No outro dia, em conversa com o Nuno, ele sai-se com a seguinte observação: "O teu pai devia dar-te ouvidos porque se existe alguém que sabe como ganhar eleições, esse alguém és tu."
Ora, quem me conhece, sabe bem que eu não gosto de eleições. Direi até mais... Em dois casos distintos, foi o facto de eu não estar disposta a fazer o tenebroso papel de primeira-dama que deu cabo de ambos os relacionamentos.
As eleições a que o Nuno se refere tiveram o meu dedo em tudo, excepto na cor da lista. Eu escolhi as pessoas e os cargos. Fiz os textos, os comunicados, grande parte do programa. E, como era quase a única mulher em lugares cimeiros, chamei sobre mim ainda mais a atenção dos eleitores.
Depois veio o resto. Primeiro os comentários maliciosos de quem só se interessava acerca das companhias de cama de cada um. Depois, os alpinistas políticos que se atracam nas costas dos outros e apanham boleia. Veio a tomada de posse, onde eu me recusei a cumprimentar aquele com quem vim a ter um relacionamento. E, por fim, veio o total desencanto com aquelas lides.
Estará sempre na minha memória a RGA onde foi aprovado o nosso Relatório de Actividades.
O Presidente, em vez de se congratular com o facto de a área Pedagógica ter sido, pela primeira vez, a que foi mais elogiada, dirigiu-se a mim e, cheio de certezas, afirmou que eu "estava feita" com a outra lista. Por seu turno, o Rui estava sentado na mesma fila que eu mas do lado esquerdo do anfiteatro e, a dados passos, olha para mim e sussura-me: "Senta-te ao meu lado. Gostas mais de mim do que dos gajos da tua lista".
Foram um pronúncio as minhas palavras no dia em que ganhámos. Lembro-me de olhar com desencanto para o Manel e lhe dizer: "Depois do champanhe bebido, nada mais nos resta. Vistas as coisas deste lado da trincheira, chego à conclusão que a merda é a mesma".
Talvez por isso, eu não morro de amores por eleições. E vêm aí mais umas.
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