domingo, agosto 20, 2006

Depois de um p... outro P.

Porque, se mesmo nos piores momentos, há sempre uma saída, agora é tempo de celebrar a vida.

Sem querer fazer publicidade à tmn, até já.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Deixa-me rir

"Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do Sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender
Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor
Pois é , pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira
Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso
Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante
Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira"
Rui Malheiro e Tiago Leitão

Como a minha vida dava um filme (e espero que dê uma mera história), após estes anos e num dia em que vejo tudo nublado por causa da directa que trago no corpo, dou de caras contigo. Era o que faltava para tudo adquirir os contornos de surrealismo por que a minha existência se pauta.
Mal te reconheço. Na nossa competição mortífera, só me ganhavas na tua evidente beleza. Eras lindo e, talvez por isso, nunca te esqueci inteiramente. Tenho muita dificuldade em lembrar-me do que dizias mas ainda guardava na memória cada milimetro do teu corpo. Mesmo tendo vindo a descobrir depois que há quem seja tão melhor que tu no que realmente interessa, não me consegui nunca esquecer dos teus olhos, do teu sorriso de miúdo, dos ombros largos que me ampararam tantas vezes, da força que tinhas para me pegar ao colo e levar onde fosse preciso. De todas as jarras a que alude o M, tu eras a que eu sempre cobicei voltar a ter. Talvez por isso mesmo é que eu tivesse sido sincera quando te disse (e já lá vão tantos anos...) que desejava que os nossos putativos filhos herdassem a tua beleza e a minha cabeça.
Sinto-me um caos, curvada pelo cansaço que é extremo, vou de olhos no chão. E esbarro em ti. Estás uma lástima. Gordo, careca, sem brilho nos olhos. Tenho dificuldade em reconhecer o rapaz que me agarrou aquela noite no Alcantara Mar e nem consigo imaginar que foste o meu grande objecto de adoração. Credo, H., como é que o tempo te castigou, levando-te o que tinhas de melhor? Como é nesta história eu acabo mais bonita que tu, mesmo após uma noite de cigarro atrás de cigarro, red bull para não dormir e papeis por todo o lado?
Citando aquela música da Marisa Monte que eu adoro, o que é que a vida fez à tua vida? E o que não ia fazer eu à minha se por acaso tu não tivesses decidido que umas merdas de roupa de marca valiam mais do que nós dois?!
Apesar de tudo, apesar da imensa raiva que nutri por ti, o que nunca te conseguirei dizer é que, a existir, o teu deus tratou de fazer justiça poética. Estou melhor conservada que tu. Os teus antigos amigos são agora muito mais meus. Tirei-te cargo após cargo e ganhei-te tudo o que havia para ganhar, mesmo sem saber que me batia contra ti. Uso marcas no meu quotidiano que nunca poderás pagar ( e pensar que me trocaste por umas peças miseráveis da Polo e afins...).
Espero que tenhas saboreado o momento. Como sabes, sobrevivi. Estou para dar e durar.
E, por isso, olhando agora para ti, só me resta rir. Porque, como diz o meu primo da Maçonaria em tom de gozo, "os designios do Senhor são insondáveis". Mas, honra lhe seja feita, aqui ele esteve esteve bem. Muito bem.
Credo, H., não podendo herdar a tua inteligência por manifesta inexistência de objecto, se tivesse herdado a tua beleza tinha o destino contado.
Deixa-me, portanto, rir. O que seguramente nunca mais vou sequer pensar é que entraste em mim. Sob todos os aspectos.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Venham ver o paraíso


É mesmo para aqui que eu vou...
Mas o título não me lembra só esta praia.
É o nome da primeira história que escrevi.
É o nome de um filme com Vincent Perez, aquele homem fabuloso. Daqueles que nunca devem abrir a boca porque ficam melhor calados.

Closer...

Eu podia ter escrito isto. Mas também podia ser parte nisto.


"Dan: Didn't fancy my sandwiches?
Alice: Don't eat fish.
Dan: Why not?
Alice: Fish piss in the sea.
Dan: So do children.
Alice: Don't eat children either. "


"Dan: It's not safe out there.
Alice: Oh, and it's safe in here? "

"Dan: You love her like a dog loves its owner.
Larry: And the owner loves the dog for so doing.
Dan: You'll hurt her. You'll never forgive her.
Larry: Of course I'll forgive her. I *have* forgiven her. Without forgiveness we're savages. You're drowning. "

"Anna: Why are you dressed?
Larry: Because I think you may be about to leave me and I don't want to be wearing a dressing gown."

"Alice: No one will ever love you as much as I do. Why isn't love enough?"

"Alice: How can one man be so endlessly disappointing?
Dan: That's my charm."

" Anna: I don't kiss strange men.
Dan: Neither do I."

"Anna: I'm sorry you're...
Larry: Don't say it! Don't you fucking say you're too good for me. I am, but don't say it"

"Larry - Alice, tell me something that's true.
Alice: Lying's the most fun a girl can have without taking her clothes off - but it's better if you do."

"Dan: At six, we stand round the computer and read the next day's page, make final changes, put in a few euphemisms to amuse ourselves...
Alice: Such as?
Dan: "He was a convivial fellow" - meaning he was an alcoholic. "He valued his privacy" - gay. "He enjoyed his privacy" - raging queen.
Alice: What would my euphemism be?
Dan: She was... disarming.
Alice: That's not a euphemism.
Dan: Yes, it is. "

E isto podia mesmo ser eu...

"Larry: So Anna tell me your bloke wrote a book. Any good?
Alice: Of course.
Larry: It's about you isn't it?
Alice: Some of me.
Larry: Oh, What did he leave out?
Alice: The Truth"

"Alice: I'm not a whore.
Larry: I wouldn't pay."

"Alice: Where is this love? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words.
Larry: You don't know the first thing about love, because you don't understand compromise. "

"Larry: Is he a good fuck?
Anna: Don't do this.
Larry: Just answer the question! Is he good?
Anna: Yes.
Larry: Better than me?
Anna: Different. Larry: Better?
Anna: Gentler.
Larry: What does that mean?
Anna: You know what it means.
Larry: Tell me!
Anna: No.
Larry: I treat you like a whore?
Anna: Sometimes.
Larry: Why would that be?"

"Larry: You still pissing about on the net?
Dan: Not recently.
Larry: I wanted to kill you.
Dan: I thought you wanted to fuck me.
Larry: Don't get lippy."

"Larry - Are you flirting with me?
Alice: Maybe.
Larry: Are you allowed to flirt with me?
Alice: Sure.
Larry: Really?
Alice: No, I'm not. I'm breaking all the rules.
Larry: You're mocking me!"

"Dan: Do you have any children?
Anna: No.
Dan: Would you like some?
Anna: Yes, but not today."

"Anna: : I don't want trouble.
Dan: I'm not trouble.
Anna: You're taken.
Dan: I've got to see you.
Anna: Tough.
Dan: You... KISSED me!
Anna: What are you - TWELVE?"

"Dan: What's so great about the truth? Try lying for a change, it's the currency of the world"

terça-feira, agosto 15, 2006

O Clube dos Poetas Mortos

"A verdade é como um cobertor que deixa sempre os meus pés gelados. Tu podes pontapear, bater, e ele nunca vai chegar. Tu puxas, esticas, e ele nunca cobre ninguém. E desde o momento em chegamos chorando até o momento em que partimos morrendo, ele só vai cobrir o teu rosto, enquanto tu gemes, choras e gritas."

Embora ultimamente o filme da minha vida seja o "Era uma vez na América", foi aquele que mudou a minha vida. Comecei por adorar o Neil e, fruto do fluir do tempo, transferi esse sentimento para o CHarlie "Nuwanda". Nas noites em que me senti a vertigem do abismo e quase me deixei enfeitiçar, foi o Carpe Diem o que me fez suster a queda. Em vez de ser um Neil, tentei ser uma Nuwanda. Exercer o meu direito a não andar quando me sugerem fazê-lo. Escolher o caminho mais difícil e não ser delatora. Levantar-me, por os pés em cima da mesa e atrever-me a ver o mundo de outro prisma. E, pese embora tenha perdido o hábito de subir para cima de mesas (as RGA's e o Bugix ficaram lá atrás), gosto de pensar que ainda posso ter a ousadia de vislumbrar para além do óbvio.
No mais, a verdade é mesmo um cobertor que não estica. O que me vale é que ainda é Verão e a mentira não é minha.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Histórias (des) encantadas

(Há uma explicação para vir aqui duas vezes. Os filhos da Paula e da Ana Bela saíram agora cá de casa e eu, acto contínuo, mandei uma mensagem ao meu pai a dar-lhe conta de que, caso queira netos, é melhor ir cravar os outros três que eu ia dar em louca se engravidasse. Credo, em cada mãe deve haver uma super-mulher porque eu estou exausta!)

Excertos - Natália

"Rui - Parabéns.
Natália- Olá, Sua eminência. Não fiques triste. Do lado de cá das trincheiras a merda é a mesma. Só as moscas é que mudaram.
Rui - O que queres dizer?
Natália - Que depois do champanhe nada mais restou.
Natália- Tu baralhas-me.
Natália - Tens mais sorte que eu. A mim, tu enojas-me."

"Miguel - Pare de ser infantil.
Natália - Eu não quero ser infantil. Já me contentava com menos sete anos".

" Miguel - Vamos ao Guincho.
Natália - Ok. Deixe-me só recorrer ao milagre da maquilhagem porque isto vai ser duro.
Miguel- Duro porquê?
Natália - porque o caminho é sempre mais duro quanto é feito a sós. Especialmente se for no meio de uma multidão porque temos companhia e perdemos o direito de dizer que estamos sós.
Miguel- Está de fazer chorar as pedras da calçada.
Natália - Pedras? Ya. Como vê, no fundo sou uma boa católica. Sigo o caminho que Jesus mandou: o das pedras.
Miguel - Se não der mostras de um limiar mínimo de lucidez eu próprio ligo ao seu pai.
Natália - Boa viagem. Primeiro vai ter de lhe explicar que eu existo.
Miguel- Não seja louca.
Natália Não existem loucos. Existem é dissidentes."

" Hugo - É verdade que dormiste com o Miguel?
Natália - É verdade que dormi com mais gajos do que os que vêm na Biblia. E culpo-me? Imenso. Todos os dias. Mas não o suficiente.
(...)
Natália - Ouve, nós f... três vezes. Enxuto o suor, já nada sabes de mim. E prefiro que assim seja.
Hugo - Vais embora? O que se passa? A chama apagou?
Natália - "O que é que isso me importa?/ O gelo que trago dentro/ gela e corta/ tudo o que é sonho e graça na mulher.
Hugo - O que é isso?
Natália - Flobela Espanca. Se fosse o resultado do Porto - qualquer coisa já sabias. Adeus.
Hugo - Se saires por aquela porta nunca mais entras.
Natália - Promessas."

"Natália - O teu parece ser interessante. O meu é um velho conhecido. Acho que saíste a lucrar.
Ana - Só porque é um desconhecido?
Natália - Os desconhecidos não são nem melhores, nem piores do que os outros. Enquanto não os conheces fica a dúvida e, nesse curto espaço de tempo, talvez valha a pena acreditar".

Manel - Natália, não achas que já chega?
Natália - Estás preocupado com o mau-aspecto?
Manel - Não, estou preocupado contigo.
Natália- Claro. Mas quando eu acordava contigo a enrolar charros ao meu lado estava tudo bem.
Manel - Não comeces?
Natália - "Mas porque raio eu não posso começar nada se tu acabas tudo?"

"Natália - Sabes a diferença entre o circo e o Plateau 4ª f. à noite? É que no circo os palhaços não se metem contigo."

" Nuno - Contigo era tudo ou nada. Eu não sou capaz de tudo, por isso é nada.
Natália - Sabes qual é o teu problema? É que tu és capaz de tudo mas não arriscas nada."

"Manel - Podes dar-me refúgio político que a Mafalda está a dar comigo em doido e eu não quero divorciar-me já?
Natália - Vem. claro. Mas será que podias trazer comida?
Manel- Mas tu não vais ao supermercado como uma mulher normal?
Natália - Não. Detesto carrinhos de supermercado - são os veículos mais caros que conheço".

" Manel - Posso entrar?
Natália - Primeiro a comida. Foste ao supermercado, certo?
Manel - Errado mas vou-me redimir. Convido-te para jantar.
Natália - E não gozamos o prazer de comer na minha casa?
Manel - Tua?
Natália - O divórcio foi hoje. Fiquei com a casa.
Manel - Mas porque raio ficaste tu com a casa?!
Natália - Porque sou uma óptima dona de casa. Cada vez que me divorcio fico sempre com a casa.
Manel - O conceito de família não te diz nada?
Natália - Claro que sim. Sou o mais possível a favor das famílias grandes. Cada mulher deve ter, pelo menos, dois ex-maridos".

Hugo - Afinal de que estilo de homens é que tu gostas?
Natália - Daqueles que vão para Paris com cinco eutos no bolso.

Hugo - Oh minha vaca, o que é que pensas que estás a fazer?
Natália - A comprar comida? Devias saudar-me por este sacrifício.
Hugo - E pensar que casei contigo e vivemos juntos.
Natália - Nós não vivemos juntos. Ocupámos a mesma jaula.
Hugo - És uma perfeita besta. Maldita a hora que te conheci. O que é que vais fazer a seguir? Lixar-me ainda mais a vida?
Natália - Detesto desiludir-te mas estou inocente desta vez. E, quanto a matar-te, só se fosse com requintes de malvadez mas isso ia exigir-me imenso trabalho porque estás muito gordo.
Hugo - Gordo? Eu?
Natália - Sabes como é que te livras de 94 quilos de gordura inútil? Pedes o divórcio. Foi o que eu fiz e agora sai-me da frente".

Miguel - Venha a minha casa. Não confia em mim?
Natália - Não. O último lampejo de lucidez manda-me não confundir. E há toda a questão moral inerente mas estou-me a marimbar nessa.
Miguel - Querida, como diz o seu escritor preferido, o inferno são os outros.
Natália - Está errado. O inferno somos nós.
Miguel - Para quê ser normal se pode ser extraordinária?
Natália - Extra ... ordinária?!
Miguel - Só Jesus Cristo era perfeito e viu-se no que deu".

E sim, desta vez a história sai. Antes do código anotado.

As Histórias (Des) encantadas e o eterno Porto-santo

Daqui a uma semana, se a TAP não me boicotar, estarei a aterrar no Porto-Santo. Levo na bagagem uns inconfessáveis quilos de roupa, alguns livros e um caderno em branco.
Já que atirei a Beatriz para o lado, espero que seja desta que escrevo a minha história. A nossa história. A história deste grupo que desconhece este blog mas que sempre me acompanhou. Os rostos de sempre. As mesmas conversas. Aqueles disparates que se dizem apenas porque sabemos que estamos entre amigos. A minha existência tumultuosa porque eu nunca aprendi a jogar pelo seguro e os eternos cuidados deles quando me aproximo demais do abismo.
O Porto-Santo tem funcionado sempre como o meu porto de abrigo. Foi naquele areal que gozei pela primeira vez da fama de ser engraçada. Foi naquele areal que me senti bonita pela primeira vez. Foi naquele areal que passeei com a minha avó. Foi naquele areal que a ideia de sair de casa (e já passou tanto tempo...) me assolou e foi também ali que cresceu dentro de mim um ódio visceral à minha madastra e a um dos meus primos.
Por ironia, nada de verdadeiramente importante me aconteceu naquela ilha. Nunca me apaixonei lá. Nada despertou a minha atenção. Nunca dei por mim lá naquelas fases em que só queria dançar e esquecer o que me rodeava. Não foi palco daqueles meus ataques de loucura em que me ria até chorar ou em que chorava até me rir. Passou-lhe ao lado o desmoronar da minha grande paixão e a minha doença. Ninguém dali assistiu à célebre conversa com o meu João que mudou a minha vida e, no âmbito da qual, ele me explicou que o meu modo de vida tinha os dias contados e que, se eu não quisesse um destino a tender para a novela mexicana, talvez não fosse má ideia travar a fundo e tentar construir alguma coisa de sólido, em vez de me refugiar em relacionamentos que eu própria condenava à partida.
Espero poder vir a dizer que recomecei a escrever na ilha dourada.
(O meu João -aquele que tenho como irmão- e a Patrícia também vêm. Fará lá falta a Ana Bela mas não se pode ter tudo. Dois pares e o meu pai. Se um dia me dissessem que iria estar no Porto-Santo nestas condições acho que não acreditaria.)
Daqui a uma semana estarei de novo na praia. Tomarei banhos de mar, comerei lapas e sopa de tomate e beberei brisas de maracujá umas atrás das outras. Não há nada como estar em casa. E eu sempre achei que uma parte de mim mora lá. Onde posso ser inteiramente livre. Onde me estou nas tintas para tudo e todos. Onde tudo me parece longe, longe demais para sequer me preocupar. Onde a memória da minha avó permanece intocável e me faz companhia.
Lembrei-me agora que nunca dancei lá na praia. Está feito. É este ano. Levarei um dos meus vestidinhos pretos e vou arrastar a Patrícia e uma garrafa de Moet. Talvez eu preferisse dançar com o meu par de sempre (a célebre valsa no Guincho será sempre um episódio memorável) mas já nenhum de nós tem idade ou margem de manobra para isso.

domingo, agosto 13, 2006

À beira dos trinta...

Daqui a uns parcos dois meses e uns dias farei trinta anos. Pese embora os meus amigos tenham sempre conseguido imaginar-me com sessenta anos (não, não era um bom prognóstico... englobava uma madeixa branca, uma bengala de cabo de prata e a mala sempre aberta para subornar os netos deles para irem gritar para longe), nunca me dei ao trabalho de pensar como seria ter esta idade em que não somos carne nem peixe (em rigor, não somos carne nem ossos). Agora que os sinto perto, não acho nada de especial. Com algumas excepções (entre elas, enfim, a celulite e as rugas ridículas perto dos olhos), sinto-me a mesma de sempre.
Desilusões à parte, estou quase igual ao que era. Estranho mundo este!
(Na verdade, estou melhor! Nunca um divórcio me soube tão bem quanto o do meu pai. Citando a máxima do Confucio, a melhor forma de se conseguir uma coisa é desistir dela.)

sexta-feira, agosto 11, 2006

Porque já não ouvia isto há muito tempo...

Sixpence None The Richer
Kiss Me

Kiss me out of the bearded barley.
Nightly, beside the green, green grass.
Swing, swing, swing the spinning step
You wear those shoes and I will wear that dress.
Oh, kiss me
beneath the milky twilight.
Lead me out on the moonlit floor.
Lift your open hand.
Strike up the band and make the fireflies dance,
silver moon's sparkling.
So kiss me.
Kiss me down by the broken tree house.
Swing me high upon its hanging tire.
Bring, bring, bring your flowered hat.
We'll take the trail marked on your father's map.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Marilyn Monroe

Vem desde miúda a minha fixação com a Marilyn Monroe.
Quando olho para as fotografias dela, vejo uma mulher dulcíssima a transfigurar-se na burra que nunca foi. E não deixo de me comover com o destino trágico, irónico e solitário dela. Morreu como viveu grande parte da sua vida: nua e na cama. Mas até para isso ela tinha resposta. Dizia que o sexo nunca tinha feito mal a ninguém (OK, ainda não tinha hipótese de ter tomado contacto com os celébres videos do Taveira e que contrariam esta afirmação).
A Marilyn tinha uma aura imensa, uma luz e um brilho que a faziam parecer etérea, uma beleza infinita. Eu, que sempre preferi as "femme fatale", a linha dura e inacessível, acho-a linda de morrer. E, mais do que isso, é dela um dos meus poemas preferidos.
Obrigado, Marilyn. Não por teres sido essa rábula. Apenas por teres escrito aquelas linhas.
http://www.marilynmonroe.ca/camera/galleries/black/blk39.html

quarta-feira, agosto 09, 2006

A Beatriz que nunca chegou a ser..

Como diz o cantor," tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar".
Em pleno Plateau, dei por mim a pensar numa frase que, numa noite de raiva cega, gritei a um homem: "eu tenho espírito de cigarra e não quero parar de dançar". Vinha isto a propósito, segundo me lembro, de eu ter gasto umas largas centenas de contos em malas, sapatos, maquilhagem e outros bens afins, o que ele (ganhando muito menos que eu) achava uma loucura. O eterno dilema da comuna de óculos escuros da Chanel.
Hoje em dia, as minhas duas almas continuam em guerra. Uma parte de mim quer ser muito organizada. A outra está-se literalmente nas tintas para isso.
A minha faceta organizada, impressionada por casos paralelos, decidiu que iria ter uma filha, chamada Beatriz, a qual estudaria no Colégio Alemão e engataria os filhos dos meus amigos. Pareceu-me sempre um destino feliz para uma criança promissora.
Sem sequer existir, a Beatriz foi ganhando espaço na vida de terceiros, à custa da propaganda que eu fazia (nem que mais não fosse, ameaçando os meus amigos que o meu "rebento" iria partir os corações dos filhos deles).
A noite passada, a minha faceta boémia teve uma vitória importante. Decidiu que eu própria já me assemelho a uma criança, de modo que não é preciso mais ninguém.
A Beatriz - que nunca chegou a ver a luz do dia - ficou encostada a um canto, ao lado de outros projectos que nunca executei.
Provavelmente, era caso para eu estar triste. Não estou. Estou até bastante liberta.
Adeus Beatriz.

quinta-feira, agosto 03, 2006

That's what friends are for...

Olho para ti, sentada quase ao meu lado. Escreves entre lágrimas no teu blog o que eu já teria gritado há muito tempo.
Cold Water, somos, de facto, muito diferentes. Tomaste a decisão de teres um filho em condições que me teriam feito repudiá-lo. Aceitaste uma viagem sem regresso quando eu nunca teria saído do cais de embarque e tomaste entre braços um ser que se tornou o centro da tua vida.
Talvez nunca te consiga dizer a viva voz que tenho um incomensurável orgulho de ti. Talvez nunca te consiga dizer que, independentemente de com quem durmas ou com quem f..., te acho muito superior à maior parte desta gentinha que se julga acima de todas as críticas. Tu fazes o que o teu coração vai ditando e isso é muito mais genuíno do que uma qualquer lealdade cimentada por inércia. O teu caminho pode ser árduo mas, seguramente, não é obra de alguém maquiavélico que canaliza toda a sua energia em truques de meia-tijela, em esquemas estranhos, em desejos sombrios e esconços.
Por isso, pelo que está aqui (e pelo que não está), digo-te que não deixes que te digam o oposto.
Lá está... Não te consigo dizer. Por isso: peço-te para leres.
E dá um beijo ao meu sobrinho João que não tem culpa do pai que tem.

terça-feira, agosto 01, 2006

Já dançaste com o diabo ao luar?

Por razões que não relevam, dei por mim a recordar as noites em que dancei no Guincho, embalada pelo mar, movida por Moet e acompanhada pelo Homem dos olhos azuis. Vim aqui dar. E, volvidos estes anos, sei a resposta para a pergunta que ele me fez. Dancei, de facto. Mas ele não estava lá. Tal como dizia Sartre, o inferno são os outros. E, do ponto de vista dele, eu fui o inferno que ele nunca adivinhou.
O meu inferno? O meu inferno é o tempo. É andar a correr para a morte sem ter tempo para dançar a vida. O meu inferno? O meu inferno foram as rugas dele ao alcance do meu olhar, o medo que senti de envelhecer só por estar ali. O meu inferno foi o de querer ser estrela e não caberem duas no mesmo firmamento.