quinta-feira, julho 08, 2004

Quase

Há uns anos atrás dei início a uma saga de textos. Os "Quase". Passaram nada menos que cinco anos desde a noite em que sai daquela peça de teatro angustiada, lágrima no olho, o eterno cigarro na outra. A Rita Loira a meu lado, na mesma figura. Nessa noite destilámos as frustações de quem tem vinte e dois anos, um curso quase na mão e o amor a escoar-se entre os dedos. Nessa noite, entre um cigarro e outro, tivemos a capacidade de sermos absolutamente genuínas. Nessa noite, à semelhança de muitas outras, deixei estalar o verniz e com ele a imagem de "femme fatale" com que sempre me defendi.
Na voragem do tempo, fiz cair todas as minhas paixões. Uma atrás da outra. Como se não existisse mais nada que processos em tribunal, malas e sapatos a condizer e o meu eterno n.º 5. Nunca mais me permiti dançar como dancei naquele ano. Provavelmente, nunca mais dançarei como se o mundo fosse acabar ali.
Hoje olho para atrás com a sensação de que é tudo um enorme vazio. De que estive sempre QUASE lá. Quase a ser feliz.

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