quinta-feira, maio 20, 2010

Ainda o Quase...

Enquanto as minhas amigas se reproduzem a um ritmo estonteante que faria inveja a muita família de coelhos, eu esbarro em mim própria todas as noites em casa. Esbarro em mim, sem grande réstea de esperança de me vir a tornar uma mulher convencional.
Diz o Rodrigo que fui a rapariga mais desejada da Academia. É, obviamente, um exagero manifesto mas o interesse que fui despertando, penso agora, talvez resulte bem mais da minha personalidade atípica do que do físico que tenho. Oscilo entre um registo de alguma fragilidade e uma imagem de uma frieza glaciar (lembro-me bem do meu sorriso cínico quando um dos eternos candidatos perguntou ao Rui se não se sentia gelado quando me beijava), levantando-me a cada queda com um sorriso nos lábios.
No corrente dia, acendo mais um cigarro e, de repente, fecho os olhos e assola-me a certeza de que o maior luxo que tenho é mesmo ter espinha. E, atendendo a que é um bem escasso, ter essa espinha é capaz de ser o meu principal atractivo.
Meu caro, as árvores morrem de pé. Podem morrer sozinhas mas morrem de pé. Não há nada que se compare ao luxo de uma pessoa viver sabendo que morrerá de pé.

1 comentário:

Maria disse...

:) Tu és do caraças!