Confrontada com uma morte inesperada, reparo que tenho trinta e um anos.
Trinta e um anos e um corpo a desvanecer-se.
As mãos. Os joelhos. Os pés.
Esta semana lá vou eu outra vez fazer exames. Estou farta de ser cobaia. De ninguém saber o que é isto que me está a assaltar. De falarem em lúpus. Em coisas degenerativas. Ou mandarem-me por ligaduras que fariam inveja ao Robocop.
Por uma vez na vida, penso: "é a puta da idade". Eu tenho trinta e um e vivi por três.
Dancei como ninguém, em cima de saltos que agora não tolero por mais de uma hora.
Gastei-me, foi o que foi.
E, so far, ainda não me arrependi.
Tem dias em que penso que só lamento nunca poder ter filhos. Outros, relembro que odeio crianças aos berros. E, de caminho, também não morro de amores por gente que me condena sem sequer me conhecer. Principalmente, se forem católicos. ´
É caso para dizer: "Vai para o diabo que te carregue!"
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