Não vou - por motivos óbvios - comentar a página AssimNão.org e os seus autores.
Devo dizer, contudo, que subscrevo inteiramente a frase de Fernanda Câncio, quando refere "Já viram a miséria que é ter um filho porque não se pode pagar um aborto?".
Digo mais, até. A miséria não estará fundamentalmente na falta de dinheiro. Está na falta de vontade. Obrigar alguém a prosseguir com uma gravidez indesejada é uma violência atroz. E o pior vem depois...
Por isso, assim é que não : "Em todo o mundo, o aborto sem invocar qualquer razão é permitido em 22 de um total de 193 países".
Nesta fase e atendendo à formação de quem escreve, já se devia ter percebido que o argumento do número não vale nada. Os chineses também eram muitos e não foi por isso que todos os países viraram comunas. Quiando se proibiu a pena de morte ou a escravatura a maioria dos países mantinham ambas as práticas.
Isto para dizer que, ao contrário do que ali se defende http://www.assimnao.org/opinao.htm, não é tudo uma questão de números.
2 comentários:
Hoje de manha encontrei uma colega nossa... que julgo deverás adivinhar qual, com um prospecto a favor do não.
Perguntei-lhe se ia votar e se sim qual o sentido, ou ainda, se seria secreto.
Respondeu-me prontamente que votaria não, claro está.
Porque as pessoas não podem decidir quando matar...
Isto vindo de alguém que sabe (ou deveria saber) o que realmente se discute.
Continuou ainda dizendo " E se a sua mãe tivesse feito o mesmo consigo?"
Ao que eu, já sem paciência, lhe respondi... "olhe, agora não pagava duzentos contos de escritório"
A leo escreveu isto no blog...tem alguma piada..
E, como já deu para perceber eu votarei pelo "Sim", e espero - pelo bem da nossa sociedade definhada - que o "Sim" finalmente ganhe.
Mas para o caso de isso não acontecer, eu penso que os nossos legisladores têm, na mesma, de alterar a lei actual e assim, as mulheres que abortem ilegalmente passam a ser presas juntamente com quem ajudou a procriar.
Desta forma, os homens que tanto querem ter uma palavra a dar sobre o assunto (sendo muitas vezes os primeiros a não querer ter aquele filho) começam a ir presos juntamente com elas, com vista a uma Lei bem mais equitativa.
E um amigo meu respondeu:
(...)
Aliás a pergunta do referendo, que nao conheço, deveria mudar-se para:
Acha que só quem tem guito para ir a Badajoz, Salamanca ou Madrid deve fazer aborto, ou podem as pobres fazer igual ás ricas, cá em Lisboa, Porto ou Coimbra?
E ainda:
Acha que, numa sociedade perfeitamente (risos) laica, têem os beatos o direito de impôr aos demais os seus padrões éticos?
Ou será que afinal afinal essa coisa do estado confessional não é bem, própriamente, só coisa de paises do médio oriente?
(...)
Acho que o problema do aborto é o eterno problema das pessoas tentarem impor aos outros os seus padrões. Eles não faziam e deixavam os outros em paz.
Já aqui escrevi que, contrariamente ao que sempre oiço dizer, eu não fiquei nada perturbada. Aliviada, acho que traduz melhor o meu estado de espírito.
Sou, portanto, daquelas que os movimentos pelo não indicariam desde logo como alguém que passaria a fazer abortos como quem vai ao cinema ou às compras.
Desde 1998 o que se passou? Nada. Pese embora não tenha ficado especialmente perturbada, obviamente fiz por não repetir a experiência.
Não chego ao limite do Dr. Pinto Ribeiro que fala de ovos e de pintos. Mas, como falámos ao almoço, no limite as teses pelo não deviam começar a atacar quem usa preservativos - porque os espermatozóides também morrem.
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