quinta-feira, abril 22, 2010

Entre o garota nacional e o Ok, do you want something simple...

Se há música que os meus amigos associam à minha vertente mais fútil e esteta, é o garota nacional. Por um lado, porque eu saía à noite recorrentemente de vestido preto e dançava esta batida como se o mundo acabasse amanhã, cigarro numa mão, copo na outra e um enorme sorriso nos lábios. Por outro, porque, de facto, do meu grupo de amigos sempre fui a que preenchi mais o imaginário dessas criaturas estranhas a que se convencionou chamar homens.
Nos dias que correm acho muito curioso que a miúda tímida que fui, cujo principal objectivo era passar despercebida, de repente tivesse um salto nesta direcção das luzes e ribalta. Pensando melhor, eu não saltei: fui empurrada. Uma vez sem chão tentei fazer deste salto um grande espectáculo. E, so far, tem sido.
Acontece que eu não perdi a minha timidez. Pelo contrário, foi-me tragando viva. Quanto mais mostrava o corpo, mais tentava esconder a alma. E consegui.
Daí a segunda das músicas. Associo sempre esta música a um período em que estive mesmo à beira do abismo. Cada vez que me via ao espelho, deparava com um olhar vazio, um total gelo (deu até direito a que um dos nossos amigos comuns perguntasse ao Rui M se não se sentia gelado quando me beijava). Na vida, nada é simples, nada é preto ou branco, nada é linear.
Talvez por isso eu consiga gostar tanto do Garota Nacional e, ao mesmo tempo, d' O canto dos cisnes.

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