domingo, março 13, 2016
E sobre estes tempos.
Sendo crítica do tempo do imediatismo, acabei por lhe ceder. É mais fácil colocar um post no facebook e obter dúzias de likes do que este exercício de (quase) solidão.
Vem a isto a propósito do hiato temporal que, inadvertidamente, aqui causei. Olhando à minha volta, muito mudou. Até eu. No âmbito de uma (des) conversa, foi-me dito que teria um caso mal resolvido (o que quer que isso queira dizer...) com um dos senhores dos olhos azuis a quem dediquei aqui várias linhas. Uma vez ultrapassada a fúria inicial pelo evidente "erro nos pressupostos", dei por mim a rir à gargalhada, Av. de Roma fora (sim, os meus vizinhos devem achar-me louca e têm toda a razão). Ri-me pela profundíssima ironia de tudo isto. Uma despedida converteu-se em duas. A de ontem, clara como água, eivada de sentimentos de gratidão recíproca, até por termos sabido tão bem converter o que havia numa coisa quase filial. Sim, estar-lhe-ei sempre grata. A de hoje, de algo que não chegou a ser.
Dito isto, estou à beira dos quarenta e lamento muito pouco. É certo que cometi imensos erros, ainda assim menos do que os que poderiam ter sido (e, curiosamente, não são esses que me apontam). Mas, quando nada o fazia prever, ainda cá estou. Sobrevivi ao outro senhor dos olhos azuis e, percebi hoje, se estive quase a apaixonar-me, isso significa que estou curada. Engraçado quando é um engano a revelar tudo isto. A vida é, de facto, de uma ironia gigante.
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