domingo, maio 27, 2007

Le Pen e Sarkozy

Dizia a Natália Correia que tanto é censura não deixar escrever como obrigar a escrever.
Aqui, presumo que deva ser caso da primeira porque a França não é propriamente do outro lado do mundo.
Um dia Le Pen, esse vulto, decidiu oferecer uma refeição a todos os sem-abrigo de Paris. Ninguém questionou a razão de ser de tanta generosidade de uma alma cujos paizinhos melhor teriam feito se - o - tivessem abortado. E assim o fez, apregoando o seu gesto.
Os sem-abrigo de Paris nem pararam para se questionar e lá fizeram fila para a sopa quente.
O que não podiam adivinhar é que, de concluio com a outra besta, à data Ministro do Interior, Le Pen tinha descoberto a pólvora. À medida que se enchia a malga, veio a Polícia e a maior dos sem-abrigo, obviamente ilegais, foram instados a mostrarem os documentos e, pasme-se!, como não tinham, foram deportados.
Quem me contou foi uma amiga minha insuspeita, longe de ser de esquerda, e que estava em Paris. Assistiu de camarote.
Com este contexto, a violência depois da eleição, apesar de não ser legítima, ganha outro alcance.
Acho um nojo este mundo. Cada vez mais.
A vontade que tenho é fechar-me no meu mundinho, ler os meus livros, ouvir a minha música e fugir deste planeta. Que ódio!

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