sexta-feira, dezembro 15, 2006

Recordações do Camões...

O João Pedro era um amor de criança e fazia um furor entre as raparigas, já na fase do armário. Do que me lembro, quando se punham a jogar ao bate-pé - um jogo imbecil no qual nunca quis participar - era o principal alvo das investidas femininas. Eu nunca o vi com esses olhos e o João Pedro deve ter sido o meu primeiro amigo homem (o primeiro de muitos porque eu prefiro os homens, mesmo nas amizades).
A vida afastou-nos, de modo que foi com espanto que recebi o convite dele para a festa dos 30 anos. Fui. Depois de o ver na pista dos Stones a dançar ao som de U2, acompanhado pela mulher que escolheu e pelos amigos, com a felicidade a rebentar-lhe pelos olhos, percebi que tenho imensa pena de nos termos afastado. Comprei-lhe um livro e escrevi-lhe uma dedicatória. Sentida porque de palavras de circunstancia ando eu farta. Ele respondeu: "Querida Rita, antes de mais, muito obrigado pelo livro do Marai. Não posso deixar de registar, contudo, que me deste muito mais do que uma obra literári. Deste-me um dos teus momentos quando escreveste a generosa e porventura imerecida dedicatória e deste, nos últimos vinte anos, provas de um enorme carácter, de uma inteligência invulgar e de uma personalidade marcante. é um orgulho ter-te como amiga... pelo que és e acima de tudo pela percepção que sempre tiveste acerca do valor e desvalor das condutas dos que te rodeavam. Beijo, João Pedro".
Concordo numa coisa: contigo acertei. Obrigada pelas tardes na escola Luís Vaz de Camões. Obrigada por te teres lembrado de mim. Simplesmente, obrigada.

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