quinta-feira, maio 31, 2007

A greve geral e a Internacional

Vejo uma pergunta absurda na "Grande Entrevista" e não resisto a um sorriso cínico.
A mulher do outro pergunta se a greve geral não foi um falhanço na medida em que não paralisou o país.
A resposta deveria ter sido:" Nunca poderia parar. É para isso que existem os serviços mínimos."
Claro que não foi. E claro que não paralisou (eu, a eterna mártir, consegui ter dois julgamentos...).
Oscilei na minha vida entre dois extremos. Um dia, comecei a ler "As vinhas da ira" e a minha vida mudou de forma irreversível quando, no final, a mulher que perdeu o filho aceita dar de mamar ao homem para ele não morrer de fome.
Hoje estive a ouvir "A Internacional" (que saudades dos tempos em que os meus amigos me cantavam os parabéns ao som deste hino...). Revivi a minha infância, no gira-discos da Avenida de Roma.
E, simultaneamente, olhei para este país e cada vez mais penso que Marx tinha razão. O que ele não conseguiu adivinhar era que a luta se ia tornar mais insinuosa, mais subtil. E solitária.
Quem vai ganhar? A mim parece-me evidente. Seguramente não serão os que lutam desorganizadamente, ao sabor de interesses egoístas.
Mas isto digo eu. Afinal de contas, sou aquela que apelidavam de "comuna de óculos da chanel". A pergunta é, talvez, se eu estaria disposta a abdicar deles - do que eles simbolizam - para lutar, lado a lado. E para isso eu ainda não tenho a resposta absoluta. Mas acredito que sim.
Antes partir que vergar.

terça-feira, maio 29, 2007

Mais conversas

Xaxão: "Então o casamento foi bom?"
Xica : "Foi estranho. Fartámo-nos de conversar um com o outro".

Xica: "E depois os noivos despareceram..."
Xaxão: "Se calhar foram dar uma queca...
Xica: Isso foi o que eu pensei mas a noiva, quando voltou, estava penteada"

domingo, maio 27, 2007

Le Pen e Sarkozy

Dizia a Natália Correia que tanto é censura não deixar escrever como obrigar a escrever.
Aqui, presumo que deva ser caso da primeira porque a França não é propriamente do outro lado do mundo.
Um dia Le Pen, esse vulto, decidiu oferecer uma refeição a todos os sem-abrigo de Paris. Ninguém questionou a razão de ser de tanta generosidade de uma alma cujos paizinhos melhor teriam feito se - o - tivessem abortado. E assim o fez, apregoando o seu gesto.
Os sem-abrigo de Paris nem pararam para se questionar e lá fizeram fila para a sopa quente.
O que não podiam adivinhar é que, de concluio com a outra besta, à data Ministro do Interior, Le Pen tinha descoberto a pólvora. À medida que se enchia a malga, veio a Polícia e a maior dos sem-abrigo, obviamente ilegais, foram instados a mostrarem os documentos e, pasme-se!, como não tinham, foram deportados.
Quem me contou foi uma amiga minha insuspeita, longe de ser de esquerda, e que estava em Paris. Assistiu de camarote.
Com este contexto, a violência depois da eleição, apesar de não ser legítima, ganha outro alcance.
Acho um nojo este mundo. Cada vez mais.
A vontade que tenho é fechar-me no meu mundinho, ler os meus livros, ouvir a minha música e fugir deste planeta. Que ódio!
SPORTING.................

sexta-feira, maio 25, 2007

Os pulsos, Senhor, os pulsos...

A minha avó bem dizia que eu era feita de cristal.
A idade vai-se instalando em mim, transmitindo sinais insinuosos. Para além das rugas, das manchas na pele, da celulite, vêm as mazelas. Primeiro a inexplicável dor nas costas que me fez ir defender um relatório de mestrado completamente drunfada. Depois nos ombros. A seguir, segue-se aquele episódio ridículo dos dedos que se repete mais tarde. Por último, desfiguram-se os ossos do pulso. Mais dores. E a incerteza de quem se vê a mudar a um ritmo estonteante sem razão aparente para tal.
Durante as férias, deu-se aquela cena de eu já não conseguir cortar o bife e ter desatado a chorar em pleno restaurante.
Volvidos quase dois meses, os pulsos continuam quase na mesma. Tenho dias em que estou dependente dos outros para o que há de mais usual, como baixar as calças para ir à casa-de-banho. Tenho outros em que, ignorando as dores, consigo fazer tudo sozinha. Por último, tenho outros em que perco a sensibilidade nas mãos e as coisas desvanecem-se nas minhas mãos como areia numa tarde de vento.
Pior que tudo, dou por mim a pensar que os pulsos podem ser apenas o início.
Tento viver com isto, claro. Qualquer dia já mando piadas, no estilo de que a doença me facilitou algum relacionamento.
Por enquanto, a única coisa que consigo pensar é que as mãos fazem imensa falta. Muito mais do que para me maquilhar. Para escrever umas linhas. Para acender um cigarro. Para ler. E, porque não?, até para fazer uma festa ou dar um abraço.
E agora deixei de ter tanto orgulho nas minhas pernas.

quinta-feira, maio 24, 2007

Conversas

" - A Tânia é amiga dos teus irmãos e também conhece a Teresa.
- Quem é a Teresa?"

(PS - A Teresa, assim de repente, era a minha madastra. Estou a ficar senil.)

Quem diz a verdade...

"O ex-presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, afirmou hoje que a sua candidatura às eleições intercalares é uma "candidatura de continuidade", garantindo que pretende manter-se como vereador caso não ganhe a presidência da autarquia."

Palavras para quê?!!!!

quarta-feira, maio 16, 2007

Ainda conversas...

"- No programa As setes maravilhas...
- O quê?! Apareceu a licenciatura do Sócrates?".

Conversas

"-O Sarkozy é meu amigo. É o gajo que vai recuperar a AutoEuropa.
-Eu sou mais Ségolène.
-Eu estou-me a cagar para os franceses".

Foi há muito tempo mas... achei piada.

"Quase

Do alto dos teus trinta e oito anos recomendas-me calma, ponderação. Insinuas que devo baixar a cabeça, ser dócil e aceitar da vida a esmola que ela me dá como se nada mais relevasse que (sobre) viver cada dia, nesta dor a conta-gotas.
E tu faze-lo, revivendo a cada transe as páginas da tua vida, represtinando existências passadas, fazendo apelo ao que já não é e, seguramente, nunca o voltará a ser.
Preferes um correr dos dias certinho, tudo no sítio certo, muito arrumadinho, o futuro ao alcance de uma equação aritmética. Talvez por isso, e se calhar principalmente apenas por causa disso, tu acatas as ordens, resignas-te ao papel de segunda linha e terceiras linhas, aceitas sem reservas o que te dão com um muito católico sorriso de agradecimento nos lábios.
Mas eu... Eu vivi a infância entre o melhor de dois mundos e o pior pesadelo de uma miúda com dois dedos de testa. Sobrevivi a uma adolescência de excessos e defeitos apenas e tão somente pela fúria de demonstrar que era capaz. Capaz de vingar, mesmo não tendo a cara da minha mãe e a força do meu pai. Capaz de crescer num mundo hostil, sem me ajoelhar ou vergar.
Cada vez que um gajo qualquer me sussurrava banalidades ao ouvido, eu ria-me dele mas, acima de tudo, desta sociedade hipócrita e mesquinha que tudo reduz a sexo e a dinheiro.
Cada vez que me elogiavam o sentido de humor ou o espírito, eu não deixava também de sorrir, certa de que, tal como o Fernando Nogueira bem disse, este mundo só gosta das pessoas depois de mortas.
Os anos foram correndo, trepando inexoravelmente sobre mim. Para além das primeiras rugas, foram muitas as noites de vinte e quatro horas que se abateram sobre mim, nada mais me restando que a impotente revolta das lágrimas e a esperança que a luz gélida me devolvesse a esperança.
É verdade que a máquina irrevogável do tempo me tragou as ilusões e levou o que tinha de melhor. É verdade que do que fui já pouco resta.
Mas resta-me a dignidade de ainda não ter vergado. De, contrariamente a ti, não alinhar junto de interesses instalados. De não escolher pelo mais seguro.
Sabes, eu só quero ter o direito de ser eu própria, num mundo que ainda é dos homens. Não me escondo atrás de uma moralidade bacoca de vícios privados e públicas virtudes. E isto nada tem a ver com manifestações de bom ou mau feitio, num ambiente profissional onde nunca me viste. Mais uma vez, e sem que tal te tivesse sido solicitado, falaste sem saber. Mais uma vez, agora fortificado pela ida para o … que te dá laivos de arrogância insustentada, te permitiste dar conselhos sobre o que não sabes. E, desta feita, decidiste imputar-me a mim o que desconheces, não deixando de ser revelador que, no que a ti concerne, te vás desculpando reiteradamente.
Provavelmente, nesta vidinha medíocre, são aqueles que como tu vingam. Provavelmente, serás um objecto de cobiça e tido como exemplar para terceiros. Provavelmente, daqui a dez já nem cá estarei para contar a história. Mas, sabes?, nada disso importará se tiver morrido de pé.
E quanto a tudo o resto... O erro foi meu. Uma noite de profundo desespero o meu amigo fez-me uma descrição brilhante de mim mesma, rematando para nunca confiar em quem não me percebesse. Tu nunca me percebeste. E o erro não foi em ter saído da tua vida. Foi ter deixado que esta história se arrastasse tanto tempo. Demasiado tempo.
Na verdade, a profunda paixão que tive/ tenho (?) por ti não me deixou ver isto. Nem após as recíprocas bofetadas. Nem após as tuas birrinhas e os meus berros. Mas a nossa história há muito azedou. Como sempre tinha estado destinado, na exacta medida que todos podiam ver, excepto eu. Tu queres uma doméstica que ganhe dinheiro, alguém intelectualmente inferior que te admire e bajule. Alguém que te faça esquecer fracassos anteriores e te deixe brilhar sozinho. Eu quero alguém que me dê colo e me faça esquecer o passado. Quero alguém que me dê segurança.
Temo bem que nunca tenhas compreendido nada de mim. Temo bem que nunca tenhas percebido que eu sou muito mais a pessoa de há um ano atrás que esta que agora vês, toldada pelo extremo cansaço e profundamente desiludida. Temo bem que tenhas apagado essas memórias. Temo bem que persistas em fazer insistentes avaliações, assentes numa personalidade transitória e efémera. E pergunto-me: e isso importa? Importa. Importa muito. Mas não suficiente.
Desculpa se insisti nos últimos dias. De facto, tinha saudades tuas. Não o volto a fazer. Percebo agora que nem tu és a pessoa que julguei nem eu sou aquela de que falas. Por isso, te peço de facto desculpas.
Talvez por isso tenhamos estado sempre "Quase" lá. Mas quase é muito pouco, vejo-o agora claramente. E resta-me pedir desculpa por não o ter visto antes. "

segunda-feira, maio 14, 2007

A eterna Marilyn

Quando todos os meus colegas do colégio suspiravam pela Samatha Fox e quejandos, eu criei uma fixação com a Marilyn Monroe. Não tanto aquela que surgia nos filmes mas a outra. A que escrevia poemas e era contra a caça às bruxas das décadas de 50 e 60.
Estou a ler um livro sobre ela e, para meu espanto, descubro ali muito de mim.
Só não sei se isso é bom...

quinta-feira, maio 10, 2007

As pautas, Senhor, as pautas

Acabo as orais, agarro nas pautas e saio.
O anormal liga-me e diz-me: "A Doutora roubou as pautas. Isso é crime.".
Nem me esforço para disfarçar o riso e digo :"É certo que já não dou aí aulas mas permita-me que lhe explique que o conceito de roubo exige violência física. Não está a insinuar que eu, com metro e meio e quarenta quilos lhe bati, pois não?".
Ele responde: "Devolva as pautas já!".
Eu acabo a conversa: " Na hipótese de as ter - no que não concedo - vai fazer o quê? Chamar o Minstério do Ensino Superior?! Tenho uma notícia para si. Eles já aí estiveram, é. Dizem que vão fechar isso... Acha prudente chamá-los outra vez?".
Ele desliga.
Bolas, que falta de capacidade de diálogo. Nem terem tido alunos do PS os ensinou a serem dialogantes. Xiça!

CML

Ainda sobra alguém que não seja arguido na CML?
Só para a estatística...

O Governo e o Tribunal do Trabalho

O jovem Sócrates - que não curte tribunais - decidiu acabar com 40% dos juízos do Tribunal do Trabalho.
Está bom de ver tal medida foi justificada com um pseudo-estudo (e lá de pseudo-estudos já se viu que sabe e até gosta) e foi anunciada numa nota à imprensa como visando conferir maior eficácia à pendência nos tribunais (o que, eventualmente, conseguirá porque as pessoas desistem...).
Do que Sócrates talvez se esqueça é que a CGD, a ser refúgio para políticos, só o é para os licenciados. E talvez um dia ele próprio precise de recorrer ao Tribunal do Trabalho. Isto - claro! - admitindo que sobra algum...