Podia escrever mil linhas.
Talvez o total vazio de palavras seja mais adequado.
Se me sentisse tão vazia quanto uma parede em branco estaria bem melhor do que estou.
terça-feira, novembro 16, 2010
segunda-feira, novembro 01, 2010
A ressaca
Não me refiro a essa ressaca. É a outra. A que se instala quando o sonho nos fugiu e nos deparamos a cada passo com estilhaços.
Choro hoje as lágrimas que já não devia ter, embalada ao som de uma conversa que nunca devia ter ocorrido. Faço-me acompanhar dos cigarros que não posso fumar, oiço as músicas proibidas e atiro-me para um estado de caos que não mereço.
E lá deixei escoar mais umas horas. Umas horas que todas somadas fazem dias. Semanas. Meses. Anos. Trinta e quatro anos.
Choro hoje as lágrimas que já não devia ter, embalada ao som de uma conversa que nunca devia ter ocorrido. Faço-me acompanhar dos cigarros que não posso fumar, oiço as músicas proibidas e atiro-me para um estado de caos que não mereço.
E lá deixei escoar mais umas horas. Umas horas que todas somadas fazem dias. Semanas. Meses. Anos. Trinta e quatro anos.
domingo, outubro 31, 2010
O que sobrou...
Há muitos, muitos, imensos anos atrás tropecei no famoso verso que fala da lucidez da morte. Era então uma miúda atormentada entre o desejo de se sentir viva e o incomensurável peso dos antepassados, oscilando entre um registo de sonho pela imortalidade e o comportamento de uma menina digna das melhores memórias. Adormecia com Kundera. Acordava com Beauvoir. Entre um cigarro e outro, dançava na pista do Plateau enquanto memorizava Boris Vian e bebia cubas livres como se não houvesse amanhã.
Tudo isso foi há muito tempo. Ao contrário do que possa pensar, a minha primeira dor a sério não foi (nunca poderia ser...) a morte da minha mãe. Corrigindo, foi a morte daquela que, efectivamente, foi a minha mãe: a minha avó Mila.
Não há dia que não pense que nunca lhe chegarei aos pés no que ela tinha de maior: a sua dignidade.
Só vim a perceber muito mais tarde que, na noite em que ela desfaleceu nos meus braços, eu também morri em larga medida. Porque no velório dela foram duas a enterrar: ela e a menina que acreditava que ia mudar o mundo.
Depois dessa noite o que sobrou foi um despojo de mim própria. Um grande e imenso vazio que fui preenchendo aos poucos. Claro que voltei a ler Beauvoir, Kundera e Vian. É sabido que bebi muito mais cubas livres. Também dancei no Plateau...
Mas já não era a mesma miúda. Era outra. E essa outra nunca mais parou de se sentir sozinha...
Obrigada Avó Mila. Tenho imensa pena de nunca ter estado à altura do que me ensinaste... Espero que um dia me desculpes já que eu não o consigo fazer a mim própria.
Tudo isso foi há muito tempo. Ao contrário do que possa pensar, a minha primeira dor a sério não foi (nunca poderia ser...) a morte da minha mãe. Corrigindo, foi a morte daquela que, efectivamente, foi a minha mãe: a minha avó Mila.
Não há dia que não pense que nunca lhe chegarei aos pés no que ela tinha de maior: a sua dignidade.
Só vim a perceber muito mais tarde que, na noite em que ela desfaleceu nos meus braços, eu também morri em larga medida. Porque no velório dela foram duas a enterrar: ela e a menina que acreditava que ia mudar o mundo.
Depois dessa noite o que sobrou foi um despojo de mim própria. Um grande e imenso vazio que fui preenchendo aos poucos. Claro que voltei a ler Beauvoir, Kundera e Vian. É sabido que bebi muito mais cubas livres. Também dancei no Plateau...
Mas já não era a mesma miúda. Era outra. E essa outra nunca mais parou de se sentir sozinha...
Obrigada Avó Mila. Tenho imensa pena de nunca ter estado à altura do que me ensinaste... Espero que um dia me desculpes já que eu não o consigo fazer a mim própria.
sábado, outubro 30, 2010
Entre uma dança e outra...
Entre uma dança e outra, dou por mim com trinta e quatro anos. Trinta e quatro anos!
Só o que tenho vivido nos últimos anos daria para encher uma vida inteira de uma mulher normal.
Só o que tenho vivido nos últimos anos daria para encher uma vida inteira de uma mulher normal.
terça-feira, outubro 26, 2010
Os dias correm...
Não tenho escrito aqui, fundamentalmente porque tenho andado entretida com os diários do Vergílio Ferreira.
Mas não só. A dor ainda não se extinguiu por completo, como é óbvio. Ainda hoje me incomoda ver as tentativas de engate que o PMF vai lançando nas minhas barbas no Face. E fico ainda mais incomodada por me sentir incomodada com este modus operandi. Talvez porque saiba que me deixei aprisionar. A minha característica mais evidente é o orgulho. O orgulho que me faz ter arrepios cada vez que penso que caí no conto de um vigário, tão batido, quanto bem-sucedido. E eu engrossei as fileiras das vítimas deste logro.
Como diz o Nuno Reis, eu sou muito parecida com a Scarlett: ando a vida toda atrás de um loiro mas devo é achar o meu moreno.
Mas não só. A dor ainda não se extinguiu por completo, como é óbvio. Ainda hoje me incomoda ver as tentativas de engate que o PMF vai lançando nas minhas barbas no Face. E fico ainda mais incomodada por me sentir incomodada com este modus operandi. Talvez porque saiba que me deixei aprisionar. A minha característica mais evidente é o orgulho. O orgulho que me faz ter arrepios cada vez que penso que caí no conto de um vigário, tão batido, quanto bem-sucedido. E eu engrossei as fileiras das vítimas deste logro.
Como diz o Nuno Reis, eu sou muito parecida com a Scarlett: ando a vida toda atrás de um loiro mas devo é achar o meu moreno.
terça-feira, outubro 12, 2010
Saint Elmo's Fire
Revi-o na segunda, após um fim-de-semana em Bragança agri-doce. De certa forma, ressalvadas certas diferenças, eu estava lá, numa das personagens. Não me visto nem nunca me vesti daquela forma. Nunca fui amante de um patrão (embora já tenha sido amante, como se sabe...). Nunca fui uma mulher fácil, seja nos afectos, seja na passagem directa para a cama. Mas estava lá.
É assustador. Tão assustador quanto eu estar convencida que o happy-end dali não se vai copiar para o esterco dourado em que se converteu a minha vida.
Por isso, reiterando uma frase que eu uso e que também lá vi: nunca pensei chegar aos 33 tão cansada... Mas cheguei. A este ritmo vou atingir os 34 ainda pior.
É assustador. Tão assustador quanto eu estar convencida que o happy-end dali não se vai copiar para o esterco dourado em que se converteu a minha vida.
Por isso, reiterando uma frase que eu uso e que também lá vi: nunca pensei chegar aos 33 tão cansada... Mas cheguei. A este ritmo vou atingir os 34 ainda pior.
quarta-feira, outubro 06, 2010
A vida que corre rápida mas a conta gotas...
Enviam-me pelo face a minha fotografia de campanha e olho para ela, entre o choque o riso nervoso. Pareço exausta. Estou exausta. É, neste momento, indisfarçável.
No mesmo transe, tendo presente aquilo que agora designo o "evento", parece que, simultaneamente, foi há uma eternidade e ainda ontem.
Este duplo sentido do tempo, rápido na minha cara e alma, e lento (na minha alma), baralha-me.
Tenho ainda saudades do sorriso dele. Daqueles olhos azuis lindíssimos, aos quais agora me apetecia deitar decapante. Tenho principalmente saudades da minha incomensurável alegria. De me sentir apaixonada. De me perder nos braços dele, nos olhos dele, no cabelo dele. Tenho aquela capacidade avassaladora de me perder em estradas sinuosas, eu sei.Talvez por isso, cresce em mim um outro sentimento que não chega a ser ódio mas é um tímido desprezo. Desprezo pela fraqueza. Pela falta de inteligência. Por me ter enganado (não sei se ele a mim, se eu a mim própria...).
E, como em tudo, uma certa revolta porque sei que estou magoada demais para poder apreciar uma dança que me foi proposta. Só sei dançar com o Diabo, está visto. Principalmente se o Diabo for loiro e de olhos azuis.
No mesmo transe, tendo presente aquilo que agora designo o "evento", parece que, simultaneamente, foi há uma eternidade e ainda ontem.
Este duplo sentido do tempo, rápido na minha cara e alma, e lento (na minha alma), baralha-me.
Tenho ainda saudades do sorriso dele. Daqueles olhos azuis lindíssimos, aos quais agora me apetecia deitar decapante. Tenho principalmente saudades da minha incomensurável alegria. De me sentir apaixonada. De me perder nos braços dele, nos olhos dele, no cabelo dele. Tenho aquela capacidade avassaladora de me perder em estradas sinuosas, eu sei.Talvez por isso, cresce em mim um outro sentimento que não chega a ser ódio mas é um tímido desprezo. Desprezo pela fraqueza. Pela falta de inteligência. Por me ter enganado (não sei se ele a mim, se eu a mim própria...).
E, como em tudo, uma certa revolta porque sei que estou magoada demais para poder apreciar uma dança que me foi proposta. Só sei dançar com o Diabo, está visto. Principalmente se o Diabo for loiro e de olhos azuis.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Linhas alheias
Acabo de me deparar num outro local com um desabafo brutal: "Todas as mulheres foram Cleópatra na última encarnação. Eu não. Fui cão.". Dei por mim a sorrir. Já eu, que penso nunca ter sido cão, sou a Cleópatra nesta. Na anterior fui a Rita.
segunda-feira, setembro 20, 2010
O meu eufemismo
Xaxão: Então e qual é o meu eufemismo?
MRS: Desarma qualquer um.
Xaxão: Isso não é um eufemismo.
MRS: É, sim.
MRS: Desarma qualquer um.
Xaxão: Isso não é um eufemismo.
MRS: É, sim.
sábado, setembro 18, 2010
Passaram uns dias e a dor atenuou-se. Não ao ponto de esquecer o olhar. Não ao ponto de as lágrimas terem deixado de correr. Não ao ponto de ter conseguido ultrapassar. Não ultrapassei. Limito-me a contornar. Contorno este fracasso, vestida e penteada como uma Barbie, de cigarro na mão e sem qualquer réstea de esperança que me permita esboçar um sorriso genuíno.
Se vou sobreviver? Claro. Se o vou conseguir fazer sem encerrar em mim ainda mais mágoa e dor? Não, claro que não. Estou cada vez mais condenada a este destino de teatro e a ser a tal boneca que todos querem levar para a cama mas nenhum para a vida.
Se vou sobreviver? Claro. Se o vou conseguir fazer sem encerrar em mim ainda mais mágoa e dor? Não, claro que não. Estou cada vez mais condenada a este destino de teatro e a ser a tal boneca que todos querem levar para a cama mas nenhum para a vida.
segunda-feira, setembro 13, 2010
A história da minha vida
Seria um diálogo bom para a história que estou a escrever (sucede que, infelizmente, é a história da minha existência...):
RR - Então?
Xaxão: Então?! Basicamente é isto: quando o gajo que me bate está em 3º lugar no ranking dos piores, está tudo dito.
RR - Então?
Xaxão: Então?! Basicamente é isto: quando o gajo que me bate está em 3º lugar no ranking dos piores, está tudo dito.
Mais uma (des) ilusão
Todos os sinais me indicavam que eu deveria ter fugido. Como sempre, não fugi. Dei o salto em frente e ri-me para o abismo. Ri-me e depois chorei.
Desta queda, enormíssima, podia ter resultado um filho. Em vez disso, resultou uma enorme poça, um rasto de sangue. E a mais total solidão. No fundo, tudo se resume a isto: estamos sempre sós... Na minha solidão, as pessoas acotovelam-me. Na minha solidão, as pessoas não se calam. Na minha solidão, houve sempre muita dor. A grande diferença é que até agora nunca tinha havido sangue.
Obrigado, Pedro. De facto, foste uma experiência única. Espero que irrepetível.
Desta queda, enormíssima, podia ter resultado um filho. Em vez disso, resultou uma enorme poça, um rasto de sangue. E a mais total solidão. No fundo, tudo se resume a isto: estamos sempre sós... Na minha solidão, as pessoas acotovelam-me. Na minha solidão, as pessoas não se calam. Na minha solidão, houve sempre muita dor. A grande diferença é que até agora nunca tinha havido sangue.
Obrigado, Pedro. De facto, foste uma experiência única. Espero que irrepetível.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Mais outra para a história...
-Você quer-me convencer do oposto mas, pelo seu tom de voz, a verdade é que você me parece cada vez mais perdida.
- Já nos conhecemos há tantos anos e ainda não sabe que eu acredito piamente que as mulheres perdidas são as maiores procuradas?!
- Já nos conhecemos há tantos anos e ainda não sabe que eu acredito piamente que as mulheres perdidas são as maiores procuradas?!
Para as "Histórias"
Toca o Tlm. Atendo. Tom de voz n.º 31.
Toca o Tlm. Atendo. Sorriso daqueles tão fortes que se sabe que só visa estancar um mar de lágrimas.
Toca o Tlm. Atendo. Conversa de circunstancia que também só visa fazer aquilo em que eu sou tão boa: levantar o muro entre mim e o mundo.
Toca o Tlm. Grito: "Mas que merda!" É o meu lindo J, de 5 anos. A "namorada" dele foi à vida e quer colo. Quer colo numa altura em que só me apetece ter colo.
Dentro de mim ecoam as palavras do P., a dizer-me que tenho de me resguardar. Como é que eu posso fazer isso se o que trago dentro de mim neste momento é tão pior do que o choro desta criança? Se a voz dele, pela inocência, me acalma e me faz acreditar que, apesar de estar tudo ao contrário, ainda há uma hipótese de alguma coisa acabar bem?
Toca o Tlm. Atendo. Sorriso daqueles tão fortes que se sabe que só visa estancar um mar de lágrimas.
Toca o Tlm. Atendo. Conversa de circunstancia que também só visa fazer aquilo em que eu sou tão boa: levantar o muro entre mim e o mundo.
Toca o Tlm. Grito: "Mas que merda!" É o meu lindo J, de 5 anos. A "namorada" dele foi à vida e quer colo. Quer colo numa altura em que só me apetece ter colo.
Dentro de mim ecoam as palavras do P., a dizer-me que tenho de me resguardar. Como é que eu posso fazer isso se o que trago dentro de mim neste momento é tão pior do que o choro desta criança? Se a voz dele, pela inocência, me acalma e me faz acreditar que, apesar de estar tudo ao contrário, ainda há uma hipótese de alguma coisa acabar bem?
sexta-feira, agosto 13, 2010
Diz o Hugo...
Eu, atolada num mar de lamentações, digo-lhe, num tom de voz amargurado:
- Eu começo a acreditar que tenho exactamente na medida do que mereço.
Ele responde liminarmente:
- Não te insultes, Rita.
Obrigada, Hugo. Estou a tentar seguir o teu conselho.
- Eu começo a acreditar que tenho exactamente na medida do que mereço.
Ele responde liminarmente:
- Não te insultes, Rita.
Obrigada, Hugo. Estou a tentar seguir o teu conselho.
Fix you...
A Menina Veneno diz que prefere esta. Eu acho-a uma das músicas da minha vida. Hoje já a consigo ouvir sem me correrem lágrimas pela cara abaixo (a dúvida é até quando...).
quinta-feira, agosto 12, 2010
Ok, do you want something simple?
Eu querer, até queria. Nunca consigo, como bem se demonstra aqui.
Sei que, a breve trecho, vou estar mergulhada em dúvidas existenciais, uma crescente insegurança e até crises de choro. Contudo, hoje, ainda ecoam as gargalhadas, aquele olhar e um último resquício de esperança.
Para quem fez da sua vida uma sucessão de danças com o diabo, de facto, estou no mesmo registo de sempre.
Se eu me podia interessar por gente normal? Podia. Mas deixava de ser eu...
Sei que, a breve trecho, vou estar mergulhada em dúvidas existenciais, uma crescente insegurança e até crises de choro. Contudo, hoje, ainda ecoam as gargalhadas, aquele olhar e um último resquício de esperança.
Para quem fez da sua vida uma sucessão de danças com o diabo, de facto, estou no mesmo registo de sempre.
Se eu me podia interessar por gente normal? Podia. Mas deixava de ser eu...
Into my arms...
É a música do momento, o que significa ser aquela que me assalta a cada transe.
Oh, Lord...
Uma alma que nunca se segurou a si própria terá forças para manter à tona de água um semelhante?
Oh, Lord...
Uma alma que nunca se segurou a si própria terá forças para manter à tona de água um semelhante?
quarta-feira, julho 28, 2010
O mar das lágrimas...
Em resposta a eu ter escrito que o Porto-Santo tinha o meu mar, respondeu o RR: O mar de lágrimas é uma SA com taaaaantos accionistas...
segunda-feira, julho 26, 2010
Vista de mar...
Fecho os olhos, acendo um cigarro e sou assaltada por uma torrente de recordações.
Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar... Again...
Metade de mim - o resquício de racionalidade que de vez em quando habita em mim - quer fugir enquanto pode (certa, porém, que este exacto momento seria já tarde demais). A minha faceta emotiva sabe que já não consigo e decidiu, de novo, dançar o tango com a vida.
Aos 33 anos estou, pois, neste registo. O papel que reservei a mim mesma desde a famosa queda livre é aquele em que nado como ninguém. Se estivesse ao meu alcance controlar tudo, o que escolheria ser era justamente a mulher que se tornou a minha imagem de marca. Fria,inantingível, sem qualquer vestígio de emoção. Esse meu lado nunca chorou por motivo diverso da mais pura raiva.
Sucede, porém, que a espaços a outra vai fazendo umas aparições. E estou assustadíssima. Ironicamente, já que dizem de mim que sou a mulher sem medo, o que mais me assusta sou eu própria.
Tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar... Again...
Metade de mim - o resquício de racionalidade que de vez em quando habita em mim - quer fugir enquanto pode (certa, porém, que este exacto momento seria já tarde demais). A minha faceta emotiva sabe que já não consigo e decidiu, de novo, dançar o tango com a vida.
Aos 33 anos estou, pois, neste registo. O papel que reservei a mim mesma desde a famosa queda livre é aquele em que nado como ninguém. Se estivesse ao meu alcance controlar tudo, o que escolheria ser era justamente a mulher que se tornou a minha imagem de marca. Fria,inantingível, sem qualquer vestígio de emoção. Esse meu lado nunca chorou por motivo diverso da mais pura raiva.
Sucede, porém, que a espaços a outra vai fazendo umas aparições. E estou assustadíssima. Ironicamente, já que dizem de mim que sou a mulher sem medo, o que mais me assusta sou eu própria.
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