domingo, setembro 17, 2006

Amizades Improváveis - Take II



1998 - Eu avançava no Colombo, com o ar de quem ia morrer no minuto a seguir e amparada nele, perante o ar de espanto de quem via a cena e reconhecia um dos intervenientes. Tinha-o convencido que queria deixar para trás tudo o que me lembrasse a minha jarra e, consequentemente, deitei quilos de roupa fora e fomos comprar mais. Perante a inexistência de qualquer alteração no meu estado de espírito, ele disse-me: "Já não consigo mais ver esse seu olhar. Que tristeza!". De repente, deu-me uma energia imensa, tirei-lhe o cartão da mão, entrei numa oculista e respondi: "Isso é que se resolve já". Quando saí, era esta. Tirando breves momentos, nunca mais deixei de o ser.

E, de todas, esta é a amizade mais improvável. A que passa por aqui mas que permaneceria sempre por tudo. Pelo que fez por mim. Mais que do que qualquer outra pessoa. Voaram os anos, é certo. Mas eu gosto de ter memória. Obrigada. Sem si, naquelas noites de 24 horas, nunca seria quem sou.

2 comentários:

Anónimo disse...

Talvez se esqueça das horas em que tudo se passou ao contrário. Nunca me comprou umas lentes mas aguentou durante anos comentários maldosos. Nunca se justificou, não obstante sabermos os dois que teria sido mais fácil. A Rita refere esta cena e omite aquela em que o seu grande namorado de faculdade a colocou entre a espada e a parede e você nem vacilou.
Há amizades improváveis. A nossa será uma delas. Mas olhe que é recíproca.

Anónimo disse...

Vi-te uma vez sem lentes. Foi um choque. Continuavas a mesma pessoa, mas eras outra. Mais miúda. Por momentos tive a sensação de que te conhecia de um tempo anterior, mas não foi esse o choque.

De todas as pessoas que vi tirarem as lentes de cor, és a única que tirou parte de si, junto com as lentes.

Nem sempre as armaduras são de ferro...