Quem me aturou em muitas noites gélidas, daquelas que duram vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, sempre me disse que eu era o misto de paradoxos melhor sucedido que já tinha visto. Era - e sou - frágil mas de uma firmeza férrea quando era preciso. Era - e sou - uma pessimista nata que, ainda assim, achava que valia a pena lutar até ao fim. Dançava à beira do abismo com a mais total indiferença e o sem o mínimo temor de cair mas nunca dava o derradeiro passo. Passava de um registo de total frieza para um de grande candura e vice-versa. Era uma liberal nos costumes quanto aos outros e extremamente conservadora comigo mesma. Não tinha medo de nada excepto de me apaixonar.
Quem me abraçou nessas noites e afugentou a solidão que grassava em mim sempre me vaticinou que, mais trágico do que eu ser considerada bonita, era ser de uma ingenuidade atroz em termos pessoais. Espero não estar em repetição de um erro porque duas vezes seria mais do que consigo aguentar. Até lá, a minha única conclusão é a de que a minha vida virou um TGV.
1 comentário:
A questão reside em saber se tu conseguirias viver à velocidade de um Inter-cidades.
Pois.
:)
Bjo
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