segunda-feira, junho 28, 2010

Dançar o tango com a vida

Quem chega ao meu perfil no face, depara-se com a seguinte apresentação: "Vai correr mal, pergunto com um ar inocente, enquanto entro com uma vela acesa no paiol das munições...". Foi a resposta do meu grande amigo RR, em jeito de comentário e para não me dizer textualmente "tu estás perdida", a uns episódios que lhe estava a relatar. Definitivamente, sou eu.
E, também em definitivo, o paiol pode mudar, as munições divergirem, mas eu sou sempre a mesma e, embora de formas diversas, faço sempre a mesma coisa.
Neste Sábado contei o que fiz aquando do início do meu relacionamento com o Mister Big: no dia seguinte entrei pela faculdade dentro empunhando um livro cujo título era "Foi ontem e já me esqueci...". Que homem resiste a uma coisa destas? E a resposta é também sempre a mesma: alguém que seja feito da mesma massa.

domingo, junho 27, 2010

Eu e o Rodrigo

Entro no Clube de Ténis das Laranjeiras para um programa completamente fora do meu registo: festa dos dois anos da Raquel, filha do Rodrigo. À chegada, ele pergunta-me: "Estás bem-disposta?". Sorrio e atiro: "Como já sabemos que isto vai correr mal, o melhor é divertir-me entretanto".
Ele dá-me inúmeras sugestões de possíveis respostas a perguntas que nunca serão feitas de forma explícita, respostas essas que ambos também sabemos que só darei quando me sentir a um passo do abismo. Eu registo, entre sorrisos, cada uma, convicta que, de facto, chegará a altura em que as terei de atirar à cara do Mister Big.
Hoje acordei a pensar nisto. Nisto, no facto de o mesmo Rodrigo ter dito uma frase que me define na íntegra e ainda noutra conversa que tive com a minha professora preferida de sempre. Disse-me que eu era a Sofia, do Aparição, enquanto me avisava que ela não acabou bem. Devo ter estado durante esta noite a puxar as gavetas da memória, pois acordei a pensar que a respectiva irmã também não acabou bem. Mal por mal, independentemente do fim (e, como se sabe, o final é sempre igual, acabamos todos deitados da mesma forma, numa qualquer sala, em exposição...), ao menos que a viagem até lá valha a pena.

sexta-feira, junho 25, 2010

Há dias assim...

Dias em que, de repente, me esqueço completamente da desgraça que grassa na minha vida e me entrego ao que estou a fazer naquele momento. Podia ser a dançar no meu eterno Plateau mas, por mero acaso, aconteceu hoje mesmo no Tribunal do Trabalho.
Curiosamente, este dia ergueu-se sobre uma noite onde ocorreu uma singular conversa. Uma conversa que me pareceu completamente honesta entre duas almas que aprenderam a relacionar-se no meio de meias-verdades, uma profunda desconfiança e o fosso criado por uma multidão. Uma conversa onde se falou de nós, penso que pela primeira vez na nossa vida. Hoje acordei a pensar que os socos que doem mais não são os físicos. E, portanto, sim, tu estás perdoado. Já o S. nunca o estará. Coisas da vida. Há dias assim. Há outros em que temos momentos infelizes. Nós os dois já vivemos ambos. Talvez por isso eu consiga achar um saldo francamente positivo nesta nossa relação tão atípica.

terça-feira, junho 22, 2010

Pensamento do dia

Nunca se deve confiar num homem que usa o mesmo perfume há anos.
Provavelmente é a única coisa a que consegue ser fiel.

segunda-feira, junho 21, 2010

Esta vida é um lugar estranho...

Morreu Saramago e a selecção deu sete a zero à Coreia. Contudo, não obstante a espuma destes dias, ainda dou por mim a pensar na mensagem que me fez descer ao chão. À medida que as horas vão passando, a minha ténue racionlaidade vai-me dando sinais de que se tratava de um sonho impossível. Um sonho impossível não equivale a um sonho menos sentido, como é óbvio. Tem, apenas, a enorme vantagem de não nos permitir o eterno pensamento masoquista do "e se...". Não há se. Não há nada.
Talvez por isso, quando reabri o Retrato de Dorian Gray (e este é apenas um dos muitos livros que me marcou e que presumo que o Senhor S. nem sequer saiba que existe...), uma frase do Óscar levou-me a um outro pensamento: "só se deve conhecer pessoas até à superfície. A partir daí estamos por nossa conta e risco". Eu estive por minha conta e risco. E, tal como na canção de que eu tanto gosto:
"Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi".
E agora? Agora é levantar a cabeça, olhar para este sol e pensar que, se há quatro meses, eu vivia sem ele, agora também tenho de conseguir.

terça-feira, junho 15, 2010

Ela.

Lida uma mera mensagem escrita, eis que se instala de novo.
Deus ou alguém por ele sabe que eu acreditei. Acreditei neste sonho com todas as forças que tive. E, mais uma vez, o sonho dissipou-se e fiquei confrontada única e exclusivamente com mais um fracasso. Lembrei-me agora que podia acrescentar às minhas colecções os fracassos. Estilo: "Fazes colecção de quê? De madrastas, de frases e de fracassos.". Tenho uma pilha de fracassos sempre prontos a assolar-me nas piores horas. E agora somo mais este.
Claro que chorei. Chorei como sempre choro, imensas lágrimas a correrem-me pela cara e alguns sorrisos de permeio. E chorei sabendo que a depressão vinha aí.
Percebo agora que qualquer sonho que eu possa ter é inútil. A minha vida será exactamente o que tem sido. Ninguém - e muito menos eu própria - pode fazer alguma coisa para me afastar deste caminho, traçado há demasiado tempo. Correram sobre mim demasiadas horas, demasiados minutos, milhões e milhões de segundos. Correram sobre mim e não me deixam recuar. Estou cada vez mais "animal de palco", destruída por dentro, mas de grande sorriso nos lábios. Atingi um estatuto tal que já nem consigo chorar em paz. Será que ainda alguém acredita que terei um destino diferente daquele que sempre imaginei meu?