(Há uma explicação para vir aqui duas vezes. Os filhos da Paula e da Ana Bela saíram agora cá de casa e eu, acto contínuo, mandei uma mensagem ao meu pai a dar-lhe conta de que, caso queira netos, é melhor ir cravar os outros três que eu ia dar em louca se engravidasse. Credo, em cada mãe deve haver uma super-mulher porque eu estou exausta!)
Excertos - Natália
"Rui - Parabéns.
Natália- Olá, Sua eminência. Não fiques triste. Do lado de cá das trincheiras a merda é a mesma. Só as moscas é que mudaram.
Rui - O que queres dizer?
Natália - Que depois do champanhe nada mais restou.
Natália- Tu baralhas-me.
Natália - Tens mais sorte que eu. A mim, tu enojas-me."
"Miguel - Pare de ser infantil.
Natália - Eu não quero ser infantil. Já me contentava com menos sete anos".
" Miguel - Vamos ao Guincho.
Natália - Ok. Deixe-me só recorrer ao milagre da maquilhagem porque isto vai ser duro.
Miguel- Duro porquê?
Natália - porque o caminho é sempre mais duro quanto é feito a sós. Especialmente se for no meio de uma multidão porque temos companhia e perdemos o direito de dizer que estamos sós.
Miguel- Está de fazer chorar as pedras da calçada.
Natália - Pedras? Ya. Como vê, no fundo sou uma boa católica. Sigo o caminho que Jesus mandou: o das pedras.
Miguel - Se não der mostras de um limiar mínimo de lucidez eu próprio ligo ao seu pai.
Natália - Boa viagem. Primeiro vai ter de lhe explicar que eu existo.
Miguel- Não seja louca.
Natália Não existem loucos. Existem é dissidentes."
" Hugo - É verdade que dormiste com o Miguel?
Natália - É verdade que dormi com mais gajos do que os que vêm na Biblia. E culpo-me? Imenso. Todos os dias. Mas não o suficiente.
(...)
Natália - Ouve, nós f... três vezes. Enxuto o suor, já nada sabes de mim. E prefiro que assim seja.
Hugo - Vais embora? O que se passa? A chama apagou?
Natália - "O que é que isso me importa?/ O gelo que trago dentro/ gela e corta/ tudo o que é sonho e graça na mulher.
Hugo - O que é isso?
Natália - Flobela Espanca. Se fosse o resultado do Porto - qualquer coisa já sabias. Adeus.
Hugo - Se saires por aquela porta nunca mais entras.
Natália - Promessas."
"Natália - O teu parece ser interessante. O meu é um velho conhecido. Acho que saíste a lucrar.
Ana - Só porque é um desconhecido?
Natália - Os desconhecidos não são nem melhores, nem piores do que os outros. Enquanto não os conheces fica a dúvida e, nesse curto espaço de tempo, talvez valha a pena acreditar".
Manel - Natália, não achas que já chega?
Natália - Estás preocupado com o mau-aspecto?
Manel - Não, estou preocupado contigo.
Natália- Claro. Mas quando eu acordava contigo a enrolar charros ao meu lado estava tudo bem.
Manel - Não comeces?
Natália - "Mas porque raio eu não posso começar nada se tu acabas tudo?"
"Natália - Sabes a diferença entre o circo e o Plateau 4ª f. à noite? É que no circo os palhaços não se metem contigo."
" Nuno - Contigo era tudo ou nada. Eu não sou capaz de tudo, por isso é nada.
Natália - Sabes qual é o teu problema? É que tu és capaz de tudo mas não arriscas nada."
"Manel - Podes dar-me refúgio político que a Mafalda está a dar comigo em doido e eu não quero divorciar-me já?
Natália - Vem. claro. Mas será que podias trazer comida?
Manel- Mas tu não vais ao supermercado como uma mulher normal?
Natália - Não. Detesto carrinhos de supermercado - são os veículos mais caros que conheço".
" Manel - Posso entrar?
Natália - Primeiro a comida. Foste ao supermercado, certo?
Manel - Errado mas vou-me redimir. Convido-te para jantar.
Natália - E não gozamos o prazer de comer na minha casa?
Manel - Tua?
Natália - O divórcio foi hoje. Fiquei com a casa.
Manel - Mas porque raio ficaste tu com a casa?!
Natália - Porque sou uma óptima dona de casa. Cada vez que me divorcio fico sempre com a casa.
Manel - O conceito de família não te diz nada?
Natália - Claro que sim. Sou o mais possível a favor das famílias grandes. Cada mulher deve ter, pelo menos, dois ex-maridos".
Hugo - Afinal de que estilo de homens é que tu gostas?
Natália - Daqueles que vão para Paris com cinco eutos no bolso.
Hugo - Oh minha vaca, o que é que pensas que estás a fazer?
Natália - A comprar comida? Devias saudar-me por este sacrifício.
Hugo - E pensar que casei contigo e vivemos juntos.
Natália - Nós não vivemos juntos. Ocupámos a mesma jaula.
Hugo - És uma perfeita besta. Maldita a hora que te conheci. O que é que vais fazer a seguir? Lixar-me ainda mais a vida?
Natália - Detesto desiludir-te mas estou inocente desta vez. E, quanto a matar-te, só se fosse com requintes de malvadez mas isso ia exigir-me imenso trabalho porque estás muito gordo.
Hugo - Gordo? Eu?
Natália - Sabes como é que te livras de 94 quilos de gordura inútil? Pedes o divórcio. Foi o que eu fiz e agora sai-me da frente".
Miguel - Venha a minha casa. Não confia em mim?
Natália - Não. O último lampejo de lucidez manda-me não confundir. E há toda a questão moral inerente mas estou-me a marimbar nessa.
Miguel - Querida, como diz o seu escritor preferido, o inferno são os outros.
Natália - Está errado. O inferno somos nós.
Miguel - Para quê ser normal se pode ser extraordinária?
Natália - Extra ... ordinária?!
Miguel - Só Jesus Cristo era perfeito e viu-se no que deu".
E sim, desta vez a história sai. Antes do código anotado.