terça-feira, setembro 19, 2006

Há gentinha muito medíocre

Cuidado com os lobos vestidos de carneiro, foram-me sempre dizendo.
Nunca tive.
Em termos pessoais, detesto ares de carneiro e, talvez por isso, nunca me envolveria com ninguém assim. Já que temos de nos cruzar com autênticos animais, então que sejam de outra índole, mais interessante. Lã, só nas camisolas, please.
Já no campo social e profissional e como é óbvio, não posso escolher propriamente com quem lido. Posso, contudo, escolher a quem dirijo mais do que meras palavras.
Lembro-me dele por o ter achado ridículo. Era um Sábado de manhã e eu estava entre o a dormir em pé e o furioso por ter de estar a vigiar exames. Ele, com um ar pretensamente charmoso, meteu-se comigo no bar da universidade, tentou fazer o género de "carneiro" e deu-me um cartão que dava a conhecer que era "capitão de artilharia". Eu fiquei a pensar "mas que merda faz um capitão de artilharia" neste país, guardei o cartão e voltei para a minha sala. Deste encontro distam uns anitos e tudo o que soube depois dele foi que devia guardar distância. Como se preciso fosse!
Porque este mundo é um T0, tomei conhecimento que esta alminha casara. Azar dos azares, não encontrou ninguém ao nível dele. Foi acima. E muito!
Hoje, essa criatura, ansiosa pelo protagonismo que um andar em Chelas forçosamente não confere a ninguém, lixou-me a minha remuneração na Universidade. Novo azar. Para ele, oitenta contos é uma fortuna. Para mim, é uma gota num oceano. É que a vida não é justa. Mas, diz-se, Deus também não dorme em absoluto. Ele esforçou-se muito, muito. Conseguiu que eu compre menos livros ou uns perfumes a menos. Agora é a minha vez. E vamos ver se ele se aguenta tão bem...
O que é mais ridículo nesta história é que um gajo casado de fresco, com uma "maison" em Chelas e um mestrado duvidoso, não arranje nada de mais interessante do que me lixar a mim, que nada lhe fiz. A verdade é que eu não quero que lhe falte nada. Não tinha motivo nenhum para esta atitude cretina. Mas agora vai ter. E não vai ter um. Vai ter vários. Muitos. Tantos quanto a presunção ridícula de quem ostentaq um ar perfeitamente bimbo e sente necessidade de apregoar vinte vezes que faz exercício físico.
Pois é..., caro Pedro, ninguém ainda te ensinou que não há banho de dinheiro (e o teu, convenhamos, nem é muito...) que tire o ar bimbo ou que torne a tua cara em algo que se possa afastar dessa imagem de atrasado mental que tens.
Espero que tenhas aproveitado o momento. Chegou a minha vez. E eu sou famosa por gostar de coisas duradoiras.

4 comentários:

Anónimo disse...

Credo, Ritinha, o que é isto?
Conhecendo-a, nada tem que ver com o dinheiro, certo?
Eu a pensar que estava longe das fúrias que eram avassaladoras, venho aqui para lhe dizer que me esqueci de referir um outro episódio (mais recente e muito mais importante; aquele em que me disse que se manteria de pedra e cal e que, se fosse preciso, diria.sabe?), e dou com isto.
Safa-se só?

Anónimo disse...

Xiça! Safa! Até estou com pena do artilheiro! Apesar de tudo quanto nos divide e opõe, espero nunca merecer um tratamento desses... De qualquer modo - numa declaração preliminar tipo conflito de intereses - ficou clara uma imagem de lobo / loba... Certo? Carneiro não. Certo? (Parece que os lobos em matilha ou sózinhos são leais)

Anónimo disse...

Ritinha:
Onde é que anda?
Foi esse verme que a fez desaparecer ou há mais alguma coisa?

Xaxão disse...

Ando atulhada em papel, é o que é...
Raios me partam! Vinte centimetros a mais e talvez estivesse rodeada de roupa.
E pronto!
Estou quase a fazer anos e já só penso num saco da carolina h., castanho e lindo, que combina mesmo bem com a minha carteira.
Podia dar-me para pior. Para o BMW que quero comprar, por exemplo.