abriu a porta, lancei nos braços dele e, com um sorriso enorme, disse muito alto :"Estou tão contente. Finalmente conheço alguém da minha altura!".
O resto? Nem preciso dizer. A Maria ia morrendo quando soube.
And now for somethig completlly diferent...
A hora da chegada do correio é um momento de ansiedade para mim. Começo a ouvir a Francisca a carimbar as cartas e imagino logo dez sentenças diferentes a cascar-me e a perguntar que espécie de cogumelos é que eu comi antes de escrever as p.i.'s.
Hoje... Chegou a carta pela qual eu tanto ansiava: a conta do Santa Maria! Rápido e eficaz. Pormenor (ou, segundo a senhora do Guichet, talvez não)... Vem com o código postal completo.
Estou rendida. Para atender doentes, está quieto. Para enviar contas, o ritmo é impressionante.
Hoje... Chegou a carta pela qual eu tanto ansiava: a conta do Santa Maria! Rápido e eficaz. Pormenor (ou, segundo a senhora do Guichet, talvez não)... Vem com o código postal completo.
Estou rendida. Para atender doentes, está quieto. Para enviar contas, o ritmo é impressionante.
A modéstia é o nosso forte.
(calma, já só me faltam cerca de 40 páginas. A seguir vou passar para um livro sobre Hitler e depois a um sobre o PREC)
Diz ele: "Tínhamos de resolver uma falha da portaria do Governo anterior sobre a quinta fase desse aumento de capital da EDP, que não previa prémios para os detentores de acções, tendo-me valido da experiência como advogado (mereci do ministro Álvaro Barreto a referência "não sabia que era tão bom jurista")".
Que mal pergunte: mas qual experiência?!!!
Diz ele: "Tínhamos de resolver uma falha da portaria do Governo anterior sobre a quinta fase desse aumento de capital da EDP, que não previa prémios para os detentores de acções, tendo-me valido da experiência como advogado (mereci do ministro Álvaro Barreto a referência "não sabia que era tão bom jurista")".
Que mal pergunte: mas qual experiência?!!!
segunda-feira, dezembro 11, 2006
E a saga continua...
Diz ele: "Naquele ano, praticamente todos os feriados tinham calhado ao fim-de-semana e um numa quinta-feira, por isso pareceu-me razoável dar uma ponte depois de ter pedido ao gabinete que me fizesse um estudo comparado com os anos anteriores. Sempre contrariei a tendência de dar "pontes" e cheguei a fazer circulares na Figueira da Foz dizendo que quem "metesse" um dia de férias intercalar teria de descontar quatro dias no fim do ano. Costumava trabalhar também nesses dias e visitava, de surpresa, os serviços (fi-lo algumas vezes, por exemplo, no Palácio da Ajuda), fazendo o levantamento de quem não estava.".
Ora bem... Sucede que isto é ilegal. Tirando isso, tudo bem. E pergunta-se: este senhor foi Administrador de uma empresa de vão de escada? E a resposta só pode ser esta: foi. A empresa chama-se Portugal (isto, claro, porque os espanhóis são espertos e em vez de invadirem isto compram o que lhes interessa...).
Ora bem... Sucede que isto é ilegal. Tirando isso, tudo bem. E pergunta-se: este senhor foi Administrador de uma empresa de vão de escada? E a resposta só pode ser esta: foi. A empresa chama-se Portugal (isto, claro, porque os espanhóis são espertos e em vez de invadirem isto compram o que lhes interessa...).
Este livro é tão bom quanto o Gato Fedorento...
(A propósito, eu prefiro o Bruno Nogueira...)"A verdade paga sempre, e a falta de verdade cobra sempre"SL dixit.Muito bom! Na linha do "estar vivo é o contrário de estar morto".Uma diz que é de centro esquerda. O outro escreve merdas destas. Credo, estas criaturas estão ou estiveram no poder. Que susto...(Nem falo na marquise. Ninguém normal tem uma marquise nos dias que correm. Pior, ninguém se deixa filmar numa. Excepto quem não se importou de ir mascarada de "galão" ao casamento do D. Duarte. Pronto, já sei que vão dizer que ocupo a minha memória com coisas inacreditáveis. É verdade. Mas, pelo menos, vou aos casamentos vestida decentemente.)(Lembrei-me agora de uma das minhas frases mais crueis para a Maria dos Anjos. Era assim: "Sabes porque é que o Fernando Nogueira não ganhou as eleições? Porque a Maria dos Anjos ocupava o ecrã inteiro. Pronto, já sei é horrível. Mas ainda hoje acho piada. Não percebo porque é que a dita cuja nem se riu quando eu decidi dizer isto nas trombas dela.E, como isto é como as cerejas... Lembrei-me de outra. Num almoço em que a família de Caxias me obrigou a ir estava o Senhor Professor Cavaco. Fruto de um imenso arraial na distribuição de lugares, acabei por ficar muito perto dele. Olhei para ele com um ar cheio de medo e disse: "Não vai comer bolo-rei, não?!". Bendita juventude, que me permitia dizer estas coisas.).
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Rir num julgamento que poderia ter sido uma seca...
(Estou tão fascinada com ter aprendido a fazer castanhas que todos os dias faço umas quantas. Vim aqui, num intervalo...)
Havia a promessa que julgo recíproca de não se tornarem três dias de julgamento numa tortura para ambos. Eu tinha prometido a mim própria que ia preparar tudo muito direitinho até para não fazer figuras tristes. A ida ao Hospital e a minha ideia fixa de ir para Paris deitaram os meus planos por água abaixo mas acabei por ganhar tempo suficiente para me relembrar das coisas.
Ao meu lado, uma mulher que perdeu quase tudo, chorava a cada instante e quase me fez chorar a mim.
Ainda não acabou e, apesar de julgar que ambos concordamos vagamente no que pode ser a decisão, correu bem. Acho que nunca me ri tanto num julgamento. E, mesmo que perca tudo (o que eu não queria...), já valeu a pena porque houve momentos hilariantes, o que me parecia impossível poder acontecer numa situação daquelas. Foi, no mínimo, original.
E duvido que me consiga alguma vez esquecer da circunstancia de uma pessoa, num mundo chato como este é, me fazer rir ao ponto de eu ter de esconder a cara do juiz, durante interrogatórios a testemunhas.
Obrigada.
(E vou comer a minha obra de arte. Castanhas! Qualquer dia sou mulher para aprender a estrelar um ovo...)
Havia a promessa que julgo recíproca de não se tornarem três dias de julgamento numa tortura para ambos. Eu tinha prometido a mim própria que ia preparar tudo muito direitinho até para não fazer figuras tristes. A ida ao Hospital e a minha ideia fixa de ir para Paris deitaram os meus planos por água abaixo mas acabei por ganhar tempo suficiente para me relembrar das coisas.
Ao meu lado, uma mulher que perdeu quase tudo, chorava a cada instante e quase me fez chorar a mim.
Ainda não acabou e, apesar de julgar que ambos concordamos vagamente no que pode ser a decisão, correu bem. Acho que nunca me ri tanto num julgamento. E, mesmo que perca tudo (o que eu não queria...), já valeu a pena porque houve momentos hilariantes, o que me parecia impossível poder acontecer numa situação daquelas. Foi, no mínimo, original.
E duvido que me consiga alguma vez esquecer da circunstancia de uma pessoa, num mundo chato como este é, me fazer rir ao ponto de eu ter de esconder a cara do juiz, durante interrogatórios a testemunhas.
Obrigada.
(E vou comer a minha obra de arte. Castanhas! Qualquer dia sou mulher para aprender a estrelar um ovo...)
terça-feira, dezembro 05, 2006
Percepções e realidade
Devo ter sido das poucas que lamentei profundamente a queda do Governo de Santana. Ninguém fez tanto pelo humor em Portugal como aquela equipa. Por isso mesmo, quando Sampaio anunciou a saída de cena, antevi logo que, sendo Sócrates parecido em termos de ideologia - até porque se iniciou na mesma JSD -, teria muito menos piada. Durante aqueles meses, eu ri que nem uma perdida com o que se passava. Portugal parecia convertido num filme grotesco, o que, não sendo saudável, era engraçado.
Durante a campanha, Santana Lopes teve ainda oportunidade de um inesquecível canto do cisne e que foi o célebre vídeo do "Menino Guerreiro", no limiar do que de mais ridículo se fez. Eu gravei o vídeo, claro. Para quem ainda não tinha percebido que o Santana Lopes gostava de "colo", ele confessa-o expressamente, trazendo para a campanha assuntos de alcofa (e depois queixa-se...). Quando se julgava que nada podia ser pior do que aquela fotografia no cruzeiro da Caras, eis que um candidato a Primeiro-Ministro elege como mensagem de propaganda uma canção lamechas e se designa a ele mesmo como "Menino Guerreiro" - o que até pela próximidade do processo da Casa Pia não foi feliz -, surgindo em primeiro plano com imagens de Sá Carneiro atrás, no que sempre pareceria um aproveitamento inaceitável.
Depois do período de nojo, Santana Lopes escreveu um livro e, à semelhança do do Carrilho, eu comprei-o e estou a lê-lo atentamente.
A única dúvida que subjaz ao ler o livro é a de saber se o que Santana Lopes conta se passou em Portugal. É que, a cada passo, eu relembro a cena da Ministra Carmo Seabra a dizer que se recusava a ir ao Parlamento porque considerava que já tinha dado todas as explicações na Televisão. Daí a pergunta: o livro fala de percepções ou de realidade?
Durante a campanha, Santana Lopes teve ainda oportunidade de um inesquecível canto do cisne e que foi o célebre vídeo do "Menino Guerreiro", no limiar do que de mais ridículo se fez. Eu gravei o vídeo, claro. Para quem ainda não tinha percebido que o Santana Lopes gostava de "colo", ele confessa-o expressamente, trazendo para a campanha assuntos de alcofa (e depois queixa-se...). Quando se julgava que nada podia ser pior do que aquela fotografia no cruzeiro da Caras, eis que um candidato a Primeiro-Ministro elege como mensagem de propaganda uma canção lamechas e se designa a ele mesmo como "Menino Guerreiro" - o que até pela próximidade do processo da Casa Pia não foi feliz -, surgindo em primeiro plano com imagens de Sá Carneiro atrás, no que sempre pareceria um aproveitamento inaceitável.
Depois do período de nojo, Santana Lopes escreveu um livro e, à semelhança do do Carrilho, eu comprei-o e estou a lê-lo atentamente.
A única dúvida que subjaz ao ler o livro é a de saber se o que Santana Lopes conta se passou em Portugal. É que, a cada passo, eu relembro a cena da Ministra Carmo Seabra a dizer que se recusava a ir ao Parlamento porque considerava que já tinha dado todas as explicações na Televisão. Daí a pergunta: o livro fala de percepções ou de realidade?
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Praga por um canudo e o regresso a Lisboa
Paris, Paris, Paris.
Para mim, Paris tem um encanto enorme. Sempre. Em cada esquina. Mesmo quando chove a potes e está um frio de rachar. Não é pela porcaria da Torre e, seguramente, muito menos pelo Louvre. É pelo ar que se respira.
Foi hilariante andar a ver vibradores enormes (acho eu que mais prórios para empalamento do que para... enfim...), foi poético passear pelos Champs, foi simpático ter comprado a minha mala (eu que chorei de raiva por causa do cartão multinanco não passar e por pensar que não a iria trazer).
O melhor, todavia, foi ter ido com aquelas pessoas. O João. A Patrícia. A Mónica. O Sérgio.
Paris nunca será o mesmo se for sem eles. Por eles são do melhor que se pode ter.
(Praga foi-se. Data errada. Julgamento sem hipótese de substabelecer - aquele julgamento é tão caótico que eu própria já nem percebo nada daquilo. Graças a deus, o Pedro também já não, de modo que é empate.)
(O regresso a Lisboa foi durinho. Julgamento o dia todo e eu a ressentir-me do fim-de-semana e de alguma tensão. Acho que o médico me tinha aconselhado a não apanhar chuva... É difícil estar numa cadeira com um ar muito concentrado quando corpo me pede que esteja de cama. Mas ainda dei por mim a sorrir. Lá se foi o meu ar supostamente impenetrável.)
Para mim, Paris tem um encanto enorme. Sempre. Em cada esquina. Mesmo quando chove a potes e está um frio de rachar. Não é pela porcaria da Torre e, seguramente, muito menos pelo Louvre. É pelo ar que se respira.
Foi hilariante andar a ver vibradores enormes (acho eu que mais prórios para empalamento do que para... enfim...), foi poético passear pelos Champs, foi simpático ter comprado a minha mala (eu que chorei de raiva por causa do cartão multinanco não passar e por pensar que não a iria trazer).
O melhor, todavia, foi ter ido com aquelas pessoas. O João. A Patrícia. A Mónica. O Sérgio.
Paris nunca será o mesmo se for sem eles. Por eles são do melhor que se pode ter.
(Praga foi-se. Data errada. Julgamento sem hipótese de substabelecer - aquele julgamento é tão caótico que eu própria já nem percebo nada daquilo. Graças a deus, o Pedro também já não, de modo que é empate.)
(O regresso a Lisboa foi durinho. Julgamento o dia todo e eu a ressentir-me do fim-de-semana e de alguma tensão. Acho que o médico me tinha aconselhado a não apanhar chuva... É difícil estar numa cadeira com um ar muito concentrado quando corpo me pede que esteja de cama. Mas ainda dei por mim a sorrir. Lá se foi o meu ar supostamente impenetrável.)
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