Quarta-feira passada deu-me um ataque de choro imenso. Ia ao lado do André no carro, a ouvir as minhas músicas, acendo um cigarro e soltam-se as lágrimas. Umas atrás das outras.
Acho que chorei por tudo. Porque estava francamente desiludida com o Luís (melhor, não com ele, apenas com a situação), porque estou a entrar numa fase de fobia relativamente ao escritório, porque tenho trinta anos e ainda não me habituei a viver neste mundo.
Deitei-me ainda a soluçar, ao mesmo tempo que pensava que o que me salvou no quinto ano da faculdade foram os meus amigos. E estão longe.
A única coisa que conseguia pensar era que vinham aí tempos muito difíceis. E que, por dentro, estou frágil. Numa altura em que a postura do Luís me consegue escandalizar, a conclusão que tiro é que não estou boa da cabeça.
Pensei em vir aqui e reviver o poema do Jim: De facto, "Death makes angels of us all & gives us wings/ Where we had shoulders smooth as raven's claws/ No more money, no more fancy dress/ This other Kingdom seems by far the best/ until its other jaw reveals incest/ & loose obedience to a vegetable law/ I will not go/ Prefer a Feast of FriendsTo the Giant Family. "
Porque é que tudo isto é estranho?
Pelo que se segue.
2 comentários:
Minha queria:
Reconheço aí uns traços perturbadores. De regresso à beira do abismo?! Vai voltar àos vestidos pretos e às danças na praia, de Moet e sapatos na mão?!
Não percebo sequer o seu espanto com esse homem. Ao fim de quinze anos acha espantoso? E, desculpe a franqueza, em 2001 achava o quê?!
Acredito que nem tenha percebido os olhares que ele refere. Como acredito que nem agora os veja.
Acho imensa graça a esse seu lado, extremamente ingénuo e conservador, faceta essa que se mantém quase inalterável ao longo destes anos.
Acaba por ser um misto de "femme fatale" com uma boneca de porcelana, que os homens sentem o apelo de ter de proteger, sem se aperceberem que, quando é mesmo preciso, é mais forte que nós todos.
O mundo está cheio de lobos. E não gostando de cordeiros, habilita-se a deparar-se com pessoas assim.
O mais curioso é que, sendo tão liberal, acaba por se escandalizar com pouco. Qual o homem que, conhecendo-a bem, lhe resiste a sério?
Francamente, minha querida. Mesmo sendo só amigos, você sabe que tem sempre alguma corte. E uma corte só se mantém se a pessoa em torno da qual se gira tem valor. E tem-no. Muito mais pelo que é como pessoa do que por ser bonita. E a prova disso é que o ajudou a ele, à mulher dele e ao filho que vai nascer. Mas generosidade do que isso é difícil.
Anime-se.
M.
Reconheço no tom um certo paternalismo que também tem estado sempre presente ao longo destes anos.
O tempo de ir dançar ao som do mar sempre que a noite não me corria de feição já lá vai.
Com alguma pena minha, confesso.
(Em 2001, eu não pensava nada, como sabe. Só me preocupava em sobreviver à - má - onda. Quem me arrancasse um sorriso levava-me ao céu. Agora que recordo, detesto anos ímpares.)
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