quinta-feira, dezembro 21, 2006

Obrigada Bayer

Foi um dia estranho.
Eu estava nervosa. Não por mim. Por ele. Principalmente por ele. Como eu sou meia desvairada e louca furiosa, eles nunca conseguiram que deixasse de me assemelhar a uma pessoa.
Sentei-me, jurei dizer a verdade. E disse. Disse tudo. Falei no que foi a anedota da investigação. Falei no que foi a minha vida naqueles anos e no que é, ainda hoje, a dele. Contei episódios. Exemplifiquei.
Tinha numa pasta as queixas que fiz. Tudo certinho, logo eu que, nas minhas coisas, sou caótica.
E o que fez o Juiz? Olhou para mim, tentou intimidar-me e perguntou se eu mantinha tudo porque tinha feito acusações graves e eram passíveis de procedimento disciplinar e criminal. Claro que mantive (só um atrasado mental é que acredita que eu chego ali, falo quarenta e cinco minutos de assentada e, depois de um comentário cretino, ia retirar uma vírgula. Isso é para cobardes ou mentirosos. Gosto de pensar que não o sou).
Leio-lhe nos olhos que ele acha que inventámos tudo mas nunca esperei que nem sequer me pedisse para eu demonstrar ou explicar. Nada.
Tenho até de o corrigir. Ele pergunta-me se tenho conhecimento de que o A. foi acusado de ter feito telefonemas para ele mesmo e que havia fotografias num processo disso, razão pela qual teria sido arquivado. Eu olho-o nos olhos e digo: " Não, não tenho conhecimento. Tenho conhecimento que tal lhe foi imputado mas que também esse foi arquivado. O Correio da Manhã é que não noticiou. Não vende". Ele insiste. Eu mantenho a minha: "Não foi acusado. A PT veio dizer que nenhuma chamada foi feita daquela cabine, de modo que a existirem fotografias nunca poderiam ser de algo que nunca aconteceu.". Ele olha para mim e diz-me :" Então não acredita nessas imputações?". Eu respondo : "Oiça, fui eu quem ajudou a fazer as transcrições das chamadas. Não era a voz do A.. Não acredito nem nessas, nem noutras.".
(Um Juiz de um Tribunal Criminal que não sabe o que é ser acusado mete medo. Muito medo...)
Final.
E eu pergunto-me: " Mas este gajo não acha que eu tenho mais que fazer à minha vida? E não lhe parece que, assim de repente e durante qualquer coisa como sete anos, uma pessoa que nunca apareceu, raramente se deixou filmar, nunca prestou declarações, não quer protagonismo? Uma mulher de vinte e dois anos que tem uma casa e um carro para pagar, tem um grupo de amigos generoso e alguns homens atrás, tem necessidade de lixar sucessivamente o seu carro (cujos consertos ninguém nunca lhe pagou), matar os seus animais domésticos, ligar para si mesma (permanecendo o mistério de parte dos telefonemas terem sido atendidos por si à frente de terceiros e longe de cabines telefónicas), ameaçar-se com uma faca?!!! Fui eu que quis que se soubesse com quem dormia (o que era inevitável atendendo a que o senhor agente andava comigo?) Alguém acredita que, se eu quisesse protagonismo, não achava caminho mais fácil?!!! Parece até ofensivo. Eu querendo fazia muito melhor.
Badamerda. Venham os processos crimes. Na pior das hipóteses, deixo já de trabalhar. Mais facilmente como sopa dos pobres - levando sempre a minha mala da Vuilton - do que pago o que quer que seja àquela escumalha. Casa na Rovisco Pais? Desconheço. Terreno na Herdade da Aroeia? Vendi e gastei em Moet. Barco? Qual barco?!
Ironia: se fiz o depoimento que fiz, foi porque tomei migraspirina. Não fosse ela e não estaria em condições de aguentar aquilo. Obrigada Bayer!

3 comentários:

Anónimo disse...

És fantástica. Só mesmo tu para descobrires parte irónica depois de um dia destes.

Há coisas que nunca mudam. Poder contar com a Bayer para as dores de cabeça é uma delas. ;)

Anónimo disse...

Minha querida,

Esperava vencê-los, nesta luta com gigantes?!
Não acredito que venham a existir processos crimes contra si (até porque você prova com grande facilidade o que penso que deve ter dito).Todavia, se fôr esse o caminho, cá estaremos.
Um grande beijo para si. Você sabe que, discordando por vezes de si, a acho muito corajosa. Comigo, como sempre lhe disse, conta.
Usando uma expressão que lhe escrevi num cartão, tenho os braços sempre abertos para si.
E você sabe.
M.

Magucha disse...

Ops. Reparei agora que o meu comentário anterior não saiu assinado. Birras do blog, suponho.