segunda-feira, setembro 20, 2010

O meu eufemismo

Xaxão: Então e qual é o meu eufemismo?
MRS: Desarma qualquer um.
Xaxão: Isso não é um eufemismo.
MRS: É, sim.

sábado, setembro 18, 2010

Passaram uns dias e a dor atenuou-se. Não ao ponto de esquecer o olhar. Não ao ponto de as lágrimas terem deixado de correr. Não ao ponto de ter conseguido ultrapassar. Não ultrapassei. Limito-me a contornar. Contorno este fracasso, vestida e penteada como uma Barbie, de cigarro na mão e sem qualquer réstea de esperança que me permita esboçar um sorriso genuíno.
Se vou sobreviver? Claro. Se o vou conseguir fazer sem encerrar em mim ainda mais mágoa e dor? Não, claro que não. Estou cada vez mais condenada a este destino de teatro e a ser a tal boneca que todos querem levar para a cama mas nenhum para a vida.

segunda-feira, setembro 13, 2010

A história da minha vida

Seria um diálogo bom para a história que estou a escrever (sucede que, infelizmente, é a história da minha existência...):
RR - Então?
Xaxão: Então?! Basicamente é isto: quando o gajo que me bate está em 3º lugar no ranking dos piores, está tudo dito.

Mais uma (des) ilusão

Todos os sinais me indicavam que eu deveria ter fugido. Como sempre, não fugi. Dei o salto em frente e ri-me para o abismo. Ri-me e depois chorei.
Desta queda, enormíssima, podia ter resultado um filho. Em vez disso, resultou uma enorme poça, um rasto de sangue. E a mais total solidão. No fundo, tudo se resume a isto: estamos sempre sós... Na minha solidão, as pessoas acotovelam-me. Na minha solidão, as pessoas não se calam. Na minha solidão, houve sempre muita dor. A grande diferença é que até agora nunca tinha havido sangue.
Obrigado, Pedro. De facto, foste uma experiência única. Espero que irrepetível.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Mais outra para a história...

-Você quer-me convencer do oposto mas, pelo seu tom de voz, a verdade é que você me parece cada vez mais perdida.
- Já nos conhecemos há tantos anos e ainda não sabe que eu acredito piamente que as mulheres perdidas são as maiores procuradas?!

Para as "Histórias"

Toca o Tlm. Atendo. Tom de voz n.º 31.
Toca o Tlm. Atendo. Sorriso daqueles tão fortes que se sabe que só visa estancar um mar de lágrimas.
Toca o Tlm. Atendo. Conversa de circunstancia que também só visa fazer aquilo em que eu sou tão boa: levantar o muro entre mim e o mundo.
Toca o Tlm. Grito: "Mas que merda!" É o meu lindo J, de 5 anos. A "namorada" dele foi à vida e quer colo. Quer colo numa altura em que só me apetece ter colo.
Dentro de mim ecoam as palavras do P., a dizer-me que tenho de me resguardar. Como é que eu posso fazer isso se o que trago dentro de mim neste momento é tão pior do que o choro desta criança? Se a voz dele, pela inocência, me acalma e me faz acreditar que, apesar de estar tudo ao contrário, ainda há uma hipótese de alguma coisa acabar bem?