quarta-feira, setembro 05, 2007

O Nuno

Quem me conhece sabe que sou um bocado lamechas. Escondo-me um bocado debaixo do meu ar glaciar e faço por me manter com uma expressão fria.
Ice, como me chegaram a chamar.
Mas hoje, Nuno, que ouvi a tua voz senti umas saudades brutais tuas.
Gosto muito de ti, Nuno. Muito mesmo. Mais do que possas pensar e eu consiga exprimir.
Daqueles tempos, daquela altura, restas tu. E não é por acaso. É porque, tendo-nos sempre desencontrado com homem e mulher, descobrimo-nos como amigos.
Foste aquele em cujo ombro chorei. Foste aquele que deixei dormir no meu quarto, sem a barragem da maquilhagem e de mera t-shirt, muito longe daquela maldita fama de "femme fatale" que me perseguia. Foste aquele que me viu sem truques, sem máscaras, sem fachadas.
Só não me arrependo de ter cedido ao Rui M. porque hoje nem nós falaríamos, nem teríamos motivos para gozar o que gozamos. O que eu e ele tivémos foi, de facto, "muito simples". Tão simples que nada restou. E, dos nossos momentos, resta-me um calor que sempre me fez sentir menos sozinha.
No fundo, seremos sempre aqueles amigos. E farás sempre parte da minha vida.
Sem adeus.

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