sexta-feira, novembro 02, 2007

O enterro.

No dia 31 a Independente fechou. De vez.
Morreu sem sequer conseguir ficar de pé. Morreu quase que como uma rábula, uma caricatura de si mesma.
Aos alunos que ficaram até ao fim foi pedido que levassem croquetes para a entrega dos diplomas. Inacreditável.
Na voragem da minha vida, já nem me lembrava bem do que ali se viveu, não fosse o post da Benilde. Tens razão, minha amiga. Estavam ali em causa vidas. Dos alunos e daqueles que escolheram aquela casa para trabalhar a título principal.
E, agora que te li, também não me sai da cabeça a figura lastimável do Frederico. rodeado de gorilas, a ameaçar-nos.
Daqui a uns anos, acredito que vamos duvidar se aquilo realmente aconteceu. Mas a verdade é que aconteceu. E isso é surreal num estado que se diz de direito.
Por mim, guardo da Uni as pessoas. Tu e o João Carlos como últimas conquistas de amizade.
No fundo, a Uni deu-me mais a mim do que eu lhe dei a ela.
Obrigada, Independente.

1 comentário:

Unknown disse...

Pois é minha amiga.As dificuldades também trazem alento. E delas surgem não só a aprendizagem, a experiência, mas também coisas boas como a tua amizade. Decerto que, um dia, gostaria de contar o episódeo aos meus netos e divertir-me com o absurdo da situação que teve lugar num Estado de Direito, depois de mais de 30 anos de democracia.
Nunca, enquanto, viver esquecerei a tua valentia, a tua voz na telvisão e esses lindissimos olhos azuis a arder de indignação, perante o cenário, e a entrarem casa dentro dos portugueses.
Ainda bem que a vida nos fez encontrar.