Daqui a uma semana, se a TAP não me boicotar, estarei a aterrar no Porto-Santo. Levo na bagagem uns inconfessáveis quilos de roupa, alguns livros e um caderno em branco.
Já que atirei a Beatriz para o lado, espero que seja desta que escrevo a minha história. A nossa história. A história deste grupo que desconhece este blog mas que sempre me acompanhou. Os rostos de sempre. As mesmas conversas. Aqueles disparates que se dizem apenas porque sabemos que estamos entre amigos. A minha existência tumultuosa porque eu nunca aprendi a jogar pelo seguro e os eternos cuidados deles quando me aproximo demais do abismo.
O Porto-Santo tem funcionado sempre como o meu porto de abrigo. Foi naquele areal que gozei pela primeira vez da fama de ser engraçada. Foi naquele areal que me senti bonita pela primeira vez. Foi naquele areal que passeei com a minha avó. Foi naquele areal que a ideia de sair de casa (e já passou tanto tempo...) me assolou e foi também ali que cresceu dentro de mim um ódio visceral à minha madastra e a um dos meus primos.
Por ironia, nada de verdadeiramente importante me aconteceu naquela ilha. Nunca me apaixonei lá. Nada despertou a minha atenção. Nunca dei por mim lá naquelas fases em que só queria dançar e esquecer o que me rodeava. Não foi palco daqueles meus ataques de loucura em que me ria até chorar ou em que chorava até me rir. Passou-lhe ao lado o desmoronar da minha grande paixão e a minha doença. Ninguém dali assistiu à célebre conversa com o meu João que mudou a minha vida e, no âmbito da qual, ele me explicou que o meu modo de vida tinha os dias contados e que, se eu não quisesse um destino a tender para a novela mexicana, talvez não fosse má ideia travar a fundo e tentar construir alguma coisa de sólido, em vez de me refugiar em relacionamentos que eu própria condenava à partida.
Espero poder vir a dizer que recomecei a escrever na ilha dourada.
(O meu João -aquele que tenho como irmão- e a Patrícia também vêm. Fará lá falta a Ana Bela mas não se pode ter tudo. Dois pares e o meu pai. Se um dia me dissessem que iria estar no Porto-Santo nestas condições acho que não acreditaria.)
Daqui a uma semana estarei de novo na praia. Tomarei banhos de mar, comerei lapas e sopa de tomate e beberei brisas de maracujá umas atrás das outras. Não há nada como estar em casa. E eu sempre achei que uma parte de mim mora lá. Onde posso ser inteiramente livre. Onde me estou nas tintas para tudo e todos. Onde tudo me parece longe, longe demais para sequer me preocupar. Onde a memória da minha avó permanece intocável e me faz companhia.
Lembrei-me agora que nunca dancei lá na praia. Está feito. É este ano. Levarei um dos meus vestidinhos pretos e vou arrastar a Patrícia e uma garrafa de Moet. Talvez eu preferisse dançar com o meu par de sempre (a célebre valsa no Guincho será sempre um episódio memorável) mas já nenhum de nós tem idade ou margem de manobra para isso.
4 comentários:
Um brinde a nós! Está a chegar o momento em que içaremos as nossas taças de Moet e brindaremos à vida!
Somente à vida? perguntas tu. Não. A nós, aos que nos acompanham e nos acarinham, e, claro, aos que nos admiram! Estamos cá para eles e eles estão cá para nós!
P
ps: esta é só para ti... Enjoy it!
"Aqui nesse mundinho fechado ela é incrível
Com seu vestidinho preto indefectível
Eu detesto o jeito dela, mas pensando bem
Ela fecha com meus sonhos como ninguém
Beat it laun, daun daun
Beat it, loom, dap'n daun
Beat it laun, baun baun
Conhece-te a ti mesmo e eu me conheço bem
Sou um qualquer vulgar,
bem, às vezes me esqueço
E finjo que não finjo, ao ignorar eu sei
Que ela me domina no primeiro olhar
Beat it laun, daun daun
Beat it, loom, dap'n daun
Beat it laun, baun baun
Eu quero te provar
Sem medo e sem amor
Quero te provar
Por quê?
Porque ela derrama um banquete, um palacete
Um anjo de vestido, uma libido do cacete
Ela é tão vistosa que talvez seja mentira
Quem dera minha cara fosse de sucupira
Conhece-te a ti mesmo e eu me conheço bem
Sou um qualquer vulgar,
bem, às vezes me esqueço
E finjo que não finjo, ao ignorar eu sei
Que ela me domina no primeiro olhar
Beat it laun, daun daun
Beat it, loom, dap'n daun
Beat it laun, baun baun
Eu quero te provar
Sem medo e sem amor
Eu quero te provar
Cozida a vapor
Aqui nesse mundinho fechado ela é incrível
Com seu vestidinho preto indefectível
Eu detesto o jeito dela, mas pensando bem
Ela fecha com meus sonhos como ninguém
Beat it laun, daun daun
Beat it, loom, dap'n daun
Beat it laun, baun baun"
O que tu foste escolher...
Poucas músicas me levantam o astral como essa, presença obrigatória no meu ipod.
Brindaremos então à vida. Dantes, o meu brinde com a Ana Filipa era o célebre "brindemos ao caviar e às drogas leves que as pesadas fazem muitas olheiras". Outros tempos, em que não tinha responsabilidades nenhumas para além de me apresentar, noite após noite, em boa forma. É certo que também não tinha a cgd a exigir-me exames médicos e o único julgamento que eu enfrentava era o da turminha da FDL, que eu desprezava.
Brindemos a nós. Levanto o meu copo desejando que esse momento seja eterno. Do teu brinde excluo apenas alguns que nos admiram. Chegada quase aos trinta, passo bem sem aduladores.
E, porque ando muito, muito musical, deixo-te esta:
Friends Will Be Friends
by Queen
Friends will be friends
Another red letter day,
So the pound has dropped and the children are creating,
The other half run away,
Taking all the cash and leaving you with the lumber,
Got a pain in the chest,
Doctors on strike what you need is a rest.
It's not easy love, but you've got friends you can trust,
Friends will be friends,
When you're in need of love they give care and attention.
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost,
Hold out your hand cos friends will be friends right till theend.
Now it's a beautiful day,
The postman delivered a letter from your lover,
Only a phone call away,
You tried to track him down but somebody stole his number,
As a matter of fact,
You're getting used to life without him in your way.
It's so easy now, cos you got friends you can trust,
Friends will be friends,
When you're in need of love they give you care and attention.
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost,
Hold out your hand cos friends will be friends right till theend.
It's so easy now, cos you got friends you can trust,
Friends will be friends,
When you're in need of love they give you care and attention.
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost,
Hold out your hand cos friends will be friends right till theend.
Friends will be friends,
When you're in need of love they give you care and attention.
Friends will be friends,
When you're through with life and all hope is lost.
Hold out your hand cos right till the end -
Friends will be friends.
Adorei! Excelente escolha musical!
Porque não adiantarmos o brinde para a "girls night"?
Cheers!
bjs
P
Melhor do que ouvir as histórias de umas férias bem passadas, só mesmo ler as expectativas pré-férias, e descobrir que a realidade as concretizou e até superou.
Que o teu recomeço seja menos tumultuoso do que o teu começo!
Ah, sim. E que na próxima viagem haja Moet com fartura!
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