Em 1998, com a família de Caxias literalmente "à perna", fiz campanha pelo "sim".
Participei num tempo de antena, dizendo no fundo isto: Votar sim não é uma questão de esquerda ou de direita. Significa deixar à consciência de cada um a decisão.
Foi uma intervenção engraçada porque as pessoas me reconheciam na rua e davam-me os parabéns (nem preciso de relatar a cara da Maria quando isto sucedia). Foi ingénua porque eu era miúda. Foi também algo de premonitório.
O "não" ganhou porque a esquerda estava na praia. Chorei que me fartei, de raiva nada contida.
Uns meses volvidos, era eu a ter de tomar a tal "decisão". Fi-lo sozinha, certa de que não tinha a menor hipótese de criar uma criança e de que nunca conseguiria gostar de alguém cujo pai fosse quem se sabe.
Não guardo de tal "experiência" os traumas de que se fala porque, naquela altura, tudo aquilo que conseguia sentir era uma repulsa enorme. Eu não queria aquele filho. E não queria com todas as forças que tinha. Apaguei esse episódio da minha cabeça durante anos, exceptuando ter sido a cereja no bolo da minha vingança gélida.
Hoje, perante a mera possibilidade de o "não" ganhar, recordo tudo.
Leio os blogues do não e acho tenebroso que se publiquem coisas destas: http://www.nao-obrigada.org/cirurgiaiut.html.
Votarei "sim", claro. Não me sinto pior pessoa por isso. Sinto-me, apenas, menos hipócrita.
3 comentários:
Eu lembro-me desse tempo de antena como se fosse hoje (talvez seja porque o tenha gravado... Vestidinho azul, não era?). Também me lembro do que refere e de se rir das reacções que o mesmo provocou junto da "Maria".
Sabe? Considero que não se deve remexer em feridas passadas mas também me parece que, nesta fase, era inevitável que se lembrasse disso.
O que mais me espantou em si não foi a decisão que tomou, da qual discordo mas que até compreendo, atendendo às circunstancias. Foi o requinte com que se vingou depois. A frieza e o grau de premeditação.
Foi aí - e só aí - que eu percebi que você bem merece a alcunha "cara de anjo mau". Como lhe disse há uns anos atrás: é capaz do melhor e do pior. Ainda estou para perceber se, quanto à vingança, foi o melhor ou o pior que consegue. Mas foi brutal. E, copiando-a numa expressão que usa, foi "justiça poética". Infelizmente,`também à sua custa.
Só aí?!!
Não quero falar sobre o que poderia ter sido. Não foi e ponto final.
A vingança?! Ele proporcionou tudo. Eu limitei-me a aproveitar a oportunidade. E não quero falar mais sobre isso. Outros tempos. Há muito tempo.
Agora estou virada para o referendo.
E para o MEC. Grande MEC.
Cara de Anjo Mau...
Tu deitas tudo a perder
basta um olhar teu e o chão começa a ceder.
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