(Estou tão fascinada com ter aprendido a fazer castanhas que todos os dias faço umas quantas. Vim aqui, num intervalo...)
Havia a promessa que julgo recíproca de não se tornarem três dias de julgamento numa tortura para ambos. Eu tinha prometido a mim própria que ia preparar tudo muito direitinho até para não fazer figuras tristes. A ida ao Hospital e a minha ideia fixa de ir para Paris deitaram os meus planos por água abaixo mas acabei por ganhar tempo suficiente para me relembrar das coisas.
Ao meu lado, uma mulher que perdeu quase tudo, chorava a cada instante e quase me fez chorar a mim.
Ainda não acabou e, apesar de julgar que ambos concordamos vagamente no que pode ser a decisão, correu bem. Acho que nunca me ri tanto num julgamento. E, mesmo que perca tudo (o que eu não queria...), já valeu a pena porque houve momentos hilariantes, o que me parecia impossível poder acontecer numa situação daquelas. Foi, no mínimo, original.
E duvido que me consiga alguma vez esquecer da circunstancia de uma pessoa, num mundo chato como este é, me fazer rir ao ponto de eu ter de esconder a cara do juiz, durante interrogatórios a testemunhas.
Obrigada.
(E vou comer a minha obra de arte. Castanhas! Qualquer dia sou mulher para aprender a estrelar um ovo...)
7 comentários:
Este seu post é um grande avanço. Dá para ver que aprendeu que os ovos se estrelam (por contra-ponto a afirmações suas sobre formas de cozinhar que nunca existiram, como por exemplo ter dito que se grelhavam ovos...).
Ultimamente, é só qualidades...
M.
Está a ser injusta para com o juiz - foi ele que abriu as hostilidades com o "vê-ponto-gê ponto...(pausa) deixe lá, escreva: nomeadamente"...
Eu adorei (este verbo, neste contexto, é beto.. como o beijo, eu sei) aqueles três dias, excepto nas partes que não gostei... como por exemplo aquela em que um burro falou nos "anos de cumplicidade e convívio entre as colegas" que ruiram com a entrada do comandante maternal". Até se viu sangue a sair do pé!!!
E quando foi do documento 57 e da relação com o 56??? Não me agradeceu essa!
Beijo
Rita, Rita. Quem te viu e quem te vê... és a mesma rapariga que, uma noite, tentou fazer um bife, pondo-o congelado numa grelha e sem mais nada?!
Cruzes. No dia em que usares a cozinha para algo diferente de fazer café ou chá perdeste-te.
Ao fim de trinta anos consegues fazer castanhas. Aos sessenta fazes o quê: torradas?!!!
Luís.
Folgo em saber que, com excepção do interveniente na dita diligência, toda a gente ignorou ostensivamente o facto de eu me ter divertido imenso num julgamento e não se calam perante o facto - notório, aliás - de eu nunca ter aprendido a cozinhar.
(Luís, Luís, hás-de vir cá pedir para ser tua advogada ou te arranjar um que vais ver a sorte que tens... Ingrato!)
Sim, eu cozinho! Castanhas. Ocasionalmente, café e talvez um chá... Torradas é capaz de ser ainda um risco grande mas quando conseguir venho cá comunicar.
( 1 .º O Juiz, talvez contagiado, no último dia estava imparável. Também gostei da "E tratam do quê, minha senhora? De futebol?". A do doc. 56 foi boa mas a melhor é a resposta "É burra!". Lá se foi a imagem de extrema afabilidade que tinha deixado na 1ª sessão... No mais e sem ironias, ficam-lhe bem esses sentimentos de grande empatia com a constituinte. Talvez por isso, sou bem capaz de aceitar num dos outros processos que venha depor o seu amiguinho. Depois... Depois faço o depoimento durar nunca menos de duas sessões. Numa delas, sou bem capaz de lhe responder que parte dos nomes que ele entretanto me chamou são verdadeiros mas outros há que são falsos. Um depoimento dele é bem capaz de ser mais desastroso. Tinha razão, como vê. No próximo, vem ele.
2 .º A conjugação de factores foi das melhores, de facto. Mas nunca ninguém me tinha deitado a língua de fora num julgamento. Essa é que é essa.
3 .º Mais esclareço - antes que comecem as bocas estúpidas, designadamente do Luís que deve andar distraído ou então foi preso entretanto- que o beijo referido é um beijo de cumprimento e que, justamente por ser apenas um, é hiper-beto.)
Este blog está a ficar um bocado arraial e demasiado virado à direita para o meu gosto. Hum... Só por causa disso, segue post sobre o livro do Santana.
Esses ninguém comenta...
Eu sou do PS, ó parva...
E não ainda não fui preso. Mas não foi pela tua ajuda que me deixaste sozinho... Ingrata és tu!
A tua avó gostava tanto de mim e tu tratas-me mal.
Quanto aos betos... Não eras tu quem se vestia sempre de camisa e usava argolas douradas enormes?!!
Beijos
Luís
Está calado que a minha avó, uma grande senhora, nunca sonhou o género de actividade a que te dedicas. Gostava de ti porque eras giro, eras inteligente e eras educado à frente dela.
Visse ela as coisas que tu fazes e nunca entrarias lá em casa.
Mas, independentemente disso, sabes que podes contar comigo. Até porque eu não esqueço. E tu, podendo ser uma besta e até bagamente perigoso, sempre foste um doce para mim. É a tua sorte. Devo ser das poucas a quem não metes medo.
Beijo
E tem juízo que já tenho clientes a mais.
Mas não tens nenhum que te faça rir tanto como eu...
Luís
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