quarta-feira, julho 28, 2010

O mar das lágrimas...

Em resposta a eu ter escrito que o Porto-Santo tinha o meu mar, respondeu o RR: O mar de lágrimas é uma SA com taaaaantos accionistas...

segunda-feira, julho 26, 2010

Vista de mar...

Fecho os olhos, acendo um cigarro e sou assaltada por uma torrente de recordações.
Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar... Again...
Metade de mim - o resquício de racionalidade que de vez em quando habita em mim - quer fugir enquanto pode (certa, porém, que este exacto momento seria já tarde demais). A minha faceta emotiva sabe que já não consigo e decidiu, de novo, dançar o tango com a vida.
Aos 33 anos estou, pois, neste registo. O papel que reservei a mim mesma desde a famosa queda livre é aquele em que nado como ninguém. Se estivesse ao meu alcance controlar tudo, o que escolheria ser era justamente a mulher que se tornou a minha imagem de marca. Fria,inantingível, sem qualquer vestígio de emoção. Esse meu lado nunca chorou por motivo diverso da mais pura raiva.
Sucede, porém, que a espaços a outra vai fazendo umas aparições. E estou assustadíssima. Ironicamente, já que dizem de mim que sou a mulher sem medo, o que mais me assusta sou eu própria.

domingo, julho 25, 2010

Highway to hell

Recebo um daqueles telefonemas, em pleno casamento do meu pai, a dar-me conta que também tu baixaste os braços. Recebo este telefonema ao som do Damien Rice, envolta num vestido cor-de-rosa que me faz quase parecer uma daquelas princesas com que as miúdas sonham. E só consigo pensar que algo de profundamente errado se está. Algo de tão errado que já nem tenho espaço dentro de mim para saber se devo chorar ou rir à gargalhada. Rir num acesso daqueles que me é tão típico, daqueles que me dá quando sinto que está tudo tão errado, tudo tão profundamente perdido, que só resta o prazer do riso. Daquele riso que qualquer alma de humor caustico gosta de dar, numa estratégia de bofetada de luva branca ao destino. E, por isso, só me recordo da célebre frase do Tiago Duarte, quando dizia que não morríamos mas antes nos encontraríamos no inferno. Nós os dois muito em particular. A diferença é que, neste momento, não me apetece acelerar o processo. E tu, quando te levantares, perceberás que também não o queres.

sexta-feira, julho 23, 2010

TGV

Quem me aturou em muitas noites gélidas, daquelas que duram vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, sempre me disse que eu era o misto de paradoxos melhor sucedido que já tinha visto. Era - e sou - frágil mas de uma firmeza férrea quando era preciso. Era - e sou - uma pessimista nata que, ainda assim, achava que valia a pena lutar até ao fim. Dançava à beira do abismo com a mais total indiferença e o sem o mínimo temor de cair mas nunca dava o derradeiro passo. Passava de um registo de total frieza para um de grande candura e vice-versa. Era uma liberal nos costumes quanto aos outros e extremamente conservadora comigo mesma. Não tinha medo de nada excepto de me apaixonar.
Quem me abraçou nessas noites e afugentou a solidão que grassava em mim sempre me vaticinou que, mais trágico do que eu ser considerada bonita, era ser de uma ingenuidade atroz em termos pessoais. Espero não estar em repetição de um erro porque duas vezes seria mais do que consigo aguentar. Até lá, a minha única conclusão é a de que a minha vida virou um TGV.

segunda-feira, julho 19, 2010

Os apeadeiros

Quando recebi a tal mensagem, tenho ideia de ter vertido umas lágrimas. Sei que escrevi aqui umas linhas. Recordo-me que uma tristeza me inundou o olhar.
Correram umas semanas sobre o evento. Já mal me recordo de Sua Ex.a, o qual presumo deva ter encontrado a sopeira da vida dele. Voltei a rir-me com gosto. Saio à noite e danço. Apresento-me de mini-saia e hiper-bronzeada.
Em suma: renasci. E, atenta a rapidez com que o fiz, sei que iria cometer o erro da minha santa vidinha. Definitivamente, não nasci para ser a mulher de ninguém. Muito menos de um atrsado mental que gosta de touros, é homofóbico e de direita.`A presença dele na minha vida foi um mero apeadeiro. Espero que no caminho de uma estação principal.

terça-feira, julho 06, 2010

A morte

No dia de hoje tive conhecimento de mais duas mortes. Uma que era expectável. A outra completamente inesperada. Enredada no silêncio que estas notícias geram, dei por mim a pedir ao meu pai para ter cuidado e, simultaneamente, a pensar que devo viver intensamente. Tenho de viver em vez de gastar os dias porque a morte me pode colher ao virar da esquina, ainda por cima com todas as minhas cada vez mais evidentes fragilidades. No final, parece-me, o que conta foi o que fizemos da nossa vida. Talvez por isso eu gostasse de ter o direito de, naquele instante, pensar que fiz o melhor que pude.