(Pronto.Sou curiosa até dizer chega. Nenhuma prenda para mim resiste se eu conseguir descobrir onde é que ela está. Resultado: trinta anos depois, já nem sequer as escondem. Só mas dão no exacto minuto em que as devo abrir.)
Fiquei presa numa fila de trânsito dentro do Forúm Almada (exacto, dentro do parque de estacionamento). Como o rádio não funcionava e eu estava a precisar de alento para a minha condução alucinada, tiro o ipod, acendo um cigarro e divirto-me a ouvir coisas tão diferentes como o "Here cames your man", o "Bem que se quis" da Marisa Monte, passando pela área da Manot Lescau que eu amo de perdição. Ao som do Trainspotting, acelerava a fundo na via rápida da Costa.
Sempre associei músicas a episódios da vida, a amigos, a homens (estará aí a razão porque tanto adoro o Plateau?).
Por um mero acaso, decidi também trocar o Chanel n.º 5 que uso há mais de uma década pelo Trésor.
Mais uma vez, o que uma coisa tem a ver com a outra? Para os comuns mortais, nada. Para mim, tudo.
O Trésor tinha aquele anúncio fabuloso com a Isabelle Rossellini que eu adorava mas que nunca admitia porque contrastava com a imagem de marca de "femme fatale" que eu, com uma nuance algo ridícula, decidi que seria a minha (convenhamos, assentou-me quinze anos como uma luva).
Depois deste verão, decidi mandar essa imagem às malvas. Tenho trinta anos. Posso expressar uma qualquer emoção sem deitar tudo a perder. Posso usar um perfume doce. Posso ouvir a música que eu quiser.
E, quem sabe?, pode ser que me conceda o direito a ser feliz.
Na dicotomia do Vergílio Ferreira ("Queres ser feliz ou queres ser interessante? Tens de escolher.", do Para Sempre), eu optei durante anos por tentar ser interessante.
Agora percebo que os que me acharam interessante nunca me estancaram as lágrimas.
6 comentários:
Que injustiça o final do seu post.
Eu acho-a interessante. É uma pessoa fantástica, muito inteligente e divertida. É também muitíssimo bonita e, apesar de baixa e magra, "cresce" quando entra numa qualquer sala. Escreve bem, dança maravilhosamente. Acima de tudo, é íntegra e honesta.
Mas, por breves instantes, passam-lhe nuvens na cabeça e "vai tudo a eito". Limpei-lhe muitas lágrimas, como se lembrará. E não fui caso único.
Tem todo o direito a ser feliz (embora a sua personalidade tenda para a permanente insatisfação). Mas não deixe de ser interessante, por favor, que este país está repleto de pessoas insípidas e sensaboronas.
M.
PS (D) - Já anda a ler outros ivros ou deixou de achar graça ao que nunca teve?
Nem toda a gente te dá as prendas no exacto minuto em que as deves abrir. Eu ainda não te dei a minha. A versão oficial é de que estou a tentar re-instituir a troca de prendas no dia de Reis. :-)
Concordo com o M. A última frase não está nada bem. Se tivesses escrito "os que apenas me acharam interessante", teria ficado mais próxima da realidade. Duvido que alguém que te conheça te possa achar desinteressante, o que não invalida que os teus Amigos achem que és muito mais do que interessante. E por favor não te tornes desinteressante! Estou tão farta de gente aborrecida, e todos iguais uns aos outros!...
M's :
"Vai tudo a eito" é lindo!
Ok. A sugestão da Magucha é boa.
E acho que nunca vou ser muito normal. Uso o subterfúgio de me vestir de forma convencional. Permite-me andar disfarçada. Posso pensar enormidades e ter um ar muito convencional. Desde que esteja calada.
(Hoje estou numa de partos. Já devo ter dito tantas barbaridades que metade do Movies deve achar que sou louca.)
(Ando a ler sobre o PREC. Depois vou passar a outro livro sobre o Hitler. Ou isso, o Kundera. Again.)
(Magucha, tu tens sido a grande revelação. Grande, grande, grande. Um espanto. E pensar que, há quase dez anos atrás, eu achei que nem me devia dar ao trabalho de decorar o vosso nome?! A vida dá umas voltas engraçadas. Salvo erro, foi num fim-de-ano que eu percebi que eras muito mais do que parecia.)
(Prendas? Xiça. Pijamas com bonecos e cor-de-laranja?! Credo!
Que desilusão... Para o ano compro o dobro das prendas para mim para compensar os pijamas. Até tenho medo do que se segue. Já vejo cuecas, daquelas enormes, de algodão e com aquelas rendas das feiras. Medo, muito medo!)
Sinto-me como um M&M... Estava muito calminha no meu cantinho, e de repente misturam-me no mesmo pacote com outros M e W verdes, azuis e amarelos que não conheço de lado nenhum! ;)
(Eu quase nunca decoro os nomes das pessoas no início. Só depois de falar com elas pelo menos meia hora é que decido se vale a pena saber o nome ou não... Acho que foi o fim-de-ano dos cremes, não foi?)
lol. Cuecas enormes de algodão! Estou mesmo a imaginar-te usá-las como para-quedas! E esqueceste-te das meias de renda e das peúgas com pompons!!
Magucha:
o "M's" foi só para facilitar :-).
Cuecas azuis enormes são um dos meus pesadelos.
Foi justamente nesse fim-de-ano, em que, salvo erro, a seguir fui para Paris. Tudo se junta, como vês...
Vilamoura, casa da então namorada do André, não foi?
Foi nesse fim-de-ano que eu desapareci numa sarjeta - um indício do ano de merda que se seguiu - e a P. se queimou a fazer o jantar, não foi? No dia 1 de Janeiro o primeiro passeio foi até à farmácia de serviço.
Livra!
Este fim-de-ano temos de afastar a P. dos tachos e eu das sarjetas. Bolas, outro fim-de-ano em Vilamoura! Para o ano fazemos isto a sério para eu poder usar um dos meus vestidinhos, ok?
E sexta ou sábado lá iremos a outra das tradições anuais que é a cerimónia do supermercado, onde carregamos resmas de coisas para o carrinho que nunca ninguém come.
A tradição? Connosco, ainda é o que era.
Moet, aí vou eu.
Eu percebi, mas não podia deixar de brincar, vista a letra! ;)
Exactamente, em Vilamoura. Contigo e a P. a ficarem com a fama de viciadas em compras por terem andado à caça de uma farmácia onde gastar dinheiro no início do ano.
Comigo meio chateada por o meu "respectivo" da altura ter feito uma birra e não ter querido comemorar a passagem de ano com os meus amigos. E por ter de dividir o sofá com uma pessoa que não conhecia de lado nenhum.
Visto o potencial para o desastre, até correu muito bem. Passou assim tanto tempo?
Para o ano fazemos à séria, com vestidinhos para as meninas e gravatinhas para os meninos... Mas este ano talvez seja melhor furar a tradição e trazer as limas de Lisboa. Tem sido um drama arranjá-las nos últimos anos!
Sempre paramos no alentejo para jantar? Depois da descrição do restaurante, fiquei com vontade de ir lá!
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