quarta-feira, agosto 09, 2006

A Beatriz que nunca chegou a ser..

Como diz o cantor," tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar".
Em pleno Plateau, dei por mim a pensar numa frase que, numa noite de raiva cega, gritei a um homem: "eu tenho espírito de cigarra e não quero parar de dançar". Vinha isto a propósito, segundo me lembro, de eu ter gasto umas largas centenas de contos em malas, sapatos, maquilhagem e outros bens afins, o que ele (ganhando muito menos que eu) achava uma loucura. O eterno dilema da comuna de óculos escuros da Chanel.
Hoje em dia, as minhas duas almas continuam em guerra. Uma parte de mim quer ser muito organizada. A outra está-se literalmente nas tintas para isso.
A minha faceta organizada, impressionada por casos paralelos, decidiu que iria ter uma filha, chamada Beatriz, a qual estudaria no Colégio Alemão e engataria os filhos dos meus amigos. Pareceu-me sempre um destino feliz para uma criança promissora.
Sem sequer existir, a Beatriz foi ganhando espaço na vida de terceiros, à custa da propaganda que eu fazia (nem que mais não fosse, ameaçando os meus amigos que o meu "rebento" iria partir os corações dos filhos deles).
A noite passada, a minha faceta boémia teve uma vitória importante. Decidiu que eu própria já me assemelho a uma criança, de modo que não é preciso mais ninguém.
A Beatriz - que nunca chegou a ver a luz do dia - ficou encostada a um canto, ao lado de outros projectos que nunca executei.
Provavelmente, era caso para eu estar triste. Não estou. Estou até bastante liberta.
Adeus Beatriz.

3 comentários:

Anónimo disse...

Beatriz não seria a melhor opção. E quem seria o pai? É que para conseguir sucesso na vida, esse pormenor é importante.

Xaxão disse...

Nunca pensei muito nisso...
Para o meu projecto inicial, não era preciso propriamente um pai. Era só preciso uma noite...

Menina Veneno disse...

Vou ter saudades da Beatriz, de imaginá-la altiva e com desdém a partir o coração do meu joaozinho...

Embora não me pareça simpático dizer, o certo é que acho que precisas de uma Beatriz, uma Beatriz que seja forte (não que não o sejas e muito), uma Beatriz a quem ensines que nenhum menino bem ( e bem deve ser metafórico...) pode partir o coração.

Precisas duma Beatriz que contrarie a ideia que tens do que é uma família, e (mais duro ainda) precisas duma Beatriz que te olhe com a admiração que olhavas para a tua avó!!!

E sei que a Beatriz não seria apenas um projecto - pelo que não a podes colocar a um canto misturada com tantos outros - porque sei que quando chega a altura sabes bem carregar nos braços pessoas que têm o dobro do teu tamanho.

Um beijo