quarta-feira, outubro 06, 2010

A vida que corre rápida mas a conta gotas...

Enviam-me pelo face a minha fotografia de campanha e olho para ela, entre o choque o riso nervoso. Pareço exausta. Estou exausta. É, neste momento, indisfarçável.
No mesmo transe, tendo presente aquilo que agora designo o "evento", parece que, simultaneamente, foi há uma eternidade e ainda ontem.
Este duplo sentido do tempo, rápido na minha cara e alma, e lento (na minha alma), baralha-me.
Tenho ainda saudades do sorriso dele. Daqueles olhos azuis lindíssimos, aos quais agora me apetecia deitar decapante. Tenho principalmente saudades da minha incomensurável alegria. De me sentir apaixonada. De me perder nos braços dele, nos olhos dele, no cabelo dele. Tenho aquela capacidade avassaladora de me perder em estradas sinuosas, eu sei.Talvez por isso, cresce em mim um outro sentimento que não chega a ser ódio mas é um tímido desprezo. Desprezo pela fraqueza. Pela falta de inteligência. Por me ter enganado (não sei se ele a mim, se eu a mim própria...).
E, como em tudo, uma certa revolta porque sei que estou magoada demais para poder apreciar uma dança que me foi proposta. Só sei dançar com o Diabo, está visto. Principalmente se o Diabo for loiro e de olhos azuis.

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