quinta-feira, abril 22, 2010

Entre o garota nacional e o Ok, do you want something simple...

Se há música que os meus amigos associam à minha vertente mais fútil e esteta, é o garota nacional. Por um lado, porque eu saía à noite recorrentemente de vestido preto e dançava esta batida como se o mundo acabasse amanhã, cigarro numa mão, copo na outra e um enorme sorriso nos lábios. Por outro, porque, de facto, do meu grupo de amigos sempre fui a que preenchi mais o imaginário dessas criaturas estranhas a que se convencionou chamar homens.
Nos dias que correm acho muito curioso que a miúda tímida que fui, cujo principal objectivo era passar despercebida, de repente tivesse um salto nesta direcção das luzes e ribalta. Pensando melhor, eu não saltei: fui empurrada. Uma vez sem chão tentei fazer deste salto um grande espectáculo. E, so far, tem sido.
Acontece que eu não perdi a minha timidez. Pelo contrário, foi-me tragando viva. Quanto mais mostrava o corpo, mais tentava esconder a alma. E consegui.
Daí a segunda das músicas. Associo sempre esta música a um período em que estive mesmo à beira do abismo. Cada vez que me via ao espelho, deparava com um olhar vazio, um total gelo (deu até direito a que um dos nossos amigos comuns perguntasse ao Rui M se não se sentia gelado quando me beijava). Na vida, nada é simples, nada é preto ou branco, nada é linear.
Talvez por isso eu consiga gostar tanto do Garota Nacional e, ao mesmo tempo, d' O canto dos cisnes.

quarta-feira, abril 21, 2010

A voragem...

Como nunca tenho nada para fazer (e o conjunto dos nadas que faço determminou que ontem estivesse no escritório até às cinco da matina e hoje de regresso pelas nove e meia), aceitei candidatar-me a um lugar, não interessa onde.
Deve existir alguma explicação metafísica acerca do que me leva a meter-me nessas coisas mas, assim de repente, não me ocorre nenhuma...

segunda-feira, abril 19, 2010

Ser ou não ser...

Quando se tem duas almas em guerra e se desconfia que nenhuma vai ganhar, existem duas formas de lidar com a situação:
a) fugir enquanto ainda se pode;
b) continuar a caminhar para o abismo, de preferência com um sorriso nos lábios.
Obviamente que escolho a segunda, sabendo que do riso nascerão, a seu tempo, as lágrimas. Nunca consegui resistir ao apelo do perigo, ao jogo das emoções ainda que saiba que é uma roleta russa em que obviamente não posso ganhar... Talvez eu seja mesmo a tal vela ao vento, cuja força a aviva mas também a pode apagar.
Vi no facebook umas fotos minhas, das Anas e do Mateus, num jantar em 2003. Todos tão mais novos que é quase assustador confrontar-me com a vertigem do tempo. Estamos todos mais velhos, mais velhos, mais cansados. E, mal por mal, prefiro que o meu desgaste seja sinónimo de que vivi intensamente... Cada minuto da minha vida como se fosse o último. Um dia acertarei.

quinta-feira, abril 15, 2010

November rain...

Nos momentos de aperto, aqueles em que a tristeza me leva nos seus braços, oiço quase sempre as mesmas músicas. Para além do Cara de Anjo Mau, do Ok, Do you want something simple e, mais recentemente, do Fix you, o November rain está quase sempre lá.
Não é Novembro mas chove. Dentro de mim tenho um turbilhão de sentimentos, prestes a explodir. Quando fecho os olhos a única coisa em que consigo pensar é que nunca estive tão lúcida como quando tinha catorze anos e em mim ecoava a certeza de que isto não ia correr muito bem. Não correu. Não corre. Não correrá. Ninguém pode realmente contrariar a sua natureza. Eu não posso contrariar a minha natureza. E, não o pondendo fazer, condenei-me a um futuro de uma solidão tenebrosa.
Cheguei à conclusão que quase que tive mais homens do que os que vêm na Biblia. E arrependo-me? Muitíssimo. Mas não o suficiente.
Cheguei à conclusão que, por mais doce que uma paixão possa ser, eu não nasci para ser a mulher de ninguém, ainda que isso possa representar aceder a mais dinheiro do que alguma vez ganharei.
Cheguei à conclusão que o meu melhor lado talvez gostasse de ter uma família respeitável e ter filhos e tal mas o meu verdeiro eu acha imensa graça à adapatbilidade da que tenho e encontra um profundo tédio em ser convencional.
Perante isto, parece-me que os próximos passos de cada um têm de ser dados a sós.
Lá se foi o meu sonho de felicidade impossível.

Só a mim...

Levanto-me às cinco da matina e lá vou eu de alfa para o Porto. Chego ao Tribunal e a criatura que diz que é minha colega, para além de violar ostensivamente o art.º 108º do EOA, sai-se com esta pérola:

"Está habituada a ganhar processos à custa do seu físico..."
Olho para ela com um olhar de ódio e a coisa mais inócua que consegui deixar cair foi: "Essa vou deixar passar. Se todos os dias a primeira coisa que eu visse ao espelho fosse a sua cara, também era assim ressabiada...".

Xaxão no seu melhor...

terça-feira, abril 13, 2010

Mais diálogos

"SR - Mas porque é que queres comprar bebés? Esses também berram...
RGP - Berram em estrangeiro e é mais fino..."

segunda-feira, abril 12, 2010

A história repete-se duas vezes

Fecho os olhos, acendo mais um cigarro e assalta-me uma vontade de chorar avassaladora. Passam por mim imagens de momentos de felicidade e partilha incomensuráveis, alturas em que olhámos a vida de frente e soubemos sorrir para ela.
Aquele ataque de riso que me arrancaste no meio das minhas lágrimas. A festa que te fiz, a medo, no cabelo, no único dia que te ouvi lamentar a falta de uma família. A nossa valsa em plena Avenida de Roma. A forma como me amparaste no funeral do Miguel. A tua promessa de me pegares ao colo ao som do Fix You. O teu olhar de esperança quando vesti o vestido cor-de-rosa.
Desapareceu tudo. Tudo. E, por mais que gosto de ti, não te consigo perdoar. Não consigo. Não consigo aceitar que a última imagem tua a que tive direito tenha sido um corpo meio congelado na morgue. O corpo que tantas vezes me abraçou, com quem tantas vezes dancei. Não consigo perdoar que me tenhas deixado cada vez mais só no meio de uma multidão que me acotovela e me rasga a alma.
Dizias tu que eu tinha o dom da vida e que o resto de vocês só estava à procura de um buraco para se esconder. Deixa-me que te diga que muitos dias houve em que só me mantive à tona porque me seguravas o braço. E nem me deste a oportunidade de tentar segurar-te a ti. Não te posso perdoar.

Diálogos

SV- "Eu quero ter, pelo menos, três filhos."
RGP - "Desses todos quantos vais comprar?"

SV - "Tu cantas o hino nacional? Eu só canto às vezes, sou monárquico...
RGP - Pois, eu também. O meu hino principal é a Internacional..."

SV - "Não sonhas casares de branco?
RGP - Já fiz isso. Casei de biquini e era branco".

Os homens da minha vida...

Logo pela madrugada (entenda-se, oito e meia da matina para mim é madrugada, especialmente a uma Segunda-Feira...) diz-me a Dona Rosa: "A Dr.ª tem qualquer coisa de especial porque eles ficam a gostar de si". Podia estar-se a referir a juízes (o que não seria necessariamente mau...) mas aludia aos meus ex's. Sem pensar muito respondo de rajada: "Isso é porque eu sou exótica. Penso como um homem e, contudo, sou mulher. Eles não estão habituados...".
E não é que acho que é mesmo isso?!

segunda-feira, abril 05, 2010

Regresso...

Provavelmente fruto do imenso vazio que me assaltou durante meses, não senti qualquer necessidade de escrever aqui.
Estes meses foram duríssimos, de uma aridez crua e brutal. Perdi pessoas de quem gostava, umas porque a morte as levou para parte incerta, outras porque a máquina irrevogável do tempo não dá tréguas. E não deu. Às vezes, quando me vejo ao espelho, pergunto-me como é ainda consigo ter dentro de mim alguma coisa que se assemelhe ao que o senhor dos olhos azuis chamava "o melhor". O melhor, segundo ele, eram os meus sorrisos, a rebeldia, o facto de ser capaz de tomar medidas de força dentro de um vestido de noite. Era a tal luta de opostos que me permitia citar Simone de Beauvoir dentro de um vestido de noite que me fazia parecer uma boneca oca e fútil, que me fazia dançar como se fosse morrer amanhã e, horas depois, estar sentada na reunião do directivo a reinvindicar direitos.
Para quem tem o condão de mergulhar num extenso mar de lamentações ao menor indício de solidão, estou em crer que me portei melhor do que eu própria esperaria. Não estou certa, porém, que tal seja um bom sinal...