terça-feira, outubro 16, 2007

O suicídio

Tenho dúvidas que alguém tenha pensado mais em matar-se do que eu.
Vezes sem conta. A ideia do vestido preto, a tal área do Lago dos Cisnes. Um último texto dramático, do qual ainda guardo diversos rascunhos.
Nunca o escrevi em definitivo e nenhum dos meus vestidos pretos serviu para tomar o meu derradeiro gole de Moet.
E, aos trinta, sou confrontada com duas tentativas consecutivas daquela que compartilhava o mesmo corredor.
E desconfio que esteja mais cansada disto do que a própria, que deve estar a dormir nos aposentos do Júlio de Matos (está mal; eu é que dizia que, se ficasse louca varrida, queria ir para lá para ficar perto da Av.ª de Roma...).
Tudo porque tenho trinta anos, quase nos trinta e um. E ela tem um filho. Um filho é um compromisso para a vida. Diria até que o único.
Não percebo o que leva alguém a desistir do filho. Especialmente porque ele tem dois anos.
E tudo isto dói.
Se um dia voltar a pensar em suicídio, mato-me e pronto. Não vou andar a tentar faseadamente.
Dou por mim extraordinariamente triste. Farta de tudo o que me rodeia.
A única certeza que tenho é que, por ora, não me vou matar.
Entre eleições e tentativas de suicídio, alguém tem de cumprir os prazos.
Infelizmente, parece que sou uma delas.

(E agora que penso nisso... acabo de fazer uma declaração de vida no exacto momento em que me estou - literalmente - a desfazer.
E talvez só agora - que descobri que não os posso ter - é que percebi o que um filho representa. )

Sem comentários: