segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O reencontro

A coisa prometia. Demorámos dez (sim, dez!) horas a chegar. Paragem em Viseu para apanhar o Rui que surgiu de barba, fato e gravata, comunicando com um ar grave "Temos de parar em Bragança para eu comprar roupa". Quando lhe expliquei que via isso com alguma dificuldade porque iria estar tudo fechado, decidimos ir à aldeia - Ventosa - onde ele mora buscar roupa. Uma vista fantástica.
Saímos da aldeia. Nova paragem em São Pedro para ajudar no ranking da bomba da Galp dele. A viagem prosseguiu com o Rui a entoar missas, cerimónias de enterro, pregões de manifestações e a imitar a campanha para o referendo.
Entrámos em Bragança com o Rui a gritar "CGTP - Unidade Sindical", no meio de um "assalto" à bomba de gasolina. O Nuno nem sabia onde se enfiar.
Momentos: três de rajada e os outros ficam para amanhã. A ordem é aleatória.
1 .º Entrada no Lagoa Azul. O Nuno tinha avisado mas nós insistimos. O Rui e o Hugo queriam ir a um bar de karaoke e eu, proclamando que não cantaria, também me manifestei nesse sentido. Entrámos e foi um horror nunca visto. Mulheres enormes dançavam com outras mulheres, homens com homens, música de feira. Os empregados envergavam imitações muito rascas de sevilhanas. O Rui estava embabascado. Eu e o Hugo pedimos logo duas cubas livres e olhavamos para aquilo entre o horrorizado e o divertido. O Nuno divertido. O Henrique saiu-se com a frase da noite :"Um gajo aqui nem tenta nada que, se corre mal, nunca mais recupera a auto-estima".
2 .º Em casa do Nuno, o Rui olha para o meu estojo das Montblanc e pergunta: "Quando custa?". Eu atiro:" Para aí 600." O Hugo diz: "Mas cada uma, certo?" Eu respondo afirmativamente. O Rui começa a dizer que é um absurdo e que eu devia chegar lá e oferecer metade do preço. Eu e o Hugo gozamos perdidamente, a imaginar a cara da senhora da loja da Avenida da Liberdade, arriscando que ela responderia para ele se ir tratar. Chega o Nuno e atira: "A mulher a seguir perguntava: e trouxe a arma?".
3 .º EmVinhais, onde o Rui comprou um chapéu e eu uma estola (embora as más línguas deles dissessem que a minha mala, o meu lindo chapéu e o cachecol também tinha sido lá comprados), o Henrique decide ir ouvir o concerto de GNR. Desistimos e o Nuno escolhe um atalho - tão bom quanto os short cut do Rui - que implicou uma volta completa ao palco para chegarmos ao ponto de início. Pelo meio, numa parte escondida, eu comecei a reclamar da volta, dizendo a alto e bom som "muito bom, muito bom". Voltam-se umas cabeças e eram dois locais que estavam a fazer chichi e que acharam que eu me referia ao "instrumento" deles.

(Amanhã retomo. Até lá, não posso deixar de vos dizer que tinha umas saudades imensas vossas. Que já não me ria assim há muito tempo. Que vocês são e serão únicos na minha vida. Pelos sorrisos que me deram, numa altura em que já estou desabituada de rir tanto, agradeço-vos. Muitíssimo.)

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